Archive for fevereiro, 2012


Esses dias, eu consegui entender o significado do carnaval para mim. Já tem dez anos que esse evento faz parte da minha vida e eu precisei desse tempo todo para entender com isso funciona.

Vivenciando momentos únicos e inesquecíveis, que só um “bloco” de pessoas é capaz de colocar em pauta dentro de uma perspectiva tão diferente do meu dia a dia. Bem, sempre achei que não era chegado a grandes manifestações populares, mas uma estadia – de pouco mais de um ano – no Rio me fez entender como algo tão maluco pode colocar para fora alguns dos momentos mais belos das pessoas.

Óbvio, tem o álcool e as outras coisas que alteram o estado de lucidez e julgamento de – praticamente – 90% dos participantes do evento. Mas, não quero ir contra os meus conceitos, no entanto, é bonito ver tanta gente livre de suas amarras cotidianas e curtindo um momento com, o que talvez seja, o sorriso mais verdadeiro que darão durante o ano todo.

Uma grande parcela das pessoas acha o carnaval um saco. Gostam somente dos dias de folga. No entanto, percebo que isso está ligado diretamente ao lugar escolhido para passar os dias de festa; já que poucos têm a chance de estar em uma cidade onde um bloco leva mais de dois milhões(2.000.000) de pessoas para às ruas, só para vê-lo passar e encontrar com gente que nunca viu na vida e – mesmo assim – conversar, sorrir, brincar e deixar a carga diária de uma rotina mecânica de lado, para ser feliz.

O carnaval, pra mim, sempre foi um marco no qual  é possível conhecer pessoas maravilhosas – mesmo descobrindo que sou mais inibido do que imaginei -, de me apaixonar por sorrisos, olhares e histórias que farão parte do que sou, não só por aqueles fatídicos dias. Todos esses fatores serão como um conteúdo que preenche a mente de forma tão única, que a necessidade de voltar e fazer tudo de novo será algo fora de controle…

Momentos os quais lembrar-se podem trazer para o seu espírito, algo como o banzu, a saudade de estar no lugar o qual você  (eu acredito) pertence/r – mesmo que por cinco dias -. Cinco dias que passam rápidos, que têm a dimensão do eterno e que marcam não só a alma, mas a pele, a mente, o físico e o intocável. Como pode um momento tão singelo em sua concepção conseguir despertar tantas coisas de tamanha profundidade em uma imensidão de gente?

É como se a alegria excessiva nos deixasse mais sensíveis a quem está próximo. Uma maneira de fazer com que tudo consiga penetrar a epiderme e expor a fragilidade de sentir, de ser feliz… Mesmo que por apenas cinco dias.

Com uma experiência carioca tão intensa, agora, eu consigo entender quando eles dizem:
Carioca é um estado de espírito.

Clichê, mas verdadeiro.

O lugar e as pessoas do lugar já fazem parte de mim, assim com eu quero fazer parte de lá…

To be(toneira)

Menina virou mulher. Para muitos, garfo não é talher. O doce da sua boca foge pelo atalho, como quem corre para ver o pai, que chega do trabalho.

Correr, morrer, sofrer. Terminar com “er”, é como remoer algo para sempre, desacreditar de tudo que era bom e deixar colorir; o som…
Do seu suspiro, do seu espirro
Do sotaque, que de ataque, só o meu pensar…

Tocar atabaque como quem toca o céu, beijar você como quem tira o véu. É delicado, é seu.
E por isso me encanta. Me faz cantar, pular pra dentro de mim e buscar o seu respirar
Sincopado ao meu.

O som dos nossos dedos, que ninguém ouve, o silêncio do nosso amor que um dia houve…
Estar não é ser, estar não é saber. Talvez estar seja crescer, amadurecer parado enquanto o tempo passa por nossa pele e isso faz com que os risquinhos surjam e assim, quando tornam-se profundos, demonstram o quão fomos acariciados pelo súbito impeto de ser.

Ser, estar… To  be(tonera) de emoções que faz do meu exterior concreto-arte/prédio/duro e assim não exponho meu interior sem cobrar… o que me é mais caro, deixar.

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