Tarantino – o cara dos diálogos coloquiais – Death Proof
Junho 25, 2008
Acabo de assistir Grind House – Death Proof e, enfim, entendi porque o “Tarantela” é fodão. Ele recriou a estética dos filmes de terror da década de oitenta, misturando um ator tiozão – Kurt Russel – e atrizes novas. Colocou tudo com temas atuais, nada de recriação de cenários que lembrassem a década de oitenta, uma trilha sonora misturada – mas como sempre com o forte em músicas dos sessenta e setenta -, mas o que mais chama a atenção são os diálogos escritos sob medida para dar uma dose de sarcasmo e comédia a película.
Primeiro, de onde ele tirou aquela Zoe, meu eu acho que me apaixonei pelo estilo dela. Talvez por que ela não estava interpretando ninguém. Por isso ela deve ter se sentido muito à vontade no set. Decidi que o sotaque neozelandês é o que eu quero falar, achei aquilo o auge da coca litro.
Kurt Russel está impagável em seu papel do mal. Não sei de onde vem tanta inventividade desse diretor, mas é incrível como ele consegue deixar um filme de quase duas horas, com ação que não corresponde a dois quintos, tão interessante e vibrante. É claro que demora um pouco até entender o que ele quer passar com a história, mas depois que o mote foi passado, tudo fica perfeito.
Um detalhe importante é que Quentin Tarantino, dessa vez, não abusou da violência como em outros filmes. Ele conseguiu dar a algumas cenas uma crueza muito boa – como quando a perna de uma das meninas voa pela janela do carro, ou o carro derrapa sobre o rosto de uma delas -, mas deixou a maior parte do filme com diálogos rápidos e informais. O que deu o tom de originalidade a mistura do filme.
Uma dica – que eu não preciso dar, mas vale lembrar – filme para se assistir legendado. As sacadas, os sotaques; tudo enriquece cada personagem. Se a pessoa não for acostumada a assistir filme com legendas treine um pouco, pois as conversas estão em uma velocidade super acelerada. Ou seja, normal para a moçada americana.
Quanto aos detalhes técnicos, Tarantino inseriu uns cortes um pouco estranhos, mas que depois dos primeiros cinco minutos é fácil acompanhar. Isso também deve ser para relembrar a estética oitentista. A fotografia é interessante, a idéia do filme é diferente e mostra que, mesmo com as críticas que e o diretor sofreu por patrocinar um filme como o Albergue, Tarantino conseguiu manter a mente aberta a experimentar coisas que só ele pode fazer.
Eu não tenho nada mais para destacar de momento, só digo:
- Assistam esse filme, pois é, com certeza, um filme empolgante pelos diálogos naturais, pela história – até certo ponto - surreal e por ter uma parte rodado em Austin, onde anualmente acontece um dos grandes festivais americanos de rock.
Um detalhe importante, eu escrevi esse texto imediatamente após assistir o filme, por isso toda essa empolgação.
Tenho lido bastante ultimamente, graças ao meu novo emprego. E esses dias enquanto folheava uma Revista da Semana li uma matéria a respeito do acordo ortográfico da língua portuguesa. Após ler o texto, escrito por Duarte Afonso – romancista português – comecei a me questionar se vale a pena toda essa fuzarca que os caras estão fazendo só por causa de algumas mudanças estilísticas que visam, enfim, dar uma cara mais “tranquilizadora” para o nosso idioma pátrio.
Quem me conhece bem, sabe que eu não morro de amores pelo português e isso se deve a diversos fatores que não convém mencionar agora. Nesse texto, publicado no Jornal da Madeira em Portugal, nosso amigo Afonso afirma que a idéia de “que a união ortográfica fortalecerá a língua portuguesa no cenário internacional é uma utopia e uma mentira”.
Na seqüência ele mostra que toda a sua ira não se trata de nada além de um bairrismo lusitano, pois na seqüência Afonso afirma que o acordo irá desfigurar a escrita do lado português enquanto “o aproveitamento geopolítico do Brasil irá contribuir para mutilar o português e torná-la mais frágil”.
Acho importante destacar que mesmo com as mazelas que o Brasil carrega intrínsecas em seu DNA, o maior motivo do português ser conhecido hoje em algumas partes do mundo é por causa do Brasil e ponto final. Afinal, as pessoas sabem que Portugal fala português por que o nome do país lembra isso, certo?
Fica ainda mais claro o bairrismo que predomina nessa história quando o romancista cita um dado veículado em notícia da rede de TV portuguesa RTP:
“O que muda com o acordo ortográfico. Em cada mil palavras, os brasileiros alteram a forma de escrever de cinco. Portugal cede mais; dezasseis palavras em cada mil mudam na ortografia”. Lembrando que esse “dezasseis” pertence a maneira portuguesa de escrita.
Um outro dado que podemos constatar com isso é o envelhecimento do português de Portugal, a não adaptação as mudanças necessárias para que a população possa assimilar de uma maneira mais interativa e interessante. Esse, na minha opinião, é o maior problema da nossa língua, pois o quê adianta termos uma língua sisuda, dura e que as pessoas não falam nas ruas?
Após ler esse texto, fica claro que não é só no Brasil que existem pessoas orgulhando-se de escrever perfeitamente e de maneira tão “interessante” que mais da metade das pessoas, que estão fora daquele circuito, não conseguem compreender ao menos 50% das idéias expressas pelas palavras que esses tentam escrever. Fazer o quê se a idéia do mundo é simplificar, mas alguns querem que as coisas continuem ainda mais complicadas.
Um outro dado importante, acredito que mais da metade dos locais que ensinam português no mundo devem ensinar o português brasileiro, certo? Então por que não quebrar algumas barreiras impostas por um mesmo idioma que envelhece e não acompanha as mudanças dos povos que o utilizam?
Próximo ao final do texto Afonso questiona, “por que é que não se adoptou a essas palavras só a nossa grafia” (de Portugal). Isso me deixa muito espantado e mostra como algumas pessoas só conseguem olhar para o próprio umbigo. Diga-se que a palavra acordo diz respeito a algo interessante para os dois envolvidos, pois alguém poderia me explicar por qual motivo seria alterado o português do Brasil que 190 milhões de pessoas falam em detrimento de 11 milhões de portugueses? Nessas horas eu penso qual será o porquê dos DVD´s gringos virem com lengedas em “Brazilian Portuguese” e não português de Portugal?
Com certeza não posso apoiar todas as mudanças, já que algumas palavras ficarão um pouco estranhas em relação ao que escrevemos hoje. Mas se isso irá fazer com que as populações que estão tão próximas por causa de línguas parecidas possam se entender melhor, assim deve ser feito.
Abaixo seguem algumas mudanças do acordo
No Brasil
Cai o acento agudo de palavras terminadas em “eia” e “oia”, como idéia e jibóia.
Cai o acento diferencial de palavras como pára (verbo) e para (preposição).
O trema é extinto – Diga-se que uma galera já não usava mais o trema, mas por convenção de alguns meios de comunicação ele voltou à ativa e agora vai embora para sempre – .
Cai o acento circunflexo de palavras como enjôo, vôo e lêem.
As letras “k”, “w” e “y” são incorporadas ao alfabeto. – Taí uma coisa que eu já estudava desde o início da década de noventa e só agora os caras resolveram incorporar. Mais uma mostra da “moderneza” do português atual.
O hífen não será mais usado quando o segundo elemento de uma palavra começar em “r” ou “s”: contra-regra vira contrarregra; ou quando a vogal final do primeiro elemento for diferente da vogal inicial do segundo: auto-estrada vira autoestrada. – Isso ficou meio estranho, mas fazer o quê?
Caso você queira ver as mudanças para Portugal dê uma procuradinha na Net, pois eu cansei de digitar. E a propósito; qual a sua opinião sobre esse assunto?
Um adendo referente ao tema, o jornal Inglês The Independent noticiou há alguns dias que em Portugal três quartos das palavras serão “simplificadas”.
“A medida é uma resposta a interesses comerciais – e um golpe no orgulho nacional da ex-potência imperial”. O mais interessante é que ficou claro os contornos políticos da aceitação do parlamento português a essas mudanças, pois em certa parte do texto diz que o mercado editoria irá lucrar bastante e o governo de Lisboa espera que o português seja adotado pela ONU como um dos idiomas oficiais da organização.
Informações cooptadas da Revista da Semana de 26 de maio de 2008. Ano 2 Ed.38 Editora Abril.
Por esse link você pode baixar uma pequena cartilha com as principais mudanças. Use sem moderação. http://www.divshare.com/download/6384986-73c