Estou em uma cidade no interior de Santa Catarina a três horas e meia de carro de Florianópolis. Uma cidade com cara de grande, mas que não tem mais que 250 mil habitantes. Uma cidade de porte médio. Quando você diz isso você imagina tudo tranqüilo, uma cidade normal. Aí que você se engana.

Aqui, como em Florianópolis, as pessoas começam a abrir ruas em qualquer lugar. Terrenos particulares, sítios nos arredores da cidade e por aí vai. Só que aqui existe um diferencial em relação a Floripa, o correio não chega em várias partes da cidade. Sem contar que existem ruas que ainda não tem nem CEP, ou que as pessoas buscam as cartas nas agências dos correios. Ou melhor, elas passam o endereço assim.

Rua Tal, sem número ao lado do antigo restaurante chinês.

Pensa comigo como isso é estranho. Mas as peculiaridades da cidade ainda não acabaram. Em uma semana na cidade presenciei somente um dia de sol. Coisa bizarra. Ainda não consegui lavar a minha roupa. Vocês não imaginam quantas vezes eu já fui à lavanderia e eu que sempre dizia que não gastaria dinheiro com essas coisas. Vida interessante.

Mas o mais engraçado desse lugar é que as pessoas, principalmente as mais novas, vivem em um mundo de 40 anos atrás. Existem mulheres de 87 casadas e com filhos. Não é uma coisa estranha? Eu fiquei perplexo. Conversando com uma moça, que trabalha no mesmo local que estamos agora, ela contou uma história muito louca.Os pais dela são evangélicos e quando ela começou a namorar o pai dela avisou:

- Se você fizer alguma coisa antes de casar, eu não pago a sua festa de casamento.

E ela, depois de um ano de namoro, resolveu casar, pois estava com os hormônios à flor da pele e queria muito casar de branco.É a vida.

Cidadezinha estranha. Os caras copiaram a idéia do transporte de Curitiba, mas com alguns percalços. Os pontos para os ônibus mais altos, que têm as portas no mesmo nível da entrada, não possuem cobrador. Então, os caras precisam que as pessoas paguem a passagem ao entrar. O espaço para que as pessoas entrem é pequeno, dessa forma o transporte não ganha no dinamismo e ainda os caras mantém uma mistura de algo que funciona com algo que não funciona. A coisa boa disso tudo é a facilidade de embarque para portadores de deficiência física, já que as portas estão no nível do ponto.

Ainda não vi nenhum local turístico por aqui, mas na verdade eu ainda não tive tempo de passear para conhecer a cidade e ver o que ela tem de bom. Preciso pegar uma folga em um domingo, acordar cedo e sair por aí sem hora para voltar. Ver se encontro os lugares bons que devem existir por aqui.

Outro detalhe, eu nunca pensei que teria que assistir a um mesmo filme duas vezes por dia tantas vezes. Na casa que estou morando com os amigos de trabalho todos gostam de filmes  “dublados”. Eu sei que isso parece estranho, já que todos têm idades parecidas, mas é a mais pura realidade. Como a maioria vence, eu tento não ser chato e forçá-los a assistir filmes legendados. Mas para fazer um social eu permaneço na sala e assisto ao filme dublado e depois legendado. Dá para acreditar? Na verdade nem eu acredito, mas é a vida. É muito estranho quando você sai de um habitat onde todos gostam de cinema e entendem a necessidade de assistir ao filme em sua língua pátria para que haja a real compreensão do que o ator e o diretor quiseram passar, para um local onde bradam frases assim:

- Moramos no Brasil então temos que assistir os filmes em português.

Fazer o que? O importante é que existe a possibilidade de assistir ao filme depois sem interrupções e com tranqüilidade para analisar todos os detalhes que me interessam.

Bem, para um texto que tinha como principal fundamento falar sobre a cidade de Criciúma em Santa Catarina – uma fazenda que tem prédios – e termina falando sobre cinema, até que não foi mau negócio. Se algo novo aparecer por essa cidade eu conto pra vocês, seja para o bem ou para o mal.