O meu Big Brother

Janeiro 31, 2009

Vivendo com pessoas do trabalho e aprendendo que as diferenças nem sempre devem ser respeitadas

 

O big brother começou faz pouco tempo na TV, acho que três semanas, no entanto pra mim tem mais tempo, já que tirando as férias de alguns dias de janeiro com os meus pais, estou “confinado” com colegas de trabalho desde do início de dezembro.

É engraçado perceber quando se passa muito tempo junto com as mesmas pessoas o desgaste das relações interpessoais, as respostas ásperas e a falta de interesse em entender as diferenças de cada um. Mas, no entanto, uma coisa que sempre é dita no Big Brother da TV, as máscaras caem rapidinho, ainda mais quando se trata de trabalho. Pessoas que pareciam extremamente inteligentes têm uma vida pessoal totalmente insana, comportamentos infantis e reações surpreendentemente fora da realidade a qual foi inserido. Alguns tentam se auto afirmar por meio de coisas que não são suas e assim por diante.

Vou explicar pra vocês como funciona o dia-a-dia da casa:

A equipe, formada por oito pessoas, trabalha em um shopping de Balneário Camboriú em dois turnos; manhã e tarde divididos em quatro. Nada anormal até aí. Às vezes podemos sair à noite para baladear, conhecer alguns lugares diferentes, ir à praia.  Mas o “X” do desgaste não mora aí, ele está na convivência diária e ininterrupta – casa e trabalho – com pessoas que se comportam de maneiras distintas e, na maioria das vezes, não toleram o comportamento diferente dos outros. Ou pode ser que não procuram se adaptar ao novo segmento de vida conjunta, já que existem coisas que você pode deixar de fazer para não incomodar uma grande parcela das pessoas que moram com você.

Realmente passar muito tempo com as mesmas pessoas tentando dividir comida, gasolina, gostos e gastos é algo complicado. Sem contar que existe a necessidade de lidar com egos do “melhor motorista” que tenta provar que não o “de menor” como conhecido no escritório sendo o chofer da galera; dirigindo mesmo quando existem outros dois motoristas para revezar na casa. Existem ainda as crianças que brincam de trabalhar e namorar, que provam por “A+B” que casais não podem trabalhar juntos (mesmo tendo um raríssimo exemplo de que essa fórmula pode dar certo na porta da frente), ainda mais em casos como esse de “confinamento”, pois os problemas das discussões infantis em casa são levados para o trabalho e vice-versa. Tem também o folgado engraçado que aproveita do seu dom de fazer os outros rirem para folgar e não fazer o mínimo das atribuições da casa como lavar a sua própria louça. Tem o que se acha a ovelha negar, pois nunca recebe nada, todos colocam a culpa nele. Mas isso é o que se ganha quando queremos procurar namoradas ao invés de trabalhar ou quando não fazemos muitas coisas como se é esperado. Temos o certinho que procura fazer tudo de acordo como as regras mandam sem nunca sair da linha. Às vezes chega a ser chato por seguir tudo de maneira tão direita. Podemos ver que a maioria dos perfis são distintos e isso, com certeza, gera discordância.

É interessante destacar que por esse ser um “habitat” tão sensível um individuo consegue colocar toda a mínima harmonia existente no sistema em xeque, quebrando uma das principais regras para manter tudo funcionando; manter o diálogo. Quando uma pessoa não procura acertar as situações que causou a si mesmo e para de conversar com alguém desse sistema frágil todo o equilíbrio vai embora e o problema não pode ser solucionado enquanto esse ser não toma a decisão de por si mesmo resolver seu desentendimento que foi realmente gerado por excesso de convivência e displicência com o que e como falou com as outras pessoas do ambiente.

Ainda existe um problema maior que é o fator organizacional. Nem falo sobre organizar cada um as suas coisas, mas a tentativa de fazer com que as pessoas não percam a paciência e partam para a agressão física devido a falta de tato que alguns têm em momentos críticos. Você não sabe se concorda com todos, se desautoriza alguns mal educados ou se deixa passar só para não gerar uma briga. Realmente não sei.

Pra quem não me conhece muito bem, eu tenho vontade de participar do BBB, já que lá existe a possibilidade de passar alguns meses de forma a aproveitar o ócio para enriquecer o intelecto e também aprender com a convivência. Estou usando esse modelo de convívio que tenho aqui para praticar atitudes, se é que isso é possível, pois no momento em que entrar para a casa valendo um milhão espero conseguir o prêmio máximo.

E mesmo depois de relatar todas essas desvantagens, tenho que confessar algo, eu continuo nesse mesmo sistema, no qual devo permanecer até março, no entanto os “participantes” vão mudando de acordo com os acontecimentos externos do nosso trabalho. Essa é a vantagem, se não aguentar você pode pedir para sair – usando o exemplo que o meu chefe deu “A pessoa pega e quebra o colarzinho como no programa ‘No Limite’”-. No entanto essa nova “temporada”esta mais tranquila. As pessoas estão conversando mais e fazendo o possível para se adaptar as manias de cada um, como a de organização, a de não gostar do cheiro de cigarro, dividir ou não a comida, acertar os valores que cada um tem que pagar para cada coisa nova que é colocada na casa. É um momento interessante de aprendizado para todos, tirando os momentos extremos que alguns relacionamentos provocam em quem não tem nada a ver com a situação.

E você, já viveu algum momento Big Brother na sua vida? O que achou? Conta aí.

2 Respostas para “O meu Big Brother”

  1. Lídia disse

    Eu já vivi um momento BBB numa viagem para a praia que incluía família e alguns amigos.
    Na hora que acontecem as coisas, o sangue ferve e pra mim foi HORRÍVEL; pelo fato de ter umas 20 pessoas na casa e o “líder”(um tio chato, mala pra cacete) controlar até o papel higi}ênico, acredita?
    Só que lá não era tão “simples” de resolver, como um diálogo, afinal, estávamos eu e uns amigos junto com a família na casa desse meu tio. Ele controla.
    Nunca mais voltei lá
    Mas a experiência valeu…
    Beijos, sumido!
    Mande notícias!
    Tá tudo bem contigo?

  2. Vania Paula disse

    É.. ja vivi algo quando fui pra praia.. mas tenho ctza que nao foi nada como esta sendo a sua convivencia.. =/
    Espero que as coisas mudem um pouco por ai.. Nao é facil neh.. =/

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