Vivenciando momentos únicos e inesquecíveis, que só um “bloco” de pessoas é capaz de colocar em pauta dentro de uma perspectiva tão diferente do meu dia a dia. Bem, sempre achei que não era chegado a grandes manifestações populares, mas uma estadia – de pouco mais de um ano – no Rio me fez entender como algo tão maluco pode colocar para fora alguns dos momentos mais belos das pessoas.
Óbvio, tem o álcool e as outras coisas que alteram o estado de lucidez e julgamento de – praticamente – 90% dos participantes do evento. Mas, não quero ir contra os meus conceitos, no entanto, é bonito ver tanta gente livre de suas amarras cotidianas e curtindo um momento com, o que talvez seja, o sorriso mais verdadeiro que darão durante o ano todo.
Uma grande parcela das pessoas acha o carnaval um saco. Gostam somente dos dias de folga. No entanto, percebo que isso está ligado diretamente ao lugar escolhido para passar os dias de festa; já que poucos têm a chance de estar em uma cidade onde um bloco leva mais de dois milhões(2.000.000) de pessoas para às ruas, só para vê-lo passar e encontrar com gente que nunca viu na vida e – mesmo assim – conversar, sorrir, brincar e deixar a carga diária de uma rotina mecânica de lado, para ser feliz.
O carnaval, pra mim, sempre foi um marco no qual é possível conhecer pessoas maravilhosas – mesmo descobrindo que sou mais inibido do que imaginei -, de me apaixonar por sorrisos, olhares e histórias que farão parte do que sou, não só por aqueles fatídicos dias. Todos esses fatores serão como um conteúdo que preenche a mente de forma tão única, que a necessidade de voltar e fazer tudo de novo será algo fora de controle…
Momentos os quais lembrar-se podem trazer para o seu espírito, algo como o banzu, a saudade de estar no lugar o qual você (eu acredito) pertence/r – mesmo que por cinco dias -. Cinco dias que passam rápidos, que têm a dimensão do eterno e que marcam não só a alma, mas a pele, a mente, o físico e o intocável. Como pode um momento tão singelo em sua concepção conseguir despertar tantas coisas de tamanha profundidade em uma imensidão de gente?
É como se a alegria excessiva nos deixasse mais sensíveis a quem está próximo. Uma maneira de fazer com que tudo consiga penetrar a epiderme e expor a fragilidade de sentir, de ser feliz… Mesmo que por apenas cinco dias.
Com uma experiência carioca tão intensa, agora, eu consigo entender quando eles dizem:
Carioca é um estado de espírito.
O lugar e as pessoas do lugar já fazem parte de mim, assim com eu quero fazer parte de lá…

