É tudo tão de silicone e fora do esquadro, as pessoas sorrindo como se tivessem ganho um prêmio da loteria. É possível diferenciar quem tem mais dinheiro e quem tem menos, isso dói às vezes, pois estar em um lugar onde o propósito é comprar proporciona momentos de desilusão em pessoas que possuem uma vida significativamente na medida. Claro que sempre queremos mais, mas enquanto procuramos chegar ao ponto do “mais” é importante estarmos em paz com nós mesmos para conseguirmos alcançar esses objetivos.

Em shoppings movimentadissímos fica fácil perceber como as pessoas são ocas e desleixadas com suas vidas.  Uma luz de vitrine leva embora todo o brilho da alma e deixa à vista somente o reflexo dos “pisca-pisca maravilhosos e encantadores” que convidam a gastar sem pensar no amanhã. Se as pessoas usassem essa vontade de não pensar no amanhã para outras coisas, com certeza teríamos uma realidade menos limitada. Não gosto de falar sobre as pessoas que realizam as suas vidas comprando coisas, pois isso já foi explorado em demasia. Mas sim, sobre o cinismo intrínseco que elas desenvolvem ao comprar produtos cada vez mais caros e sair do shopping xingando o flanelinha.

É tudo tão sórdido e superficial, até as pessoas mais esclarecidas são contaminadas por esse momento tão indisciplinador que é comprar. Tudo soa como os sinos de uma catedral, mas que invés do dízimo convida o ser humano a comprar cada vez mais do que pode. Deixando suas vontades principais morrerem de inanição à medida que se distrai com coisas mais supérfluas que a roupa vermelha que cobre o corpo do senhor de barba – falsa ou não – em diversos centros de venda mundo afora.

As relações desfeitas pelos presentes não dados, os abraços perdidos pelos desencontros do mundo das compras, as pessoas alienadas acreditando em tudo que vêem e lêem nos outdoors pelas ruas das cidades. Tudo indicando o que e como a sociedade moderna interage. Falsamente colocada em um ponto de estandarte para dizer posteriormente o que poderia acontecer com as nossas vidas perdidas no pacífico local das pessoas sem coração, domadas pelas possibilidades infinitas do meu cartão de crédito preto. Afinal, somos medidos pela cor do nosso cartão, se é ou não internacional. Tudo pode acontecer com quem tem muito para gastar. Mas quem não tem, luta para alcançar esse patamar e enfim se declarar feliz com o que tem; ou não?

E assim, depois de perder a conexão com seus desejos mais profundos e se vestir para a festa, mesmo quando vai ao shopping, tudo estimula a perda do que nós dizemos ser o cerne da vivencia humana. A perda da liberdade, da amabilidade tudo em nome de uma coisa só – a comprabilidade.

Não importa se essa palavra ainda não existe, mas ela já rege todo o subconsciente da maior parte da população mundial. Se é comprável é bom. Se não é, iremos descobrir qual o seu preço e anunciar na internet, assim mais pessoas poderão verificar a queda de algo que se julgava incorruptível.

Amanhã, se as pessoas não lembrarem de seus próprios rostos, parabéns! É porque elas compraram um novo na promoção ali do lado.

Ser a impressão do que se pede é sempre mais do que a violência das nossas vidas mimeografadas de maneira mais moderna, todos procuram por algo a vida toda. Talvez encontrem, talvez não. Tudo depende da real intenção das suas idéias, a vontade de mostrar o que realmente é cada coisa em nossas vidas. Ter medo do que pode acontecer é um fator humano ponderante.
Já nos dissemos tudo, você me conhece melhor do que eu mesmo, tudo foi expressado de maneira superlativa. Nós; se tornou algo único. Como o horário daquela sua série predileta que reprisa duas vezes por dia na TV aberta.
Perdidos e encontrados, os seus pensamentos me remetem aos tempos quais eu não conhecia o amor, eu apenas fingia saber. Não sabia o que sentir quando estava perto de alguém que me inspirava, que derrubava as minhas defesas e me mostrava o espelho da alma por meio do seu riso… suas ações. Eu quero estar mais próximo de você, mas as circunstâncias não permitem. O medo do que já aconteceu domina os meus mais bem guardados pensamentos.
O temor de amar é algo que movimenta o âmago das pessoas, os sonhos e os desejos. Talvez por amarmos demais ou por não termos quem amar, nos tornamos cínicos cíclicos , por não encontrarmos nada que nos sustente à medida que corremos atrás de algo, de alguém, de alguma coisa. Isso não aparece nem se materializa. Queremos uma história para nos propiciar felicidade, tranqüilidade, uma personalidade qualquer que nos dê estabilidade.
Mas quando não encontramos nada, voltamos ao ponto de partida que muitas vezes pode não ser o melhor, mas foi tudo que conseguimos nesse espaço de tempo entre o desespero e a reconciliação. Qualquer problema pode ser solucionado, desde que o nosso orgulho seja engolido pouco a pouco. Que a necessidade de alguém, seja quem for, seja percebida em nossas noites frias e tristes as quais passamos acordados com o nosso mau humor, desespero e acompanhados pela solidão mórbida de alguém que sabemos desejar, mas não sabemos como falar, já que isso – nota-se – é recíproco.
Nesses momentos do que adianta várias pessoas, de plástico, ao redor que analisam a sua vida superficialmente como a sacola da nova loja de grife da cidade, quando você está procurando se reconciliar com as suas idéias? O batom já não é mais o mesmo, a pele pede por um cobertor – mesmo nos dias mais quentes -, as nossas histórias já não são mais completas, dependemos de substancias que nos deixam mais ativos – quando estamos felizes -, que nos deixam mais calmos – quando queremos descansar – , que nos mostram outros mundos – para fugirmos da realidade medíocre que nós mesmos criamos -, que nos derrubam para a vida quando estamos tristes.
Precisamos de lugares que sugam toda a nossa juventude, todo o nosso bem estar, toda a nossa decência. A vontade de aprender some em meio às sombras das propostas indecentes de pessoas perdidas em meio à variedade de sensações passageiras que despistam tudo de bom que possuímos dentro de nossos corpos e mentes.
A vontade de conhecer coisas e sensações novas nos transforma em escravos das histórias que não vivemos, dos lugares que não conhecemos. Obcecados pelo amor perfeito que pode estar próximo, mas vivido por outra pessoa. As sensações são descartáveis, pois podemos comprá-las na esquina seja branca/pó, verde/folha, rosa/comprimido ou ar/buzina. Tudo só depende de onde você vai, com quem e quantos anos você tem.
O amor se torna algo volátil, depende do que podemos desejar no momento. As pessoas dizem se entregar, amar e desejar pra sempre – uma vez por semana – sempre para alguém diferente. Tudo isso como se os sentimentos fossem passageiros de um vagão pequeno, sem peso, sem direção, sem noção. Sendo levados pelas histórias inventadas pelo maquinista.
Essa nova ordem juvenil parece procurar morrer para ser feliz, sem destruir o aproveitamento da vida, pois, afinal de contas, ainda somos jovens e temos que aproveitá-la bem. Mesmo que para isso tenhamos que destruir a vida das pessoas que mais zelam pela nossa existência, em nome da nossa rebeldia fajuta, da nossa sexualidade não assumida ou dos nossos atos insanos em busca da aceitação de uma molecada cada dia com menos discernimento que avalia sem nitidez alguma as conseqüências do que fazem.
Mas se somos livres, seremos nós livres para morrer a hora que quisermos, pois no fim da história; a maior descoberta dessa nova geração foi como morrer mais rápido com a “saúde perfeita” e deixar filhos com a mesma idade dos pais para os avós “retrógrados” criarem. Salve a consciência juvenil dos nossos atos impensados para destruir as nossas causas tão nobres quanto o cocô de um cachorro sem dono vagando por uma estrada rural da Guiana Francesa.