A irrelevância da vida

Novembro 10, 2009

O que você busca fazer? Refleti a respeito das coisas ultimamente e enquanto conversava com um colega sobre nossas idades percebi como a vida das pessoas pode ser irrelevante. Talvez seja irrelevante para o mundo todo, mas ainda mais para essa mesma pessoa.

Enquanto conversávamos no calor de um carro fechado que nos protegia do gelado final de tarde catarinense percebi como as coisas funcionam:

Uma dezena de pessoas passando para ambos os lados da rua para cumprir sua singela rotina adquirida há muito tempo ou agora há pouco. Não importa.

As pessoas às vezes desperdiçam bons papos pela pressa de fazer nada. Então vendo tudo isso eu pensei; no por que da minha vida ser ou estar sendo irrelevante pra mim mesmo?

Vi no passar das luzes de freio dos acelerados carros, como os anos passam e os sonhos se tornam lembranças do que nunca tivemos.

Esse foi mais um sinal de que devemos seguir o que nos faz bem. E isso deixa ainda mais latente que tudo o que o homem não almeja é a irrelevância, mesmo com algumas pessoas dizendo, como no livro “On the Road” de Jack Koruac, que seu único sonho é servir bem os clientes.

Todos temos sonhos, desde os mais elaborados aos mais simples e o fato de alcançá-los já não nos condena a irrelevância de uma vida comum, perante a nossa existência.

Na verdade, eu descobri que eu tenho medo da irrelevância da minha vida, pois ultimamente o que não falta são pessoas reclamando do que não fizeram e mesmo assim andam jocosamente pelos dois lados da rua com a sua irrelevante arrogância.

Tudo é assimilado com tanta rapidez que nos faz esquecer do principal objetivo da nossa história que é viver bem. Cercados de pessoas inteligentes e que possam nos estimular diariamente a pensar de maneira diferente ou a ter certeza do que realmente achamos sobre algo.

Porém, a irrelevância de sermos nós mesmos nos afeta nos piores momentos, quando estamos sem os pilares da auto-confiança e sem “exemplos” para nos apropriar.  É como se fossemos abraçados pela solidão psico-mental e isso traz a mais a sensação de irrelevância em relação ao que já fizemos e a respeito do que iremos fazer.

Nessas horas me questiono:

- Será melhor ter sonhos mais simples para me entreter com a minha demagogia intima? Será que mais pessoas se acham irrelevantes? Não sei…

O deslizar do tempo

Novembro 7, 2009

Faz tanto tempo que não escrevo que esse texto, realmente, poderia ser sobre isso. Mas não é. Escrevi essa s linha já faz algum tempo. E como eu estou realmente com vontade de voltar a escrever nesse espaço resolvi começar aos poucos. Mesmo com ideias novas eu preferi esperar para iniciar a nova temporada.

Espero que gostem e se puderem comentem. Um abraço a todos.

Enquanto o vento gelado atacava meu rosto como o tapa de uma mulher brava após uma passada de mão…

Engraçada essa analogia pra começar um texto sobre o tempo…

Como é louca essa coisa que de repente acomete a gente e nem percebemos de onde vem. Enquanto eu andava descompromissado com a vida algumas lembranças de coisas boas surgiram em minha mente. Relembrei os bons momentos, como quando eu e meu pai assistíamos futebol pela TV – e olha que eu não gosto de futebol -. Das conversas caseiras que tínhamos, enquanto estávamos sob o mesmo teto. A intenção que ele sempre deixava clara que era – e continua sendo – a de que acima de tudo queria ser meu amigo. E com certeza conseguiu.

Ainda os dias que passei conversando com meu irmão sobre praticamente tudo. As noites que se alongavam, mesmo quando eu chegava cansado da escola e tinha que trabalhar no outro dia cedo – que ficávamos comentando sobre como foram as nossas últimas horas.

A presença importantíssima da minha mãe no meu desenvolvimento pessoal e acadêmico. E a crença de todos que eu poderia e posso ser o que eu quiser. O insano disso tudo é pensar que essas memórias e sentimentos estavam perdidos no fundo da minha cabeça, e de repente uma brisa gelada na barba sobre o meu rosto desperta tudo com tanta intensidade que me emociona.

Nesse caso parece que o tempo foi um fator fortificante de tudo isso que está em minha memória. O bom é saber que esses sentimentos não serão apagados do meu ser e eu ainda posso dizer a esses importantes personagens da minha vida o quanto tudo que fizeram por mim foi e é importante.

Que o tempo afague minha face com as marcas e expressões que só a vida pode dar, mas deixe os flashes do meu passado cada vez mais nítidos, para que eu possa continuar construindo meu presente e meu futuro cada vez mais feliz e estéticamente imagético para mim e quem eu amo. Que sejamos todos felizes!