O tesão toma conta, seus olhos pequenos de prazer
Lembram uma oriental em um momento de desenho animado ocidental.
Meus dedos tocam – na com a intensidade de uma pétala de rosa sob o espinho.
Tudo parece tão familiar.
Os gemidos, o franzir da testa, a sua pele sensivelmente arrepiada…
Tudo lembra a vontade que passa diuturnamente pela minha cabeça,
Beijar- te até que minha boca diga não. Até que a minha vontade desapareça.
Sinto que me apropriei de algo diferente, nem tão meu, nem tão seu.
Mas mesmo assim, nosso.
Os corações parecem compassados no mesmo ritmo.
Os corpos desobedecem a física, obcecados pelo prazer desse exercício.
As mãos se entrelaçam, o que era intimo se torna exposto.
O rosto e suas expressões perdem a importância por um instante.
Nessa hora o que vale é o contorno do seu corpo.
A luz e a sombra que mostram a perfeição da obra que tenho junto a mim.
As possibilidades infinitas de te fazer feliz por um minuto.
E me realizar por toda a vida.
Somos só corpos buscando o resgate do desejo,
Pelo suor e pelo beijo, que nos deixam hipnotizados com a possibilidade de gozar a noite toda
Sem pensar se é certo ou errado
Solteiros ou casados
Somente nos entregamos a vontade da carne
Que há tanto comanda todos os desejos íntimos da humanidade
Mas é banida das nossas vidas
Devido ao puritanismo barato de nossos dedos unidos como um chalé ao fim do dia
Seu corpo e o meu, formam uma obra prima
De amor, ardor, esplendor
Seu beijo me excita como a vitória
Seu cheiro me lembra a glória
Dos pensamentos que eu tive
Das experiências que me deram medo e ficaram sub-níveladas em minha mente
Para que posteriormente fossem transformadas em um desejo
Que será catalisado em forma de segredo
Para todos aqueles que deixam de fazer o que querem, quando querem
Às vezes penso que satisfazer meus desejos pode ser algo proibido
Mas quem pode me proibir de fazer algo senão eu mesmo?
A vontade de conhecer o desconhecido é algo que molda o meu ser
Que mostra os caminhos os quais eu não devo seguir,
Já que os que devo, estão sempre abertos
Não tenho medo de nada, mas também não conheço tudo
Quero sempre mais da vida e das vontades
Afinal, o que nos move mais do que a nossa vontade?
