Categoria: Rio


Esses dias, eu consegui entender o significado do carnaval para mim. Já tem dez anos que esse evento faz parte da minha vida e eu precisei desse tempo todo para entender com isso funciona.

Vivenciando momentos únicos e inesquecíveis, que só um “bloco” de pessoas é capaz de colocar em pauta dentro de uma perspectiva tão diferente do meu dia a dia. Bem, sempre achei que não era chegado a grandes manifestações populares, mas uma estadia – de pouco mais de um ano – no Rio me fez entender como algo tão maluco pode colocar para fora alguns dos momentos mais belos das pessoas.

Óbvio, tem o álcool e as outras coisas que alteram o estado de lucidez e julgamento de – praticamente – 90% dos participantes do evento. Mas, não quero ir contra os meus conceitos, no entanto, é bonito ver tanta gente livre de suas amarras cotidianas e curtindo um momento com, o que talvez seja, o sorriso mais verdadeiro que darão durante o ano todo.

Uma grande parcela das pessoas acha o carnaval um saco. Gostam somente dos dias de folga. No entanto, percebo que isso está ligado diretamente ao lugar escolhido para passar os dias de festa; já que poucos têm a chance de estar em uma cidade onde um bloco leva mais de dois milhões(2.000.000) de pessoas para às ruas, só para vê-lo passar e encontrar com gente que nunca viu na vida e – mesmo assim – conversar, sorrir, brincar e deixar a carga diária de uma rotina mecânica de lado, para ser feliz.

O carnaval, pra mim, sempre foi um marco no qual  é possível conhecer pessoas maravilhosas – mesmo descobrindo que sou mais inibido do que imaginei -, de me apaixonar por sorrisos, olhares e histórias que farão parte do que sou, não só por aqueles fatídicos dias. Todos esses fatores serão como um conteúdo que preenche a mente de forma tão única, que a necessidade de voltar e fazer tudo de novo será algo fora de controle…

Momentos os quais lembrar-se podem trazer para o seu espírito, algo como o banzu, a saudade de estar no lugar o qual você  (eu acredito) pertence/r – mesmo que por cinco dias -. Cinco dias que passam rápidos, que têm a dimensão do eterno e que marcam não só a alma, mas a pele, a mente, o físico e o intocável. Como pode um momento tão singelo em sua concepção conseguir despertar tantas coisas de tamanha profundidade em uma imensidão de gente?

É como se a alegria excessiva nos deixasse mais sensíveis a quem está próximo. Uma maneira de fazer com que tudo consiga penetrar a epiderme e expor a fragilidade de sentir, de ser feliz… Mesmo que por apenas cinco dias.

Com uma experiência carioca tão intensa, agora, eu consigo entender quando eles dizem:
Carioca é um estado de espírito.

Clichê, mas verdadeiro.

O lugar e as pessoas do lugar já fazem parte de mim, assim com eu quero fazer parte de lá…

Eu, Theatro Municipal, Rio de Janeiro, Piano, Philip Glass e Tim Fain

O ambiente imponente do recém restaurado teatro é realmente algo que impressiona. Detalhes luxuosos e agradabilíssimos aos olhos. Estava ali para assistir uma apresentação, pela primeira vez. Mas, de entrada, tomei um choque com o comportamento do público carioca que me lembrou as aulas da quinta série.

Houve um atraso na retirada de ingressos para quem havia efetuado a compra on-line e de repente ouço vaias sobre a voz de quem avisava o ocorrido. Para a minha surpresa, quem vaiava com mais vontade eram aqueles velhotes e velhotas que cobram educação da nova geração. Olha, a vibe da apresentação quase fugiu ali. Mas o principal ainda não havia chegado.

Glass adentra ao palco e balbucia alguma coisa em português, não entendo quase nada do que ele fala. Senta-se ao piano e toca uma música da trilha de “As Horas” e outra de “Notas sobre um escândalo”. Mas as notas são marteladas no instrumento com tanta displicência que, pra mim, naquele momento, imaginei que veria uma apresentação sem alma, movida somente pela mecanicidade de um compositor renomado. Acredito que o compositor tenha feito isso pela necessidade de ter que tocar suas músicas mais conhecidas todos os dias, então vai do jeito que der.

Graças a Deus, após essa estranha introdução, apareceu – para dividir a noite – o violinista Tim Fain que, de entrada, colocou o coração nas cordas do violino – perdão pela frase chupeta -.

Levou a atenção de todos para o palco de maneira avassaladora. Notava-se a vontade do instrumentista. Foi ali que a noite realmente começou. Se apresentou por aproximadamente 45 minutos, até o intervalo.

Aí entram minhas ponderações sobre o ambiente. É muito interessante perceber a necessidade de silêncio extremo em uma sala de concertos. O simples movimentar na cadeira parecia o fim do mundo. Tosses e espirros pareciam a chegada da caravana do Gugu, mas é realmente um ambiente muito diferente de tudo que já experimentei.

Após retornar do intervalo, Philip Glass e Tim Fain iniciam uma sequencia de duetos que realmente era o melhor da noite.

Ouvir aquele som limpo se propagando pelo espaço de forma tão harmônica colocou meus sentidos em alto nível de percepção. Era fechar os olhos e deixar com que o som conduzisse o que estava passando pelo cérebro. É interessante também prestar atenção em como as pessoas “assistem” um concerto de música clássica. Alguns encostavam a cabeça na parede, sem possibilidade real de ver o que acontecia no palco, outros se abraçavam… Eram experiências sensoriais distintas. No entanto, ao final da apresentação todos estavam em uma mesma frequência.

Olhar, sentir e dividir esse momento acabou por ser o tudo da noite. Ouvir ali, ao vivo, músicas que tanto gosto – mesmo tocadas de forma tão “experimental” – aguçou minha ânsia por novidades. Philip Glass funcionou como um excelente apresentador de novos talentos deixando um bom espaço para que Tim Fain encantasse a noite no Theatro para quem aprecia boa música.

2010/2011 o que foi e o que pode ser

Esse último ano foi o mais surpreendente de todos. Passei pelo início mais difícil de todos os anos da minha vida. Fiquei extremamente desanimado, encontrei meus fantasmas e ainda os carrego, mas não pesam tanto quanto em 2010. Mudei rapidamente, duas vezes. Cheguei onde queria chegar e descobri que é só o start para algo maior, que eu sempre quis.

Às vezes me questiono se eu estou me escondendo atrás dos meus sonhos, mas na verdade eu tenho deixado meus sonhos menores só para não ter que encarar quão interessante será quando eu conseguir alcançá-los. Mas acredito que estou diariamente aprendendo com isso. Aprendendo a ampliar minhas linhas de limitação, deixando que as coisas e os sentimentos se aprofundem mais.

Passar por um período de tristeza gigante mostra quão coloridas as coisas podem ser se acreditarmos que elas realmente podem ser pintadas. Não digo que gostei de ficar triste, no fundo, de algo que eu não compreendi até agora. Mas as lições foram tiradas e eu segui em frente.

2010 ainda foi interessante, pois eu aprendi o valor de um banheiro limpo, de uma cozinha limpa e de pessoas organizadas. Sempre me achei desorganizado, mas quando você encontra pessoas que fazem tudo que a sua mãe sempre disse que não era legal fica mais fácil entender por que ela ficava tão brava quando chegava em casa.

E assim, mais uma vez, eu aprendi algumas lições nas adversidades que fui encontrando pelo caminho. Mas e 2011? Realmente não sei.

Espero só pelos sonhos, assim como o leão aguarda a sua presa.

Preparando-me, mas tomando cuidado para não perder de vista.

Respirando baixo e controlando o impulso do ataque.

Para que no momento certo tudo ocorra como tem que ser.

Perfeito!

2011, pra mim, pra você, pra todos nós.

P.S. Foto copiada do blog Popload.

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