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Despedida Amiga

10 meses se passaram e eu aqui estive. Vivi, fui feliz, passei a pior fase da minha vida – trancado durante a semana em meu quarto – sem vontade de fazer nada. Simplesmente triste. Demorou, mas a alegria reapareceu, minhas paixões se reacenderam e eu pude entender o quanto é bom estar ao lado de quem a gente gosta.

Foram vários atrasos, vários sorrisos, vários abraços… E agora eu percebo que cada minuto que eu não estive com vocês foi como algo perdido, que eu não poderei recuperar mais. Porém, cada encontro, nas várias horas que passamos juntos aprendi a respeitar, a rir – ainda mais – a amar, a ouvir e deixar que me ouvissem. Foram meses que, talvez, tenham valido mais do que os anos que passamos juntos anteriormente, pois dessa vez os nossos disfarces caíram e nós continuamos ali, alegres, olhando uns para os outros.

Estar em um ambiente onde todos falam a mesma língua e que te estimula a ir mais longe, a entender o que parecia ser impossível de entender é assim que me sinto quando compartilho o espaço com meus amigos tão especiais. Essa relação, provavelmente, já extrapolou o básico. Agora somos todos cumplices uns dos outros. Das felicidades, tristezas, abraços e descobertas.

Nessa minha, nova, ida para outro lugar fica uma sensação de quero mais, e isso mostra o quanto todos esses momentos foram bons. Talvez pudesse rolar até certo enjoo, depois de tantos dias, repercutindo nossas vidas, afazeres, sonhos e dramas. Mas tudo foi equalizado; sempre para o lado positivo.

Agora ir para algo que desestimula será diferente, mais uma vez me encontro perdido sem um caminho para seguir. Saio daqui porque tenho um sonho e esse sonho – agora – pede sacrifícios. Que assim seja então até nosso próximo encontro.

A dúvida da vida jovem

Cheguei e agora? O sol brilha no céu como se tudo reluzisse, mas eu permaneço como um “sem lugar”. Está tudo como eu deixei… Isso deveria ser bom, mas me aflige o encontro de tal situação. Eu me sinto um estrangeiro em meu próprio lugar. Não me reconheço mais. Talvez devesse me conformar, pois nesses anos de vida que acumulei nunca – nunca – perdi minha referência e meu referencial. Nunca. E agora me sinto como se a mão da minha professora tivesse se soltado da minha enquanto eu passeava no zoológico.

Por quê? Eu gostaria de saber. Saber o que eu quero não é o mais difícil. Difícil é entender como eu me deixei levar por essa falta de vontade de continuar de onde estou. Vontade de renovar tudo, mas ao mesmo tempo não fazer nada. NADA.

O sol esquenta minha cabeça como se minhas ideias estivessem flutuando em algum lugar e de repente elas aparecem. Mas é só o sol, companheiro dos dias secos e sem nuvens que marca os momentos que me sinto perdido por aí. Só o sol.

Esse sol que, assim como o sal, altera o gosto dos dias. Os deixa mais felizes ou não. Talvez eu devesse parar de me cobrar tanto e ir à luta. Mas onde estão as minhas forças para tal? Acho que gastei tudo o que tinha e agora estou tentando recuperar. Ânimo, dizem as pessoas, porém me animar com o quê? Com a falta de expectativas de uma vida possivelmente promissora? Sei lá, a juventude trás um monte de questões e crises, isso parecia que jamais iria me afetar, mas assim tem sido desde então.

- Coragem. Gritam de algum lugar ao longe, mas eu nem sei onde estou… Parecia simples, e é. Mas esqueci como se faz.

Vou ali na esquina tentar encontrar a auto-estima que caiu do meu bolso alguns dias atrás e já volto.Talvez eu traga um Big Mac pra comemorar com vocês…

O que as mulheres querem?

Muito se especula a respeito do que as mulheres querem, mas acho que ninguém realmente consegue responder essa pergunta a contento, nem elas mesmas. Sempre me questionei a respeito disso, mas quanto mais eu procuro respostas mais eu me perco nesse mundo paralelo que elas fazem parecer simples, mas pra mim não é.

Vejam bem; o que me leva a refletir sobre isso são os vários sinais que esses seres de pele, corpo e outros atributos maravilhosos nos dão e depois fazem tudo parecer desnecessário. Até por que nada do que você faça parece surtir o efeito desejado.

Você já tentou consolar uma mulher chorando? Se você fala algo ela diz que não precisa falar, se você não fala, ela reclama o porquê de você não falar nada enquanto ela chora. É algo simplesmente incrível e inexplicável. A história de tentativa e acerto simplesmente não existe.

E os sinais do amor, esses são absurdamente confusos. Nos filmes romantizados é tudo tão bonito, simples. Mas a vida real é um banho de água fria sobre os eternos apaixonados. Algumas meninas falam que é importante o cara chegar, outras dizem que é necessário esperar o momento certo e que ela – somente ela -, pode dar os sinais que demonstram se está ou não realmente interessada em você.

Bem, aí entra aquela velha pergunta, quais são esses sinais? Os homens têm registrado em seu “database” um segmento simples da vida onde consta informações como:

- Se eu quero eu pego. Se eu não quero eu não pego.

- Mulher feia depois de alguns goles tá valendo.

- Se eu olhar pra moça é por que eu estou afim.

E assim por diante. Mas notem as mulheres… Elas podem te olhar a noite toda, sorrir pra você, te abraçar, quase te beijar e daí o que acontece se o cara resolve “roubar” um beijo?

Meia hora de explicações sobre o entendimento errado do que aconteceu, sobre a inverdade desses sinais que o cara viu durante todo o tempo. Que os homens entendem tudo errado sempre e por aí segue. Conheço vários amigos que se apaixonaram por esses sinais e quando resolveram chegar, pois a cobrança – mesmo não parecendo – existe, as meninas tiraram o corpo fora e deixaram os meninos chupando o dedo. E daí como faz?

Nunca solucionei essa questão e acho que meus amigos também não, pois o que mais se ouve por aí é que o cara tem que ter pegada, não pode ficar esperando, tem que chegar, tem que mostrar que é macho! Mas quando ele rompe a barreira do convencional tudo costuma dar errado.

Lógico que existem meninas e meninas, mas os discursos são quase sempre os mesmos:

- Eu quero alguém romântico, que me respeite, tenha senso de humor – detalhe que quase nunca elas entendem o nosso senso de humor e vice-versa -, carinhoso, que divida as obrigações e por aí vai. Agora vai inventar de dividir a conta do restaurante no primeiro jantar pra você ver… A moça não vai atender nem a sua ligação no outro dia. Essa é outra coisa que elas cobram horrores, mas se o cara liga, elas se vangloriam dizendo que o cara está no papo e começam a fazer o famoso “docinho”. Se não liga, é por que ele só queria usar ela e esse tópico segue por horas a fio até ela ligar pra alguma amiga e chorar as pitangas dizendo que ninguém gosta realmente dela…

No fundo tudo se resume a, dar sinais que os homens nunca entendem se é ou não é, e quando o cara consegue algo, se não fizer tudo do jeito, que elas acreditam, que tem que ser ele vai ficar amarrado de uma forma tão absurda que a vida dele voltará ao normal somente depois de uns dez anos.

Mas, o pior de tudo, é que depois ouvi-se somente reclamações de que os caras não prestam, não querem nada sério… Mas quando o homem demonstra interesse em algo sério elas correm ou fazem um doce tão brutal que o rapaz irá pagar todos os pecados dessa vida e mais algumas.

E quando se analisa o mercado da conquista então… Nota-se facilmente que quem tem larga vantagem são os famosos “cafajestes” que não se preocupam com o dia de amanhã, só com o agora, por isso se dão muito bem com as mulheres que dizem saber o que querem e como querem, mas que na verdade acabam por nos confundir diariamente com a beleza inebriante que elas têm.

Que assim seja até que um de nós, um dia, aprenda a entender esse emaranhado de sinais de fumaça lançados em meio às cinzas do dia a dia.

Qual a função de um velório? Grande parte das pessoas não saberia responder com um grau de exatidão aceitável… Pelo que eu ouvi dizer a função do velório era a de não enterrar ninguém vivo, isso no século XVII ou XVIII.

Eu nunca gostei de velórios, acho um momento muito íntimo de cada família. Mas mesmo assim muitas pessoas fazem questão de ir a velórios, ou que outras pessoas apareçam nesse momento de grande dor para alguns e de falta de respeito para outros.

Eu faço o possível para fugir de velórios, pois não importa se o seu dia está ótimo, se você nunca viu a pessoa que esta sendo velada; o clima sempre está pesado e isso marca o dia de uma maneira muito forte. É como se tudo o que se sente naquele ambiente fosse condensado em minha mente. Meu dia perde a cor. E esse clima pesado ainda faz com que as emoções se tornem reféns do lugar e da circunstância. Até por que você não vai a um velório para contar piadas e ficar rindo. No tempo do meu avô, ou até mesmo do meu pai, isso até rolava, mas atualmente não. Talvez deva ser por isso que a galera mais velha não pestaneja quando surge algo assim. Lógico, eles vão para dar uma força à família, mas não é necessário realizar nenhum esforço para sair de casa e chegar ali naquele momento.

No entanto, pra mim, velório é uma coisa traumática, todo mundo que chega quer saber o que aconteceu, são abraços, pêsames e coisas do gênero. Eu mesmo nunca sei o que dizer nessas situações… Nunca! Parece que qualquer frase que eu diga será vazia, descompromissada com o sentimento de quem está ali velando um ente querido. E por, muitas vezes, não conhecer quem morreu e quem está ali velando; não rola chegar dar um abraço apertado e dizer:

-Vai ficar tudo bem.

Ao menos eu penso assim.

Vejam só, quando o velório surgiu a função dele era verifica se a pessoa realmente havia morrido, certo? Por isso esse prazo de 24 horas ou até mais. Mas e quando se tem certeza que a pessoa não irá mais se levantar dali? Lógico que existem pessoas que querem dar o último adeus, mas eu prefiro sempre guardar o rosto de quem morreu enquanto estava vivo. Parece uma desculpa esfarrapada, mas – pra mim – faz toda a diferença.

Ainda tem o choque de clima que é muito forte quando você entra em um ambiente onde as pessoas estão observando o fim da vida de alguém. Tudo lembra algo triste…

Porém, depois de tantos pontos negativos existe algo interessante nesse conflito de sentimentos… Tenho que dar o braço a torcer. A reflexão que esse momento causa em minha vida é sempre muito profunda. Me faz lembrar das minhas principais vontades, dos meus amores, dos meus sonhos. Tudo fica mais nítido.  As interpretações a respeito da minha vida e da dos outros fica amplificada. É sempre um momento estranho, que coloca todos em contato com o que tem mais medo – eu acho -. A morte.

A irrelevância da vida

O que você busca fazer? Refleti a respeito das coisas ultimamente e enquanto conversava com um colega sobre nossas idades percebi como a vida das pessoas pode ser irrelevante. Talvez seja irrelevante para o mundo todo, mas ainda mais para essa mesma pessoa.

Enquanto conversávamos no calor de um carro fechado que nos protegia do gelado final de tarde catarinense percebi como as coisas funcionam:

Uma dezena de pessoas passando para ambos os lados da rua para cumprir sua singela rotina adquirida há muito tempo ou agora há pouco. Não importa.

As pessoas às vezes desperdiçam bons papos pela pressa de fazer nada. Então vendo tudo isso eu pensei; no por que da minha vida ser ou estar sendo irrelevante pra mim mesmo?

Vi no passar das luzes de freio dos acelerados carros, como os anos passam e os sonhos se tornam lembranças do que nunca tivemos.

Esse foi mais um sinal de que devemos seguir o que nos faz bem. E isso deixa ainda mais latente que tudo o que o homem não almeja é a irrelevância, mesmo com algumas pessoas dizendo, como no livro “On the Road” de Jack Koruac, que seu único sonho é servir bem os clientes.

Todos temos sonhos, desde os mais elaborados aos mais simples e o fato de alcançá-los já não nos condena a irrelevância de uma vida comum, perante a nossa existência.

Na verdade, eu descobri que eu tenho medo da irrelevância da minha vida, pois ultimamente o que não falta são pessoas reclamando do que não fizeram e mesmo assim andam jocosamente pelos dois lados da rua com a sua irrelevante arrogância.

Tudo é assimilado com tanta rapidez que nos faz esquecer do principal objetivo da nossa história que é viver bem. Cercados de pessoas inteligentes e que possam nos estimular diariamente a pensar de maneira diferente ou a ter certeza do que realmente achamos sobre algo.

Porém, a irrelevância de sermos nós mesmos nos afeta nos piores momentos, quando estamos sem os pilares da auto-confiança e sem “exemplos” para nos apropriar.  É como se fossemos abraçados pela solidão psico-mental e isso traz a mais a sensação de irrelevância em relação ao que já fizemos e a respeito do que iremos fazer.

Nessas horas me questiono:

- Será melhor ter sonhos mais simples para me entreter com a minha demagogia intima? Será que mais pessoas se acham irrelevantes? Não sei…

O significado das coisas

Nossa, quanto tempo sem escrever.  Passei alguns períodos importantes sem dar a devida importância aos meus pensamentos.  A falta de tempo, o excesso de trabalho a não conectividade que esse novo mundo me propôs. Tudo isso foi um agravante para que eu deixasse a minha vontade de lado e enfim, quando o tempo surgiu, eu já não tinha mais tanta vontade assim. Mas hoje é dia de conversar.

Um dia triste para toda uma “equipe ”de amigos. E eu sei disso.

Nesse momento espero só que possamos compreender o que nos cerca e porque as coisas acontecem de maneira tão estranha.

Que sejamos pacientes para entender um pouco mais da nossa existência e também o porquê de deixarmos de existir.Que possamos confortar uns aos outros e que as dificuldades possam ser superadas. Assim espero.

Que sejamos fortes o suficiente para suportar o que a vida tem para nos dar e aprender com seus significados.

O nada que me conquista

 Eu queria mais. Mas não tive coragem de pedir. Queria te abraçar mais vezes, mas não soube como, fiquei com medo de demonstrar o quer realmente sinto. Sei lá. Sempre quis mais, mas nunca pensei que desejaria ter algo multiplicado. O medo de perder algo que se tem, nos faz pensar tanto e avaliar de uma maneira tão profunda que não conseguimos nem ao menos ter certeza do que queremos. Faz parte de mim pensar de mais e dizer, faça as coisas por gostar, não pense muito. Mas na vida real nem tudo é assim.

Quero compreender o que me aflige, isso não é estranho. Quero ser eu mesmo e ter mais coisas juntas. Serei eu ganancioso? Tudo é grande e estranho; sejamos nós perdidos ou não. Se conseguir, um dia eu conto pra você o que é tudo isso, pois nem eu mesmo sei. Acho tudo tão complicado, mas estou preparado para o nada. N-A-D-A, acho que é a palavra da vez. 

O nada pode ser tudo ou vice-versa só depende de nós. Que estranho como pensamentos podem se encaixar, já que isso estava escrito antes que eu lesse o que você pensa. Eu queria mais, mas o nada já me parece bom. Como estava conversando com a minha mãe. – O mundo não é dos tímidos. Aí eu me pergunto; eu sou tímido? Sei lá.  

Como se fosse uma folha no meu caminho, em pleno outono

O frio me fez querer abraçar-te e sentir o seu calor

Simples, mas seu. Vontade grande de deixar as minhas vontades dominarem

Mas eu não vivo só de vontades. Vivo de desejos e atualmente meu desejo é me deixar levar

Só desejar poderia ser a minha prisão pra sempre, porém às vezes eu externo

Como se tudo fosse vento, a natureza externa suas vontades pelo vento

E eu? Pelo pensamento que me coroe. Só e simplesmente. Vontade de ter e não perder

Saber e poder. Eu quero, mas a dúvida do não é sempre maior do que eu

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