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2010/2011 o que foi e o que pode ser

Esse último ano foi o mais surpreendente de todos. Passei pelo início mais difícil de todos os anos da minha vida. Fiquei extremamente desanimado, encontrei meus fantasmas e ainda os carrego, mas não pesam tanto quanto em 2010. Mudei rapidamente, duas vezes. Cheguei onde queria chegar e descobri que é só o start para algo maior, que eu sempre quis.

Às vezes me questiono se eu estou me escondendo atrás dos meus sonhos, mas na verdade eu tenho deixado meus sonhos menores só para não ter que encarar quão interessante será quando eu conseguir alcançá-los. Mas acredito que estou diariamente aprendendo com isso. Aprendendo a ampliar minhas linhas de limitação, deixando que as coisas e os sentimentos se aprofundem mais.

Passar por um período de tristeza gigante mostra quão coloridas as coisas podem ser se acreditarmos que elas realmente podem ser pintadas. Não digo que gostei de ficar triste, no fundo, de algo que eu não compreendi até agora. Mas as lições foram tiradas e eu segui em frente.

2010 ainda foi interessante, pois eu aprendi o valor de um banheiro limpo, de uma cozinha limpa e de pessoas organizadas. Sempre me achei desorganizado, mas quando você encontra pessoas que fazem tudo que a sua mãe sempre disse que não era legal fica mais fácil entender por que ela ficava tão brava quando chegava em casa.

E assim, mais uma vez, eu aprendi algumas lições nas adversidades que fui encontrando pelo caminho. Mas e 2011? Realmente não sei.

Espero só pelos sonhos, assim como o leão aguarda a sua presa.

Preparando-me, mas tomando cuidado para não perder de vista.

Respirando baixo e controlando o impulso do ataque.

Para que no momento certo tudo ocorra como tem que ser.

Perfeito!

2011, pra mim, pra você, pra todos nós.

P.S. Foto copiada do blog Popload.

Coisas…

Todos os dias me pergunto uma coisa:

Como posso carregar um emaranhado de sentimentos dentro de mim e não entendê-los?

Simplesmente não compreendo o porquê de pensar em tantas coisas contrárias e não entender o que realmente eu quero ou o que se passa lá no fundo. Talvez só esteja acostumado com essa situação, talvez isso seja verdade… Talvez.

Tudo faz e não faz sentindo. É como se eu estivesse perdido dentro de mim. É tudo incompreensível. Sonhos misturam-se com a realidade e eu quero os dois.

É o paradoxo de viver. Não entendo ou não quero entender, pois talvez irei fugir da decisão certa por não ter coragem de confrontar o novo ou de simplesmente deixar passar o que já passou e buscar os desafios que sempre me moveram.

No sonho eu pareço corajoso, mas na verdade sou uma criança crescida com um milhão de dúvidas, incapaz de achar as respostas e de me abrir inteiramente com alguém. Fujo das minhas mazelas e não as confesso, pois a ilusão de não trazê-las à realidade me apunhala diuturnamente como se houvesse a sensação de um sorriso em uma catástrofe.

Não sei. Estou sempre pedindo, sempre – talvez – procurando, mas fugindo de mim. Deixando que as inquietações se aquietem. Mesmo sabendo que isso jamais acontecerá. Quero que me escutem, mas não quero falar. Não quero ver, mas quero que me vejam. Quero só continuar seguindo até que a minha covardia me mate, me sufoque, me apague.

Assim como um castelo vazio, eu só vejo, ouço e sinto escuridão que embriaga e inebria meu destino.

Não quero falar.

Quero dividir com vocês as conquistas desse espaço. O mais interessante é que na lista dos cinco mais lidos somente um texto foi escrito esse ano. Bem, isso mostra que eu tenho que escrever mais e buscar colocar em pauta assuntos mais impactantes. Esse ano que tem início agora é pra ser um divisor de águas, com muito mais conteúdo em todas as vertentes que escrevo. Espero que gostem e continuem passando por aqui.  Um abraço e escrevo em breve. Prometo.

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Mais fresco do que nunca.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros. Este blog foi visitado cerca de 2,400 vezes em 2010. Ou seja, cerca de 6 747s cheios.

Em 2010, escreveu 9 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 141 artigos. Fez upload de 5 imagens, ocupando um total de 360kb.

O seu dia mais activo do ano foi 9 de agosto com 29 visitas. O artigo mais popular desse dia foi O relativismo moral em relação a fidelidade no relacionamento amoroso.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram twitter.com, google.com.br, orkut.com.br, search.incredimail.com e search.conduit.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por michael jackson, decisões dificeis, fidelidade no relacionamento, montalcino criciuma e decisões difíceis

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

O relativismo moral em relação a fidelidade no relacionamento amoroso janeiro, 2009
3 comentários

2

Criciúma – Uma experiência única julho, 2008
23 comentários

3

Michael Jackson se foi e agora? Sobrou sua música julho, 2009
3 comentários

4

Velório – Ver a morte de perto e suas reflexões abstratas maio, 2010
3 comentários

5

Decisões difíceis exigem dias difíceis março, 2008
2 comentários

Esse ano fui pego de surpresa por petardos pensantes vindos da Internet. Bem, anualmente um monte de coisas boas e ruins estão na web esperando que nós possamos encontrá-las e filtrá-las. Mas especialmente em 2010 ouve algo diferente… A massificação do uso do Twitter, o ostracismo do Orkut e o surgimento dos Vloggers. Bem, confesso que de início assisti alguns vídeos de uns caras que apareceram por aí, só para não perder o “bonde”. Porém, eis que surge uma agradável surpresa nesse emaranhado de pessoas tentando aparecer…

Alguém tentando não aparecer, com uma opinião forte, com frases interessantes e soltas como um piano caindo do décimo andar de um prédio, sem se importar muito com o que estão achando dele. Simplesmente senta e fala, com alguns cortes e takes pra não perder o costume. PC Siqueira.

Com frases como esta:

“Você não precisa defender seu direito de ser branco, hetero, católico
e estúpido, porque essa é a descrição do povo que rege os direitos”.

PC iluminou a cabecinha de uma porrada de adolescente perdido e, acredito, gerou alguma discussão sobre o assunto. Mesmo que em escala micro. Com esse petardo PC foi capaz de expressar algo que sempre quis, em poucas palavras, de forma clara e sem rodeios. Fui realmente surpreendido por esse e outros pensamentos muito interessantes proferidos em até 140 caracteres ou durante seus vídeos.

Isso levantou minhas orelhas para a importância de alguém que encarou o clima medieval ,instaurado durante a campanha política desse ano, de uma forma crua e inteligente. Até ler essa frase não havia encontrado em lugar nenhum algo que pudesse definir o que eu sentia quando ouvia bobagens gigantes sendo ditas aos quatro cantos.

PC conseguiu quase que uma simbiose de tudo que precisava ser dito. Ficou todo mundo comentando um monte de coisas, mas sempre pelas beiradas, e ninguém teve coragem de enfiar o pé na jaca e destrinchar esse assunto. Então de onde veio o tiro de misericórdia? De um Vlogger/Twitteiro. O mais interessante é prestar atenção na (não) formação acadêmica de alguém que escreve algo tão interessante de forma direta e sem rodeios. Enquanto pessoas com uma grande bagagem de leituras acadêmicas se matam para justificar coisas injustificáveis, Siqueira – que tem um curso técnico no Senac – consegue desferir golpes profundos e que me fizeram pensar ainda mais no que estava acontecendo à época. No entanto, o mais contraditório foi que não houve nem sequer uma pequena repercussão dessa frase. Ao menos eu não vi ninguém comentando nada.

O interessante é que, de certa forma, ele é um expoente da famosa “escola da vida”, como os antigos costumavam dizer.

Correndo atrás, se arrebentando por aí, sem ser um modelo de beleza – até sua fama na web – PC aprendeu muitas coisas. E uma das mais interessantes é não fazer média. E isso o torna alguém muito perspicaz quando lança suas opiniões e comenta vários assuntos do cotidiano ou não.

Passando por essa análise o mais interessante a ser dito é que, provavelmente, em nenhuma sala de aula universitária alguém teve a coragem de lançar um pensamento dessa forma e eu acho isso ultrajante e de, certa forma, uma falta de coragem absurda.

Então, pra mim, esse ano de 2010 ficará marcado por um carinha do mundo dos gibis que apareceu falando sobre a incapacidade de assistir Avatar, mas que pensa muito mais do que 95% dos jornalistas, articulistas, analistas políticos e assim por diante. É sempre bom encontrar alguém disposto a jogar merda no ventilador sem estar errado.

Outras frases de PC

“Esse negócio de defender diretos do heteros é a maior idiotice que alguém pode falar. Maiorias não precisam de defesa, elas são a ameaça”.

“Você tem todos os direitos do mundo se você for branco, católico e heterossexual. Você é o cara que faz o direito dos outros”.

Palhaços da moda

Moda é uma coisa estranha… Eu sempre gostei da ideia de vestir-se bem, com estilo e personalidade. Acho respeitável uma pessoa que se veste bem. Digo respeitável, pois existem outros fatores que fazem uma pessoa ser admirável e interessante.

Porém, quando as pessoas passam a aceitar qualquer tipo de ideia absurda como algo que pode ser usado cotidianamente isso me dá a clara impressão de que estou em um mundo cheio de idiotas. O efeito nuclear: Alguém no centro diz que algo será tendência e essa opinião se espalha como uma onda de destruição do bom senso e de estilo próprio, é algo que me dá muito medo, pois é praticamente impossível entender algumas ideias estúpidas que as pessoas passam a usar sem o menor medo de parecer/ser/estar ridículo.

Digo isso porque gostaria muito de saber quem foi o FILHO DA PUTA que disse por aí que usar shorts jeans, meia arrastão e bota – ou qualquer outro calçado – é uma coisa legal/bacana/estilosa? Quem? Agora com o meu dia a dia atrelado a um shopping fica mais fácil perceber as tendências. No entanto, eu achava que meus olhos se cansariam de ver cores neon, berrantes bombando por aí, mas o que mais vejo são meninas, jovens e senhoras usando esse “naipe” de roupa que há algum tempo seria algo impensável, tamanha é a falta de nexo dessa porcaria.

Quem me conhece sabe que eu gosto muito de moda, acho algumas ideias simplesmente geniais. Gosto de comprar com a minha namorada e com as minhas amigas. Gosto de dar opinião sobre o estilo, ser consultado a respeito do que usar. Isso não me incomoda e há muito tempo ler sobre moda me interessa, acho que desde os meus 16, 17 anos. Mas quando algo uniformiza a maneira de se vestir das pessoas e não ajuda a melhorar em nada no quesito estético-visual a única coisa que eu posso fazer é ficar puto, já que não posso sair por aí achincalhando todo mundo e dando murro na cara pra ver se aprendem.

Outro exemplo que me revolta bastante é ver que pessoas ligadas a moda dizem em uma estação que usar roupas com estampas de animais, como onça e zebra, é uma bosta e em outra que é cool. Alô Brasil, usar estampa de animais é sempre o ó/1 bosta! É sempre tosco, démodé, indicio de falta de estilo. Até hoje, nunca vi uma pessoa bem vestida com estampas de animais. NUNCA.

Isso é muita falta do que fazer, pois achar algo horroroso em um momento e depois falar que é cool só mostra a falta de personalidade e senso crítico das pessoas e, por que não, dos profissionais de moda. Eu sei que existe, ou deve existir, pesquisas para criação de novas peças e estampas, mas existem coisas que devem ser simplesmente enterradas e esquecidas para todo o sempre. Pelo bem da humanidade.

É lógico que é necessário respeitar o estilo de cada um e também o quão confortável a pessoa se sente usando algo. Esses pontos são imutáveis. Conforto e estilo próprio. Principalmente conforto. Acho que o conforto está acima de qualquer coisa quando falamos de estilo. Agora quando a pessoa abre mão de algo que acredita ou que a faz se sentir bem, para seguir uma tendência, das mais esdrúxulas. Esse indivíduo já deixa de ser alguém para ser objeto que irá consumir qualquer baboseira, mesmo que pareça um imbecil.

IM-BE-CIL.

Raiva externada, vou dormir.

Urgência de quê?

Hoje o dia foi tão bom… Eu não sei se existe relação entre se sentir feliz e logo após, essa euforia toda, a tristeza bater como um soco do Hulk. Parece que a minha cabeça resolve pensar em muitas coisas que mudam meu emocional logo depois de um dia ensolarado e risonho.

Parece auto-sabotagem. Mas não sei… Nesses momentos pareço mais preparado para encontrar a realidade que permanece somente no meu âmago, como o sabor da fruta madura que ainda está verde. Não sei se isso acontece com todo mundo. Realmente não sei.

Quando me olho sinto-me tão diferente de tudo e de todos, às vezes isso acontece em meu habitat, sabe-se lá por quê? Será que existem mais pessoas que se sentem como eu? Perdidos quando parecem encontrados.

Tudo parece estar em ebulição, mas não está. Tudo parece estar se movendo, mas não está. Talvez a mente das pessoas faça isso pra que elas não vivam um mundo de fantasia interno, para que elas não percam o contato com a realidade. Mas tudo é transitório, tudo.

Querer ser livre para se aprisionar não parece uma boa ideia, mas quem se importa com isso quando, dentro de você existe uma pintura tão perfeita que não importa se é original ou uma cópia barata da vida de alguém?

As certezas somem como areia entre os dedos, os cabelos caem como se você sempre tivesse sido careca, o tempo – que parece fazer tão bem para o discernimento e para a aprendizagem do comodismo – só trás sinais de decadência. Decadência.

Esses dias eu estava pensando:

- Há dez anos atrás, o que eu achava que estaria fazendo hoje?

Com certeza não imaginava nada disso. É engraçado como planejamos coisas tão interessantes para as nossas vidas no momento qual tudo é um turbilhão de acontecimentos – 15 anos – sobre os quais não temos controle algum. A juventude.

Por que ninguém conta isso pra gente? Bem, na verdade acho que até tentaram, mas eu nunca acreditei. Agora aqui estou eu tentando colocar prumo nas coisas escolhendo sempre o mais difícil. Sempre! Não que isso seja uma coisa ruim, pois eu sempre fiz essas escolhas, mesmo que poucas vezes, de maneira consciente e quando optei pelo mais fácil nunca foi a melhor coisa a fazer.

Bem, depois de fazer uma analise sobre tudo que aconteceu até hoje eu fiquei me questionando o que poderá acontecer em minha vida nos próximos dez anos? Será que eu me sentirei realmente feliz passeando no shopping com os meus filhos e minha mulher? Vendo essa cena todos os dias que estou trabalhando me bateu uma deprê… As pessoas são realmente felizes fazendo só isso? Gastando o que eles ganham durante as várias horas que passam no trabalho. Será que só isso vai me fazer feliz.

Esse é o momento, que eu acredito, definirá o futuro de tudo. Eu sei que podemos ter vários re-começos, não importa a idade, às vezes melhores do que as primeiras tentativas. Mas eu ainda sinto a urgência jovem pulsando em mim e eu não quero deixar isso morrer. Eu quero e quero agora, só tenho que viabilizar esses acontecimentos. Inquietação é a palavra de ordem.

E vocês, o que me dizem dos seus últimos dez anos de vida, foi o que esperavam? Querem mais?

Despedida Amiga

10 meses se passaram e eu aqui estive. Vivi, fui feliz, passei a pior fase da minha vida – trancado durante a semana em meu quarto – sem vontade de fazer nada. Simplesmente triste. Demorou, mas a alegria reapareceu, minhas paixões se reacenderam e eu pude entender o quanto é bom estar ao lado de quem a gente gosta.

Foram vários atrasos, vários sorrisos, vários abraços… E agora eu percebo que cada minuto que eu não estive com vocês foi como algo perdido, que eu não poderei recuperar mais. Porém, cada encontro, nas várias horas que passamos juntos aprendi a respeitar, a rir – ainda mais – a amar, a ouvir e deixar que me ouvissem. Foram meses que, talvez, tenham valido mais do que os anos que passamos juntos anteriormente, pois dessa vez os nossos disfarces caíram e nós continuamos ali, alegres, olhando uns para os outros.

Estar em um ambiente onde todos falam a mesma língua e que te estimula a ir mais longe, a entender o que parecia ser impossível de entender é assim que me sinto quando compartilho o espaço com meus amigos tão especiais. Essa relação, provavelmente, já extrapolou o básico. Agora somos todos cumplices uns dos outros. Das felicidades, tristezas, abraços e descobertas.

Nessa minha, nova, ida para outro lugar fica uma sensação de quero mais, e isso mostra o quanto todos esses momentos foram bons. Talvez pudesse rolar até certo enjoo, depois de tantos dias, repercutindo nossas vidas, afazeres, sonhos e dramas. Mas tudo foi equalizado; sempre para o lado positivo.

Agora ir para algo que desestimula será diferente, mais uma vez me encontro perdido sem um caminho para seguir. Saio daqui porque tenho um sonho e esse sonho – agora – pede sacrifícios. Que assim seja então até nosso próximo encontro.

A dúvida da vida jovem

Cheguei e agora? O sol brilha no céu como se tudo reluzisse, mas eu permaneço como um “sem lugar”. Está tudo como eu deixei… Isso deveria ser bom, mas me aflige o encontro de tal situação. Eu me sinto um estrangeiro em meu próprio lugar. Não me reconheço mais. Talvez devesse me conformar, pois nesses anos de vida que acumulei nunca – nunca – perdi minha referência e meu referencial. Nunca. E agora me sinto como se a mão da minha professora tivesse se soltado da minha enquanto eu passeava no zoológico.

Por quê? Eu gostaria de saber. Saber o que eu quero não é o mais difícil. Difícil é entender como eu me deixei levar por essa falta de vontade de continuar de onde estou. Vontade de renovar tudo, mas ao mesmo tempo não fazer nada. NADA.

O sol esquenta minha cabeça como se minhas ideias estivessem flutuando em algum lugar e de repente elas aparecem. Mas é só o sol, companheiro dos dias secos e sem nuvens que marca os momentos que me sinto perdido por aí. Só o sol.

Esse sol que, assim como o sal, altera o gosto dos dias. Os deixa mais felizes ou não. Talvez eu devesse parar de me cobrar tanto e ir à luta. Mas onde estão as minhas forças para tal? Acho que gastei tudo o que tinha e agora estou tentando recuperar. Ânimo, dizem as pessoas, porém me animar com o quê? Com a falta de expectativas de uma vida possivelmente promissora? Sei lá, a juventude trás um monte de questões e crises, isso parecia que jamais iria me afetar, mas assim tem sido desde então.

- Coragem. Gritam de algum lugar ao longe, mas eu nem sei onde estou… Parecia simples, e é. Mas esqueci como se faz.

Vou ali na esquina tentar encontrar a auto-estima que caiu do meu bolso alguns dias atrás e já volto.Talvez eu traga um Big Mac pra comemorar com vocês…

O príncipe do castelo

Já fazia tanto tempo que ele não olhava para o seu castelo que quando o viu não o reconheceu. O medo era maior que ele…

As estruturas que tanto tempo consumiram para serem construídas simplesmente ruíram. Mas não da maneira como você pensou. Ruíram de dentro pra fora, de forma que quem por ali passasse não desconfiava o que realmente estava acontecendo. Só ele sabia, mas preferiu não contar. Ele, tolo, acreditou que conseguiria lidar com tudo sozinho; reparando os estragos no tempo livre, quando ninguém estivesse olhando.

No início ele se sentiu só, pois a estrutura havia lhe tomado praticamente toda sua vida e agora ele estava encurralado em uma situação inimaginável. Quer dizer… Pensada somente pelos poetas e escritores mais sagazes de antes da sua geração.

Era, ele, a tentativa do perfeito, do controlado, da paciência, da calma. Mas ele viu tudo desaparecer. TUDO. E não podia contar para ninguém, pois vários outros castelos estavam próximos ao dele e caso descobrissem que sua morada estava oca por dentro geraria pânico. Principalmente se contasse o motivo desse desmoronamento. Que não foi repentino, porém ele acreditava que estava sob controle.

Ele se achava forte, acreditava em seus sonhos, mas e agora que tudo estava tão embaralhado? Que a vontade havia fugido? Que a matéria principal da reconstrução não poderia ser usada sem que outros castelos fossem destruídos totalmente ou parcialmente?

Sua razão predominava intensamente. Mesmo com todos seus alicerces caídos ele ainda tinha algumas ferramentas que o mantinham longe. Era de extrema importância preservar tudo, custasse o que custasse. Mesmo que o preço fosse a falta de brilho e de ornamentação no que havia restado. Mesmo que para isso seu castelo nunca mais fosse inteiramente reconstruído. Seu local seguro eram seus aposentos; em um canto escuro desse castelo ruído. Impregnado de nada. Ele não sabia mais como agir, apenas remoia o que estava dentro das estruturas para que a parte externa nunca parecesse fraca. NUNCA.

Mesmo que os outros castelos não dependessem do seu, tanto quanto ele imaginava, ele ainda acreditava que a sua função seria essa. Sem contar o medo, a desilusão e tudo mais que viria acompanhado no momento qual ele assumisse que a sua maior obra havia falhado. Ou até então, a sua única obra. O que seria desse príncipe construtor de castelos?

Na tentativa de buscar sempre mais ele esqueceu de cuidar do que havia dentro, deixou oportunidades passarem acreditando que seria melhor… Deixou que sua fala fosse abafada para manter tudo como sempre estava. Mas quando percebeu como tudo havia ficado já era tarde. Não sabia pra onde correr. Sabia que seu castelo poderia ser mantido como agora está. Desmoronando por dentro, mas quase intocado por fora, ao menos para acalmar seu ímpeto construtor e então, com mais experiência, buscar manter o que já havia criado. Seria difícil, mas era mais fácil ser um covarde do que colocar seus conceitos de lado e ser feliz. Tudo que ele dizia ser contra.

As manhãs ensolaradas o aconselhavam dizendo:

- Faça.

Mas assim ele não queria. Esperou muito talvez e agora qualquer movimento que fizesse causaria uma queda sem tamanho. Não havia procedimento seguro. Ao menos para ele.  O melhor era ficar quieto, evitar balançar demais e acreditar que o tempo é a melhor solução. O TEMPO. Ás vezes ele começa a montar algo novo, ou a lustrar algumas peças de seu castelo, mas logo desiste, pois seu medo e seus traumas falam mais forte.

E desde então ninguém mais teve acesso a todo o castelo. Hoje o príncipe construtor só mostra as partes que lhe convém. SOMENTE. Por que, ele sabe, que se a estrutura falha de seu castelo for descoberta ele jamais conseguirá construir outro…

O que as mulheres querem?

Muito se especula a respeito do que as mulheres querem, mas acho que ninguém realmente consegue responder essa pergunta a contento, nem elas mesmas. Sempre me questionei a respeito disso, mas quanto mais eu procuro respostas mais eu me perco nesse mundo paralelo que elas fazem parecer simples, mas pra mim não é.

Vejam bem; o que me leva a refletir sobre isso são os vários sinais que esses seres de pele, corpo e outros atributos maravilhosos nos dão e depois fazem tudo parecer desnecessário. Até por que nada do que você faça parece surtir o efeito desejado.

Você já tentou consolar uma mulher chorando? Se você fala algo ela diz que não precisa falar, se você não fala, ela reclama o porquê de você não falar nada enquanto ela chora. É algo simplesmente incrível e inexplicável. A história de tentativa e acerto simplesmente não existe.

E os sinais do amor, esses são absurdamente confusos. Nos filmes romantizados é tudo tão bonito, simples. Mas a vida real é um banho de água fria sobre os eternos apaixonados. Algumas meninas falam que é importante o cara chegar, outras dizem que é necessário esperar o momento certo e que ela – somente ela -, pode dar os sinais que demonstram se está ou não realmente interessada em você.

Bem, aí entra aquela velha pergunta, quais são esses sinais? Os homens têm registrado em seu “database” um segmento simples da vida onde consta informações como:

- Se eu quero eu pego. Se eu não quero eu não pego.

- Mulher feia depois de alguns goles tá valendo.

- Se eu olhar pra moça é por que eu estou afim.

E assim por diante. Mas notem as mulheres… Elas podem te olhar a noite toda, sorrir pra você, te abraçar, quase te beijar e daí o que acontece se o cara resolve “roubar” um beijo?

Meia hora de explicações sobre o entendimento errado do que aconteceu, sobre a inverdade desses sinais que o cara viu durante todo o tempo. Que os homens entendem tudo errado sempre e por aí segue. Conheço vários amigos que se apaixonaram por esses sinais e quando resolveram chegar, pois a cobrança – mesmo não parecendo – existe, as meninas tiraram o corpo fora e deixaram os meninos chupando o dedo. E daí como faz?

Nunca solucionei essa questão e acho que meus amigos também não, pois o que mais se ouve por aí é que o cara tem que ter pegada, não pode ficar esperando, tem que chegar, tem que mostrar que é macho! Mas quando ele rompe a barreira do convencional tudo costuma dar errado.

Lógico que existem meninas e meninas, mas os discursos são quase sempre os mesmos:

- Eu quero alguém romântico, que me respeite, tenha senso de humor – detalhe que quase nunca elas entendem o nosso senso de humor e vice-versa -, carinhoso, que divida as obrigações e por aí vai. Agora vai inventar de dividir a conta do restaurante no primeiro jantar pra você ver… A moça não vai atender nem a sua ligação no outro dia. Essa é outra coisa que elas cobram horrores, mas se o cara liga, elas se vangloriam dizendo que o cara está no papo e começam a fazer o famoso “docinho”. Se não liga, é por que ele só queria usar ela e esse tópico segue por horas a fio até ela ligar pra alguma amiga e chorar as pitangas dizendo que ninguém gosta realmente dela…

No fundo tudo se resume a, dar sinais que os homens nunca entendem se é ou não é, e quando o cara consegue algo, se não fizer tudo do jeito, que elas acreditam, que tem que ser ele vai ficar amarrado de uma forma tão absurda que a vida dele voltará ao normal somente depois de uns dez anos.

Mas, o pior de tudo, é que depois ouvi-se somente reclamações de que os caras não prestam, não querem nada sério… Mas quando o homem demonstra interesse em algo sério elas correm ou fazem um doce tão brutal que o rapaz irá pagar todos os pecados dessa vida e mais algumas.

E quando se analisa o mercado da conquista então… Nota-se facilmente que quem tem larga vantagem são os famosos “cafajestes” que não se preocupam com o dia de amanhã, só com o agora, por isso se dão muito bem com as mulheres que dizem saber o que querem e como querem, mas que na verdade acabam por nos confundir diariamente com a beleza inebriante que elas têm.

Que assim seja até que um de nós, um dia, aprenda a entender esse emaranhado de sinais de fumaça lançados em meio às cinzas do dia a dia.

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