No dia seguinte a definição das doze cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo do Brasil em 2014, um dos assuntos mais comentados nos jornais da capital catarinense foi a não seleção de Florianópolis para este momento célebre na história do esporte nacional.

Eu acredito que essa tenha sido uma das decisões mais acertadas referente a esse evento para a região sul do Brasil, as outras duas capitais da região já demonstram um poder organizacional bem maior e mais consolidado que Florianópolis. O mais engraçado, após a divulgação das selecionadas, foi ver pessoas dizendo coisas sem pensar, principalmente os ditos “jornalistas” e “formadores de opinião”, digo isso, pois no calor do dia seguinte ao anúncio assisti e ouvi um jornalista afirmar que “guardada as devidas proporções” o trânsito de Florianópolis é melhor que o de São Paulo e a cidade é mais segura que o Rio de Janeiro. Pura inflamação bairrista, que sabemos existir muito por aqui. No entanto, qualquer pessoa com um pouco de senso nota que Florianópolis não tem a menor infra-estrutura para receber um evento dessa magnitude. Pra mim a cidade não tem estrutura nem mesmo para comportar a final de um brasileirão.

O mais chato de ouvir essas afirmações esdrúxulas é ver a população caindo de gaiato, acreditando nas besteiras que foram ditas. Não é necessário muito tempo de morada na ilha para perceber a inépcia política que é praticada da mesma forma que na maioria dos estados brasileiros. As obras correm a passos largos antes das eleições, após esse período tudo fica estagnado e vai sendo realizado em doses homeopáticas, as principais obras de expansão de trafego, transporte público e saneamento – por exemplo – estão à mercê e a espera de algo que eu desconheço.

Um exemplo disso pode ser presenciado durante toda temporada de verão. Quem mora nesse imenso espaço de terra tem de passar por vários quilômetros de engarrafamento. Isso que o fluxo de turistas costuma não ser muito diferente quantitativamente de uma temporada para outra. Existe deficiência na estrutura de saneamento básico e no fornecimento de água. Não é difícil presenciar localidades da capital sem água durante algumas horas no alto verão. Quanto as filas de carro, até mesmo fora de temporada, nos principais horários do dia, temos engarrafamento, principalmente para a região sul de Florianópolis. Existem várias obras necessárias para dar uma fluidez um pouco melhor para o trânsito, algo que – pelo que ouvi falar recentemente – está na prancheta a mais de cinco anos.

É incrível que as pessoas ainda queiram comparar o tráfico daqui com o de São Paulo. A capital paulista tem, realmente, um trânsito difícil, mas as soluções são pensadas quase que diariamente. E um detalhe importante, os motoristas podem escolher vias alternativas para “driblar” as filas, por isso os carros conseguem manter um trafego considerável mesmo com veículos em todos os lugares, o tempo todo, todos os dias. Aqui existem poucas rotas para ir de um lugar a outro e essas vias congestionam-se simultaneamente. Ainda é importante colocarmos no papel que São Paulo e Rio têm infra-estrutura preparada para grandes eventos devido o acontecimento desses constantemente e os grandes eventos que ali são realizados ganham uma relevância global muito maior.  Florianópolis está somente engatinhando no quesito grandes eventos e quanto ao olhar mundial…

É claro que não posso deixar de mencionar que a realização de um acontecimento como esse em qualquer parte do Brasil irá gerar uma entrada de recursos inimaginável para simples mortais como nós. Esse capital poderá ser investido na infra-estrutura dessas cidades e também na construção de facilitadores de locomoção, maior oferta de hospedagem entre outras coisas. No entanto, quando existe a procura por locais para sediar eventos espera-se que, ao menos, o básico já esteja pronto para que o tempo seja otimizado. Isso mostra que mesmo Florianópolis sendo uma cidade de alta rotatividade turística ainda não cumpriu com seu papel de disponibilizar as condições mínimas de facilidades para turistas e moradores. Isso deixa explicita a inépcia política que não expande suas ações de maneira a abarcar as necessidades básicas da população. Então, se até hoje foi sempre a mesma lenga lenga; por que dessa vez seria diferente? Simplesmente para transformar essa ilha em vitrine turística sem ser?

Floripa tem somente praias bonitas, o que para alguns já basta. O transporte público é uma piada, já que essa é a única cidade que possui um terminal de integração desintegrado. Cada empresa é responsável por áreas de transporte especificas da cidade e dessa forma o terminal foi separado com catracas independentes para cada empresa. Assim, caso o passageiro entre no lugar errado terá que sair e pagar outra passagem para adentrar ao espaço da empresa certa. Isso é quase tão estúpido quanto colocar esteiras rolantes nas praias.

Os investimentos em trânsito que a população vê são irrisórios. Não digo que os políticos não conseguiriam consertar tudo que precisam para a Copa, em tempo recorde e afirmar que tudo isso foi possível graças aos esforços da população e aquela ladainha toda. Mas, no entanto, o fato de reformas estruturais importantes não terem sido feitas até hoje mostra a má vontade de transformar algo que naturalmente é encantador em um lugar ainda mais especial para quem mora e para quem vem visitar.

Sendo assim, olhando pelo lado bom, Florianópolis não ter sido escolhida deve, de certa forma, ser bom para acordar os políticos de seu sono restaurador e colocá-los para pensar na importância de olhar para obras que beneficiam o coletivo, pois o importante é ter uma infra-estrutura constantemente em evolução para que nos momentos certos poucos ajustes tenham que ser realizados e os investimentos possam ser feitos somente em “produtos” que agreguem mais valor e beleza a capital catarinense.