Oasis, um concerto desconcertante
Maio 14, 2009
Era para ser um super show. Era… Cheguei na metade da apresentação da Cachorro Grande. A entrada estava organizada, as pessoas passavam por uma revista típica e depois adentravam com tranqüilidade ao espaço do show. A galera estava empolgada. Cantando quase todas as músicas da Cachorro. Pensei comigo:
- Essa noite promete!
A lua cheia e bela apareceu ao lado do palco. Muita gente no local, o som da banda estava bom. Beto Bruno tirou um sarro por causa do Internacional. Saiu do palco e então depois de alguns minutos surge o Oasis. Formação com um novo integrante; o baterista, Chris Sharrock, e o tecladista de apoio Jay Darlington, apresentado como Jesus Cristo, por causa de sua aparência com o homem bíblico. Enfim, quando a banda toca os primeiros acordes o som parece abafado e assim continua até o final do show. Achei isso meio estranho já que a Cachorro Grande tinha um som bem mais alto e com uma definição de agudos mais claros do que o do Oasis. Talvez tenha sido escolha do Noel Gallagher, o guitarrista, que pareceu não curtir muito as viagens pelo Brasil, mesmo demonstrado certa simpatia no palco que tinha uma iluminação bem projetada, mas normal. E eu que fui esperando telões de alta definição e coisas do gênero, como na Argentina, não vi nada.
Os Gallagher estavam soltos sobre o tablado, eram um exemplo de doçura e empolgação; do jeito deles. Os outros integrantes eram normais.
Particularmente achei meio morna a presença de palco dos caras. Após o show fui procurar algumas informações sobre esse detalhe e a maioria das pessoas que estiveram lá concordaram com essa afirmação. No entanto, disseram que é o normal dos irmãos. “Eles têm um show burocrático”, disse uma fã em um blog por aí.
O público não era muito misturado, havia muitas mulheres sozinhas, alguns Emos e uma galera entre 20 e 30 anos. Destaque para um menininho de uns 12 anos que provavelmente assistia a seu primeiro show de uma banda internacional bem do meu lado. Uma pena ele não ter começado com o pé direito. Mas acho que pela empolgação a experiência valeu a pena.
Como já virou praxe no Brasil, lá na frente estavam os abastados da área VIP. Quando a apresentação acabou até achei que houve dois shows. Um para a área mais próxima e outra para a galera do fundão. Já explico o porquê.
A galera só se empolgou no momento dos clássicos como “Champagne Supernova”, “Wonderwall”, “Morning Glory” entre outras. Essas músicas fazem parte dos três primeiros álbuns da banda, o que deu a eles tudo o que têm hoje. Pude entender então que não importa o que o Oasis faça depois desses trabalhos, eles sempre serão lembrados por esses três lampejos de criatividade Pop. Ainda afirmo mais, se eles fizessem um show no qual só tocassem músicas desses álbuns todos sairiam felizes. Eu iria a outro show da banda somente para ouvir esses clássicos novamente.
Mas como o show teve pílulas novas e coisas antigas estrategicamente misturadas em alguns momentos foi possível ver pessoas bocejando, essa é a primeira vez que presencio isso em um show de rock. Aí entra a distinção das partes que estiveram na apresentação, pois uma galera elogiou muito o concerto, havia realmente lá na frente, na área VIP, uma moçada bem empolgada. Mas à minha volta, na área comum, todos os espectadores pareciam meio dormentes. Como se nada estivesse acontecendo, quase ninguém pulava, gritava ou mesmo cantava. Somente os clássicos. Fiquei até na dúvida se essa frieza é do público, mas já estive em outro show em Curitiba e tudo parecia bem normal.
Ao final da apresentação bonita, limpa e sem erros, a banda sai para voltar após alguns minutos para o Bis. Nessa hora percebo algo estranho novamente, ninguém ficou gritando para que voltassem. Simplesmente aplaudiram e continuaram esperando que os integrantes reaparecessem. No mínimo estranho. Ao final de tudo saí do Expotrade com a sensação de que não houve nenhum show naquela noite. Queria um pouco mais e não tive, simplesmente acabou e eu fui pra casa. No entanto, mediante tamanha estranheza ainda pude fazer algumas constatações a respeito do som da banda. Mesmo sabendo que já tem um bom tempo que eles não lançam nada com uma grande relevância no mercado musical, eles têm músicas que maturam com o tempo, caso de “Lyla”, “Importance of Being Idle”, Let There Be Love três do álbum “Don´t Believe the Truth” de 2005. Isso foi perceptível graças à empolgação da galera ao meu lado. Não era muito, mas para o momento já bastou.
Pra fechar, depois do show fui procurar mais informações sobre as apresentações em solo tupiniquim e também sobre o novo álbum. Li no portal G1 que se depender do CD “Dig Out Your Soul” a década perdida do Oasis continua. Acredito que isso procede, mesmo com a boa recepção por parte dos críticos internacionais. As músicas novas eram tocadas depois de várias antigas. Em um show com 19 músicas próprias e um cover dos Beatles eles tocaram cinco novas, e essas foram as que menos empolgaram. Claro que essas músicas podem marcar em algum tempo à nossa frente, mas naquele momento não teve quase efeito nenhum sobre grande parte do público que estava presente no evento.
Mesmo assim, depois de uma experiência quase frustrante, foi bom ouvir ao vivo as músicas que eu escutava no rádio e pensava:
- Quando poderei presenciar isso bem na minha frente.
O sentimento de revival foi bom. Sem contar que é interessante perceber que envelhecemos já que algumas das músicas tocadas fazem parte da década de noventa, mais de 15 anos atrás. O Oasis já não tem tanta importância para o cenário musical quanto tinha depois de seus discos de estreia, mas já escreveu seu nome na história da música pela pose, pelas encrencas e também pela música.
P.S. Não disse que o cara não estava curtindo. Em post agora à pouco em seu blog no Myspace Noel disse que não curtiu tocar em um estacionamento em Curita nem no lugar onde tocou em Porto Alegre.
Matéria na integra: http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1125215-7085,00.html
Abraço.