A relação amorosa entre um casal dificilmente é 100% tranqüila, percebemos isso nas poucas olhadelas que damos diariamente nos rostos dos casais apaixonados que discutem enquanto passeiam pelo shopping realizando suas compras de aniversário de namoro.
A fidelidade sempre é um tema polêmico de ser abordado devido a sua complexidade de relacionamento para relacionamento. Mas é sempre possível criar um parâmetro ao menos para aferir a realidade do que acontece na cabeça da maioria quando essa atitude, um tanto conturbada, é tomada por uma das partes. Esse tema é tão complexo que poderia ser até tese de pós-graduação. Mas vamos ao assunto que realmente interessa.
Um relacionamento para existir, necessita de confiança e baseado nessa confiança os casais tomam suas decisões em relação a que rumo irá tomar. Dessa forma – eu acredito – que a confiança é o principal fator que mantém um casal unido depois do amor, claro. No entanto existe uma grande parcela de pessoas que após conquistar essa confiança quebra um caminho tranqüilo com uma atitude muitas vezes impensada e relativista. Quando digo “relativista” eu me refiro a algo que serve para a pessoa em seu momento presente. Uma atitude que tomada pela outra parte – no caso seu parceiro – seria inadmissível. É importante frisar que as pessoas sempre tomam atitudes relativistas para se beneficiar. Até agora eu vi esse termo empregado com mais freqüência no quesito ético. E então resolvi utilizá-lo no relacionamento para deixar a minha idéia mais explicita.
No caso da traição o relativismo parte da pessoa que realizou a ação, tentando se convencer de que não existe mau nenhum em fazer isso uma ou duas vezes, desde que o outro não descubra. Que a pessoa que apareceu é alguém único e especial. Que não poderia perder esse momento e que essa atitude não irá alterar em nada seu relacionamento oficial. O termo ainda pode ser empregado pelos amigos, para ajudá-lo a lidar com a atitude tomada sob, sua única e exclusiva responsabilidade, dizendo também que a pessoa é alguém especial, impar que o autor da ação não faz isso com todo mundo, não é promiscuo e assim por diante.
Vejam só que um único agente é responsável pela ação, mas ele precisa do suporte das pessoas mais próximas para que pense que não fez nada errado. Simples. Após todas essas desculpas, vamos avaliar o comportamento da maioria das pessoas que costumam desrespeitar um dos principais pilares de um relacionamento.
Na maioria das vezes esses costumam ser dominadores, demonstram um ciúme quase que inacreditável e comentam como “gostam” da pessoa que estão no momento, com todos que conhecem. Não importa se é do circulo intimo ou se acabou de conhecer esse novo ator em sua vida. Tudo isso mostra a preocupação que um personagem tem de que seu parceiro faça o que ele vislumbra fazer. No entanto, é claro que esses comportamentos já são conhecidos de grande parte das pessoas que se relacionam. Às vezes pode não ser em seu relacionamento, mas no do amigo ao lado.
Então, dessa forma, a partir do momento em que uma das partes toma a decisão de trair, toda a confiança que existe, acredita-se, mutuamente desaparece como um castelo de cartas construído ao ar livre em dia de tempestade. É importante levarmos em conta que esse “castelo” é construído a cada dia, fortalecido com cada atitude responsável que tomamos, mas pode cair a qualquer momento caso uma das partes não esteja preparada para proteger tudo que já foi feito no decorrer do relacionamento.
Uma certa vez, um amigo comentou que ficou com uma menina que namorava a mais de dois anos. Ele dizia sempre que, quando a pessoa trai, não importa se é a primeira ou a décima quinta vez, ela destrói todo o relacionamento que criou. E esse argumento ele utilizava para desaprovar o namoro. Muito interessante eu achava esse comentário, sempre.
Mas pelo que podemos analisar atualmente, muitas pessoas não respeitam o sentimento do seu parceiro, já que uma saída fora de sua realidade diária traz a possibilidade de um desvio de conduta relativizada pelo seu consciente como algo único. Eu acredito que uma das coisas que leva uma pessoa a não trair é a preocupação que isso irá trazer para seu companheiro, o qual julga-se amar, uma vez após essa pessoa descobrir o que aconteceu.
Para saber como a outra pessoa iria se sentir, imagine-se sendo traído e então saberá a resposta.
Analisando outro comportamento das pessoas que traem posso afirmar que estas demonstram a necessidade que têm de encontrar outro alguém para aquele momento. É perceptível as brechas que cada um dá para a pessoa “desejada”, já que só o fator de você não demonstrar interesse em algo mais, faz com que pessoas com intenções de ir além de uma conversa percam as esperanças muito rápido. No entanto, quando o autor da traição toma um posicionamento neutro, não se defende dos sinais enviados pela outra parte, instiga esse outro personagem a continuar tentando. E todos nós sabemos que a carne é fraca e a cabeça da maioria é mais fraca que a carne. Por isso quem traí sabe que a possibilidade está a sua frente já que deixa sinais do que pretende para quem o interessa.
Então, após essa escolha de momento, um relacionamento hermeticamente construído na confiança desaba, e essa confiança, da forma que era antes, mesmo que a parte receptora da ação diga que perdoou, jamais será a mesma. A possibilidade da vingança se torna muito real e o cérebro passa a relativizar, praticamente todas as ações que essa pessoa poderá tomar depois do “perdão”.
São situações realmente intrincadas que escancaram a fragilidade do ser humano mediante a novas pessoas, novas situações e novos ambientes. Além disso, mostra a necessidade real de saber o que realmente se quer do relacionamento no qual está inserido para realizar a escolha certa. O mais engraçado de toda essa situação é a necessidade de exaltar o parceiro que sofreu a ação anterior e posteriormente a realização da traição. As pessoas usam de um cinismo explicito, ou de uma pseudo-inocência, e deslavado para esconder a real vontade implícita na pele, a de experimentar. Mas se esquecem de que outra pessoa irá sofrer com um relacionamento cercado de mentiras e também após descobrir o que aconteceu; com a perda da confiança em quem gosta.
O diagnóstico para esses indivíduos que se sentem propensos a trair é mais simples do que podemos imaginar. Viva solto, assim você não terá do que se arrepender no dia seguinte. Já que a pior coisa que o autor da ação terá que lidar será a sua consciência que irá cobrá-lo sempre que houver oportunidade. Porém atualmente a consciência das pessoas anda tão rareada que nem mesmo a dor de perder alguém, que esteve por perto tanto tempo, pode fazê-los cair.
vocês tocaram em minha ferida ainda muito recente,no momento meu unico sentimento e de dor.