Diário de viagem Florianópolis – Dia difícil
Janeiro 26, 2008
Ontem foi um dia daqueles. Depois que eu postei o texto no blog fui trabalhar acreditando que o meu amigo de trabalho também iria, pois seria ele quem salvaria o meu dia. Ledo engano.
Ele não foi trabalhar ontem. Uma amiga passou mal. Fiquei a tarde toda na pira de saber onde eu iria dormir. No fim da noite tentei algo inusitado, pedi para um dos seguranças se eu poderia dormir no estacionamento do shopping. Era um bom lugar para dormir e ainda não iria gastar nada. Mas o rapaz voltou com uma resposta negativa da administradora, que falou o seguinte:
- Aqui é um shopping e não um hotel.
Esse é o problema de pedir favores a quem não conhece a nossa realidade. Faltava outra alternativa, ligar para o Marcelo – proprietário da pousada que eu estava antes – e pedir se ele não me disponibilizava um espaço para eu montar a barraca, somente para passar a noite. Liguei e conversei com a esposa dele. Ela disse que não poderia, pois as duas casas estavam cheias. Sentiram o drama? Nem ao menos para armar a barraca, mas tudo bem. Na seqüência perguntei se poderia voltar prá lá depois do carnaval, como havíamos conversado antes. Ela também disse que não.
Acho que fui enxotado de lá, heheh. Mas continuo gostando deles. Não devemos julgar uma pessoa por uma ação isolada. É a vida. Confesso pra vocês que nessa hora bateu o desespero. Eu não tinha mais pra quem apelar. Tinha 10 reais na carteira e 15 no banco. Um senhor que vende livros no shopping sugeriu que eu fosse até a pousada do Leão – uma super pousada aqui perto -, pois, segundo ele, o dono é muito gente boa e iria me arrumar um quarto. No entanto, todos os quartos estavam lotados. Faltam poucos dias para o carnaval e não adianta chorar, hehhe. A rodoviária ficava cada vez mais próxima. Se fosse necessário, prá lá eu iria de novo.
De repente o vento mudou. Passei em frente a uma área de camping. Meus amigos, que alivio. Perguntei quanto era o dia, R$12,00 por pessoa. Um bom preço. Preenchi um cadastro, mas como só tinha 10zão na carteira tive que caminhar uns mil metros até o caixa da CAIXA mais próximo. Já eram 23h30, cheguei no caixa puxei um saldo – em relação ao dia anterior faltavam R$4,00 -, fiquei fodido. Mas precisava de grana para completar a diária. O caixa parou de funcionar, enquanto eu tentava sacar. Ontem não foi fácil. Depois de mais uma pernada consegui dois reais emprestado do senhor do livro. Meu cartão não funcionou no mercado e então eu comi umas bolachas doces que a Ana me deu quando eu sai da casa dela. Obrigado Ana.
O resto eu conto daqui a pouco…
É tão trágico que chega ser engraçado. Mas guente firme até onde der, já deu pra ver que vc é forte. Bjoss bjoss.