Foz do Iguaçu – Hell City
Outubro 26, 2008
Foz pode ser descrita como a cidade mais quente que eu já estive em toda a minha vida! Se o aquecimento global for almentar ainda mais a temperatura dessa cidade, com certeza ela será algo inabitável. Tirando esse detalhe, tudo é normal e tipico de uma cidade do interior paranaense.
Os filmes demoram muito pra chegar ao cinema, tem um shopping interessante; já que fica próximo ao Paraguai entre outros detalhes comerciais. Dizem que é muito violenta, mas eu ainda não ví nada que possa comprovar esse dito popular. E nem quero ver.
O movimento de turistar é intenso, cheio de argentinos e também muitos europeus. Nessas três semanas de estada por aqui não fui aos principais pontos turisiticos da cidade, mas já fui três vezes ao Paraguai. Isso sim que é vontade de conhecer “outro país”. Diga-se que eu não posso entrar na Argentina porque os Hermanos não aceitam a carteira de habilitação como documento oficial e eu esqueci minha identidade em Florianópolis. Vida triste.
Mas vamos aos detalhes que um turista convencional não conhece. Aqui existe uma casa noturna muito boa, com o melhor som que eu já pude ouvir em todas as minhas baladas. O nome é ONU. Um som muito limpo e potente. As baladas são baratas pelo nível de Santa Catarina e esse único lugar no qual eu consegui curtir valeu a pena cada minuto.
Como nessas viagens pela empresa eu nunca estou sozinho, vieram comigo mais dois amigos que mostraram uma faceta da cidade que eu nem de perto imaginava. As mulheres são fora da casinha. Não importa se têm namorado, se são casadas, se estão soltas elas não perdem a chance de cantar a galera.
Eu acho que sou feio de mais ou passo muita seriedade, pois nada acontece comigo, mas em compensação os meus amigos, acredito, não tem nenhuma reclamação quanto ao quesito – mulheres que aproveitam a vida. heheh
Detalhe, isso não é um comentário pejorativo. Se os homens podem; as mulheres também podem.
Casos à parte, eu ainda não festei do outro lado da fronteira, mas isso está sendo providenciado. Será uma ótima oportunidade para encerrar a estada nessa cidade super quente, mas interessante pela diversidade de coisas, pelo movimento de dinheiro e por todas as histórias que rendeu.
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Dias incríveis são imprevisíveis – Crônicas de alguns dias
Outubro 19, 2008
Depois de um demorado hiato, sem escrever sobre mim, sobre os outros ou sobre o que me acontece, resolvi colocar os dedos no teclado e contar um pouco do que houve por aí nos últimos dois meses. Acredito que uma síntese de tudo já será suficiente para tentar emoldurar todo esse tempo na estrada.
Primeiro um acidente, depois a ressurreição. Pra quem nunca sofreu um acidente de carro; capotar três vezes na pista é algo inacreditavelmente emocionante – e quando vemos que ninguém se feriu – hilariante.
Enquanto toca a nova música da Kylie Minogue no rádio, o motorista perde o controle do carro em uma curva e tudo que vejo depois vem em câmera lenta. Três giros – e eu só pensando “dessa vez para” – após a derrapagem, mãos coladas ao corpo, estilhaços vindo em direção ao meu rosto, impactos pesados. Quando o carro parou de “girar”, era o momento de uma corridinha com alguém gritando que podia explodir… enquanto isso, outro integrante do acidente ficava conferindo se nada de grave havia acontecido com seu corpo e faz a sua primeira pergunta após o desafiar a lei da gravidade:
- Alguém viu meu isqueiro?
Depois de anúncios desesperados de, “não me deixem desmaiar. Eu vou morrer, eu vou morrer.” Tudo ficou ainda mais engraçado, pois todos estavam bem. Eu tinha uma leve dor no ombro esquerdo e dois raladinhos – nada de mais -, que vão deixar pequenas cicatrizes eternas. Meus óculos, coitado, foram pro céu dos óculos. E o pior que eu ainda nem terminei de pagar e agora tenho que ir ao cinema cegueta.
Após confirmação de que tudo estava bem, a moça não morreu, meu amigo achou o isqueiro, outro chorou de desespero e eu soltando as gargalhadas – acho que de nervosismo – fomos para a casa do chefe comer churrasco, já que esse era o motivo da saída repentina da minha nova casa, já que fazia apenas um dia que eu havia mudado.
Festa boa na principal
Depois de uma quinta super-movimentada, era hora de me deslocar até Curitiba para na sequência ir para a principal capital cultural do Brasil, São Paulo, e curtir – pela primeira vez na televisão – o Skol Beats. Estava um pouco desconfortável, pois meu ombro ainda me lembrava daquela quinta-feira inesquecível, mas a expectativa era muito grande. Durante a viagem para Sampa, de excursão, nenhuma surpresa. A molecada tomando todas, remédios misturados com catuaba e vodca. Fumantes, sem educação, no fundo do busão. Mas isso já era esperado. O mais engraçado é que dessa viajem eu não trouxe nenhum contato, nem mesmo um Orkut. Minto, ao meu lado viajou um alemão – gente boa – que passou o MSN.
Cheguei na hora boa, detalhe importante que nesse ano o main stage tinha a escalação de praticamente todos os personagens da música eletrônica brasileira que eu gostaria de ver.
Montage, com uma vibe diferente. Mix Hell, com Igor Cavalera, sua protuberante barriguinha e sua antenada esposa fazendo um som legal-dançante para a galera que estava ali frente ao palco. Na sequencia veio o principal motivo da minha viagem, Justice. Aquele duo Frances que com certeza, se você for antenado, já ouviu falar. Um som legal, uma apresentação irretocável, mas os caras e a galera pareciam – ao mesmo tempo que agitada – contagiada por uma letargia. Todos pulavam e gritavam, o Justice mostrava seu potencial destrutivo. Mas faltava algo. Foi bom, mas eu os verei novamente em uma oportunidade mais interessante.
Bem, enquanto tudo isso acontecia eu ia prestando atenção nos estilos que estavam próximos a mim em cada apresentação. Muita gente diferente, com vários estilos. Alguns até bem babacas, que incorporaram aquela parada anos oitenta que algumas bandas estão usando atualmente. Óculos gigantes, bigode, blusa ultra-colorida. Umas minas e uns caras toscos. Mas o importante é a democracia do evento, então eu curti tudo que pude.
Uma coisa sempre muito chata é o uso de drogas, quanta gente fumando maconha, usando doce e bala. Tinha até tiozão pagando de boy. Mas eu já conto mais sobre isso.
Depois da apresentação do Justice, veio o Marky. Eu nunca tinha visto uma apresentação ao vivo do cara. E também não foi dessa vez que eu fiquei em frente ao palco ouvindo as mesmas músicas que eu já ouvia em 2003. Fui comer e conhecer um pouco da organização do evento.
Voltei, e acho que na sequência entrou um grupo chamado Pendulum. Nunca tinha visto os caras mais gordos em toda a história. Mas o vocal parecia tão empolgado que eu me empolguei por tabela. Sem contar que ao meu lado, na grade, tinha um cara que parecia ser muito fã – com uma bandeira da Inglaterra – agitando sem parar. Com certeza uma das apresentações mais contagiantes que eu já assisti. Mesmo com mais da metade da galera prestando atenção no barquinho que passava pelo Tietê. Ou seja, olhando para o nada e curtindo menos do que um vegetal ao vento.
Depois veio o Digitalism, nada de mais. Uma apresentação legal, eu suei, pulei, gritei… Mas foi só pra constar. E depois disso veio o momento mais esperado da noite. Armin only.
Confesso que aguardava já há algum tempo para ver o mais novo melhor DJ do mundo tocar ao vivo. Mas me decepcionei com o som e com o hype. Detalhe importante: durante toda a noite a área VIP, logo na boca do palco, só estava sendo ocupada por jornalistas, fotógrafos e afins. Quando faltavam alguns poucos minutos para o início do set do Armin aquilo empesteou. Eu não sabia que o cara estava tão hypado com os super ricos. Que cena tosca, ver as mulheres de salto alto, fingindo dançar, os tiozões fingindo estar ali pelo som, tentando pegar as menininhas que fingiam dançar, mas queriam as carteiras dos tiozões. Uma visão chocante do inferno. Juntando-se a isso o set não me agradou. Então fui dar outro rolê pelas tendas, onde, eu já havia comprovado anteriormente, estavam, em grande número, os pastilhados. Depois de tudo isso, a festa foi interessante. Hum… um detalhe muito bom, mesmo com todo esse hype dos “nada a ver” pelo som do van Buuren ele se mostrou muito humilde. Sorriu a noite toda enquanto tocava e agradeceu por repetidas vezes a platéia que o acompanhava atentamente. Fiquei feliz por isso, pela simplicidade do cara e prometo que irei tentar ouvi-lo mais uma vez.
No final de tudo eu estava com uma super dor nas pernas, que valeram à pena, e um santinho do Sérgio Malandro para vereador. Interessante.
Hell City
Todos podem achar que depois disso eu voltei pra Floripa e fui feliz para sempre. Errado.
Viajei para Foz do Iguaçu, onde existem dias com 50 graus, o Paraguay do lado, bebida barata e mulheres fora da casinha. Bem, mas sobre Foz eu conto depois.