Enfim, consegui ver o Metallica, a banda que começou tudo em minha vida. Que deu origem a minha curiosidade musical. Eu estava estarrecido, perplexo, idiotizado após o show, com os tênis e as calças enlameadas, mas de alma lavada após assistir a apresentação que eu esperei quase 15 anos para ver.

Era quinta-feira, depois de seis horas na estrada com chuva, chego a capital gaúcha com um sol forte ainda raiando no céu. O espírito já se alegra, pois o medo de pegar um show com água despencando do céu era grande. Tudo perfeito se não fosse pelo detalhe do local onde o show seria realizado ser um lugar descoberto e sem tablado. Ou seja um lamaçal gigantesco. Parecia que eu havia entrado em um chiqueiro para ouvir música. Bem, mas isso não seria empecilho para “degustar” o prato musical que eu mais esperei em toda a minha vida.

Os nove ônibus que faziam parte da excursão que saiu de Floripa se atrasaram um pouco, então quando cheguei ao local, Parque Condor, a banda de abertura – Hibria – já estava cantando. Nada que me fizesse sentir uma pira tão grande. Eles têm um vocalista que lembra o naipe do Angra;;;; Melodic Style. A banda estava muito a fim de tocar, mas não me empolgou muito.

O show do Metallica.

O início foi arrebatador! Se eu disser que sei qual foi a primeira música que a banda tocou estarei mentindo. Só lembro de uma coisa, parecia que todos ao meu redor não sabiam que o show do Metallica só começa depois da introdução com “The ecstasy of gold” do gênio das trilhas sonoras Ennio Morricone. Então quando o som começou a rolar meu coração simplesmente disparou.

Na sequencia vieram petardos sonoros e o misto de empolgação, mesmerização e embasbacamento se fizeram nítidos em meu corpo. Eu só sabia gritar feito louco. Na segunda música eu já estava rouco e com falta de ar. E assim foi até o final do show, nunca gritei e cantei tanto em toda a minha vida!

A lua brilhava forte no céu enquanto James urrava com seu vozeirão. Como um amigo já havia me dito há algum tempo, James parece um viking gigante. Ele realmente é muito mais alto do que aparenta nos vídeos. E também muito mais velho. Fiquei surpreso ao perceber como o vídeo consegue nos enganar perfeitamente. Lars, o baterista, ainda é o dono das baquetas, mas em alguns momentos senti uma “vagarosidade” na pegada já que ele não é mais aquele menino de vinte e tantos anos atrás. Porém continua mandando bem até onde dá. Ele parece mais gordo que na TV, tinha até uma papadinha sobrando. Kirk é igual é o mesmo da TV, não muda nada. Cabelos cacheados voando enquanto faz caretas ao vento nos momentos do solo de guitarra. E Trujillo, baixista e mais novo da turma, agita freneticamente durante todo o show. No geral, os quatro juntos fazem mágica no palco enquanto os milhares de fãs acompanham tudo boquiabertos. Incrível. Simplesmente…

O palco é o mesmo dos shows gringos. Com um grande telão de alta definição – sensacional – e uma passarela mais alta ao fundo, tudo preto. Isso me animou muito, pois, pra quem não sabe, o Metallica já esteve no Brasil outras três vezes e nunca trouxe tudo o que tinham. A primeira foi com o show do álbum “… And justice for all”, nessa ocasião não trouxeram a super estátua que imitava a capa do disco. Da outra vez foi em turnê de divulgação do álbum homônimo “Metallica”, também conhecido como álbum preto. Os caras não trouxeram a sensação do show que era o ‘Snakepitt’. Esse era o lugar onde a galera ficava praticamente dentro do show. Procure no Google e você irá entender o porquê dessa parada ser realmente foda.

Porém dessa vez trouxeram todas as peças e a vontade de tocar, ou como li em um site; eles querem recuperar o respeito perdido. Talvez essa afirmação esteja correta, pois desde o lançamento de “St. Anger” os caras priorizaram nos shows o repertório mais antigo e mais pesado da banda. No entanto, eu acredito que o fato do Metallica ter feito álbuns totalmente diferente de tudo que já haviam feito antes mostra que a barreira da música está na cabeça dos “fãs”. E isso é bom para a banda, pois permanecer estagnada só para vender discos não me parece algo interessante. E é por causa dos CD´s que todos detestam que eles têm o meu respeito desde sempre, mas esse é um papo para outro texto.

Voltando para o show, enquanto os acordes soavam, era simplesmente impressionante ouvir toda aquela galera cantando junto… Praticamente todas as músicas foram cantadas por todos e o melhor eu as conhecia, ufa… Ir ao show da banda que você mais gosta e não saber todas as músicas realmente não é legal. Outra sensação muito boa é estar junto com pessoas que realmente gostam da banda como eu, mesmo com alguns percalços – conto sobre eles no final do texto – foi tudo realmente acima das expectativas. Excelente.

É simplesmente indescritível! Vê-los no telão e também suas expressões, as corridas no palco, as caretas do James…

O repertório escolhido para a noite não houve grandes surpresas. As mais comentadas foram “Phantom Lord” e “Die, Die My Darling” que eles tocaram no bis. Não tocaram nada do “St. Anger”, “Load” ou “Reload”… Acho que realmente só eu gosto desses CD´s. Um detalhe importante que eu pude perceber é que a banda parece ter um script programado para tudo. Quem estava em POA e já havia assistido ao DVD “Orgulho, Paixão e Glória” já conhecia todas as deixas que o James daria para a platéia e sabiam que a noite seria encerrada com “Seek and Destroy”.

Lógico que isso não tira o brilho da apresentação nem a vontade que cada um dos integrantes mostrou no palco. Porém mostra que nessa atual turnê não existe espaço para o improviso. Talvez isso possa ser bom ou não, depende do ponto de vista.

E por fim algo especial aconteceu. Ao final do show quando os integrantes se despediam da galera foram jogadas algumas palhetas pra galera e eu, felizmente, consegui garantir a minha. Acho que nunca fiquei tão feliz. Foi simplesmente algo inesperado, inusitado… impensável nos meus mais profundos sonhos. Incrível!

Sendo assim, após duas horas de uma surra sonora meu corpo estava em pedaços. Esperei por alguns instantes em frente ao palco olhando aquele momento excepcional que acabara de acontecer na minha vida sendo desmontado rapidamente, pois o show de São Paulo estava marcado para dali 48 horas. Meus tênis cheios de barro, minhas pernas doíam como nunca. A saída foi um pouco tumultuada, quando voltei para o ônibus só queria dormir. Mas quando acordei no outro dia senti a pressão ainda maior de ter estado lá. Rever as imagens do show gravadas no meu celular me dava arrepios e a vontade de vê-los novamente era gigante. Mas a grana não… heheh. A sensação pós-show foi intensa demais. As marcas daquela noite continuarão em meu cérebro por um bom tempo. Simplesmente as palavras fogem…

Não poderia terminar esse texto sem agradecer a alguém mais que especial. Quem me conhece sabe o quanto eu queria ver o Metallica ao vivo e dessa vez um amigão me salvou aos 47 do segundo tempo. A grana estava curta e ele me emprestou o dinheiro necessário para viajar quarta à noite, faltando menos de oito horas para eu sair de Balneário Camboriú, fazer uma escala em Floripa e finalmente chegar à capital gaúcha. Obrigado Rafael – Joe – Frank você é foda! Serei eternamente grato por isso. Eternamente.

Os percalços do show na capital gaúcha

Bem como prometido irei comentar algumas coisas estranhas que me aconteceram enquanto esperava o início do show.

Bem, nunca havia assistido a um show no Rio Grande do Sul. Sei que os gaúchos têm fama de bairristas, mas achei eu que seria somente com lojas, cerveja, cultura e outras coisas. Mas tive uma pequena amostra da hospitalidade dos caras.

Assim que cheguei ao local do evento e achei o lado do palco no qual iria ficar, o esquerdo, resolvi me movimentar pra ver se conseguia chegar mais perto, como de praxe em qualquer show, e tive uma amostra da cortesia gaúcha. Eu estava como sempre sozinho e quando passei em frente a um grandalhão ele perguntou:

- O que você ta fazendo aí?

- Tô passando.

- Então passa por trás!

Nesse meio tempo o cara já foi me empurrando e eu tentando argumentar:

- Você é muito grande e se você não me der espaço eu não vou conseguir me mexer.

O senhor educação continuou me empurrando e eu fui esbarrando em outras pessoas e pedindo desculpas. Nesse meio tempo eu já estava achando que iria apanhar. E quando eu achei que a coisa estava feia esbarrei em outro ser bombado e o cara também me perguntou com a delicadeza gaúcha:

- O que você ta fazendo aqui?

- Estou tentando passar.

- Mas aqui não vai dar pra você passar?

- Então você quer que eu faça o que? Enquanto isso a outra mula continuava me cotovelando e empurrando.

Pensei comigo, agora fudeu!

Mas ainda bem que depois disso consegui ficar ali onde estava bem paradinho sem encostar em ninguém até a hora do show começar. Ufa! Achei que fosse me ferrar no show que eu mais esperei pra ver na vida! No entanto, no final das contas os caras grandes ainda serviram pra algo, quando eles começaram a se mover no meio da galera, no início do show, eu fui atrás e consegui ficar ainda mais perto do palco.

Pra finalizar, depois de ter ido sozinho a vários shows no Paraná, Santa Catarina e São Paulo descobri que da próxima vez vou avaliar bastante a possibilidade de ver algo em Porto Alegre. Mesmo com um bom custo benefício às vezes é melhor pagar mais caro e não se incomodar.

Claro que essa foi a primeira vez que estive lá e pode ser que nem todos os gaúchos sejam assim, mas encontrar duas pessoas em menos de um metro loucos para dar uma porrada em alguém não foi a melhor coisa que já me aconteceu na vida. Dessa forma, realmente, deixo uma recomendação a todas as pessoas que gostam de curtir um bom show com tranqüilidade; avalie se realmente vale a pena ir para o Rio Grande do Sul assistir a alguma coisa.

A irrelevância da vida

novembro 10, 2009

O que você busca fazer? Refleti a respeito das coisas ultimamente e enquanto conversava com um colega sobre nossas idades percebi como a vida das pessoas pode ser irrelevante. Talvez seja irrelevante para o mundo todo, mas ainda mais para essa mesma pessoa.

Enquanto conversávamos no calor de um carro fechado que nos protegia do gelado final de tarde catarinense percebi como as coisas funcionam:

Uma dezena de pessoas passando para ambos os lados da rua para cumprir sua singela rotina adquirida há muito tempo ou agora há pouco. Não importa.

As pessoas às vezes desperdiçam bons papos pela pressa de fazer nada. Então vendo tudo isso eu pensei; no por que da minha vida ser ou estar sendo irrelevante pra mim mesmo?

Vi no passar das luzes de freio dos acelerados carros, como os anos passam e os sonhos se tornam lembranças do que nunca tivemos.

Esse foi mais um sinal de que devemos seguir o que nos faz bem. E isso deixa ainda mais latente que tudo o que o homem não almeja é a irrelevância, mesmo com algumas pessoas dizendo, como no livro “On the Road” de Jack Koruac, que seu único sonho é servir bem os clientes.

Todos temos sonhos, desde os mais elaborados aos mais simples e o fato de alcançá-los já não nos condena a irrelevância de uma vida comum, perante a nossa existência.

Na verdade, eu descobri que eu tenho medo da irrelevância da minha vida, pois ultimamente o que não falta são pessoas reclamando do que não fizeram e mesmo assim andam jocosamente pelos dois lados da rua com a sua irrelevante arrogância.

Tudo é assimilado com tanta rapidez que nos faz esquecer do principal objetivo da nossa história que é viver bem. Cercados de pessoas inteligentes e que possam nos estimular diariamente a pensar de maneira diferente ou a ter certeza do que realmente achamos sobre algo.

Porém, a irrelevância de sermos nós mesmos nos afeta nos piores momentos, quando estamos sem os pilares da auto-confiança e sem “exemplos” para nos apropriar.  É como se fossemos abraçados pela solidão psico-mental e isso traz a mais a sensação de irrelevância em relação ao que já fizemos e a respeito do que iremos fazer.

Nessas horas me questiono:

- Será melhor ter sonhos mais simples para me entreter com a minha demagogia intima? Será que mais pessoas se acham irrelevantes? Não sei…

O deslizar do tempo

novembro 7, 2009

Faz tanto tempo que não escrevo que esse texto, realmente, poderia ser sobre isso. Mas não é. Escrevi essa s linha já faz algum tempo. E como eu estou realmente com vontade de voltar a escrever nesse espaço resolvi começar aos poucos. Mesmo com ideias novas eu preferi esperar para iniciar a nova temporada.

Espero que gostem e se puderem comentem. Um abraço a todos.

Enquanto o vento gelado atacava meu rosto como o tapa de uma mulher brava após uma passada de mão…

Engraçada essa analogia pra começar um texto sobre o tempo…

Como é louca essa coisa que de repente acomete a gente e nem percebemos de onde vem. Enquanto eu andava descompromissado com a vida algumas lembranças de coisas boas surgiram em minha mente. Relembrei os bons momentos, como quando eu e meu pai assistíamos futebol pela TV – e olha que eu não gosto de futebol -. Das conversas caseiras que tínhamos, enquanto estávamos sob o mesmo teto. A intenção que ele sempre deixava clara que era – e continua sendo – a de que acima de tudo queria ser meu amigo. E com certeza conseguiu.

Ainda os dias que passei conversando com meu irmão sobre praticamente tudo. As noites que se alongavam, mesmo quando eu chegava cansado da escola e tinha que trabalhar no outro dia cedo – que ficávamos comentando sobre como foram as nossas últimas horas.

A presença importantíssima da minha mãe no meu desenvolvimento pessoal e acadêmico. E a crença de todos que eu poderia e posso ser o que eu quiser. O insano disso tudo é pensar que essas memórias e sentimentos estavam perdidos no fundo da minha cabeça, e de repente uma brisa gelada na barba sobre o meu rosto desperta tudo com tanta intensidade que me emociona.

Nesse caso parece que o tempo foi um fator fortificante de tudo isso que está em minha memória. O bom é saber que esses sentimentos não serão apagados do meu ser e eu ainda posso dizer a esses importantes personagens da minha vida o quanto tudo que fizeram por mim foi e é importante.

Que o tempo afague minha face com as marcas e expressões que só a vida pode dar, mas deixe os flashes do meu passado cada vez mais nítidos, para que eu possa continuar construindo meu presente e meu futuro cada vez mais feliz e estéticamente imagético para mim e quem eu amo. Que sejamos todos felizes!

Vocês já notaram como é difícil convidar uma pessoa adulta pra sair? Não digo uma mina que você esta afim, pois automaticamente quando você convida alguém para sair, parece que fica subentendido que você procura algo mais. Não importa se é homem ou mulher, pois se você convidar um homem que você conheceu há alguns dias para conversar ele automaticamente pode pensar que você o esta cantando, mesmo que você tenha uma namorada. A não ser que você o convide para ver a mulherada e tomar cerveja, mas esse não é o caso.

Vamos ver se eu consigo me explicar melhor. É que depois que a gente se torna “adulto” fica muito mais difícil dizer que curtimos alguém sem que esse alguém pense que existam segundas intenções nessa afirmação. No entanto, eu acredito, que um convite desse pode ser feito não só quando estamos afim de uma pessoa, mas quando gostamos das ideias, quando temos uma ótima primeira impressão e curtimos o papo ou simplesmente queremos conversar por mais algum tempo e dar risada. Ou ainda, somente conhecer um pouco mais o que faz esse ser tão interessante para se tornar um projeto de amigo.

Constatei isso, pois quando somos menores as amizades surgem quase que espontaneamente, pois todos pertencem a um mesmo grupo e assim segue até a faculdade, já que as pessoas estudam juntas e são apresentados uns aos outros por amigos em comum. Mas depois de crescido, quando você conhece alguém em uma situação fora do seu cotidiano; como em uma viagem para um show ou a trabalho fica bem mais difícil mostra a real intenção do que você está querendo dizer.

Convidar alguém pra sair, mesmo que só para conversar, parece algo tão estranho, ainda mais para quem esta fora do mercado há bastante tempo. Refleti sobre esse tema essa semana, pois estou em uma cidade onde duas colegas, que conheci indo para um show em São Paulo, moram. Fiquei na pira de conversar com elas e ver como estão as coisas. Colocar a mufa pra funcionar já que encontrar pessoas com gostos parecidos nessa estada em SC tem sido complicado.

Esse momento de conversa pode criar um elo mais forte, para posteriores troca de ideia, algo interessante, que não precisa ser nada profissional ou acadêmico simplesmente conversa. No entanto, quando fui convidá-las pelo Orkut tentei ser o mais explicito possível com as palavras para que nada ficasse subentendido, já que houve uma vez que me prontifiquei a mostrar a faculdade onde eu estudava para uma moça e no final da mensagem eu escrevi, “isso não é uma cantada”, heheh.

Dessa vez não escrevi isso, até porque não achei que seria de bom tom. E por isso  eu costumo dizer que não existe a possibilidade de deixar as palavras nítidas pela internet, pois esse meio de comunicação possibilita um milhão de entendimentos para uma mesma ideia. Um outro  detalhe que me preocupa diante desse problema é parecer um carinha idiota tentando conseguir um encontro amoroso em uma cidade desconhecida, o que, honestamente, eu não estou precisando.

No final das contas eu me pergunto: Será que só eu acho isso? Talvez as relações adultas não permitam esse tipo de encontro despretensioso, mas quem disse que eu respeito as convenções? E vocês, o que acham desse dilema das comunicações adultas?

Michael no auge

Michael no auge

Enfim… resolvi falar sobre o Michael. Bem, depois de ler muita coisa a respeito desse grande artista e me comover com a sua ida “repentina” da Terra, agora me sinto mais à vontade para falar a respeito desse tópico que nos últimos dias apareceu em todos os blogs e jornais que eu pude ler.

Foi realmente incrível a comoção que tudo em torno da morte de MJ causou. O mais engraçado é que eu só fui relembrar quem era realmente Jacko depois de tudo que vi, novamente, na TV nesses últimos dias, pois, afinal de contas, temos que combinar que a sua genialidade como astro do Pop andou meio encoberta pelas seguidas tentativas da imprensa mundial de sabotar sua história.

Ontem, assistindo a reprise do show-velório-memorial eu comecei a me lembrar dos bons momentos em que conheci o som que Michael fazia. A vontade de ir ao show dele em São Paulo, mesmo com meus inexpressivos oito anos de idade. Com certeza – naquela época – acompanhei os flashes nos jornais até altas horas, muitas vezes não entendendo absolutamente nada do que estava acontecendo àquela altura do campeonato.

Há alguns dias li no Twitter do Marcos Mion dizendo que essa foi a primeira vez que ele chorava por alguém que não estava dentro do seu círculo próximo de amizades. Honestamente não chorei pela perda de MJ, mas com certeza me senti mal.

Realmente gostaria de vê-lo em sua forma atual, se apresentando para milhares de pessoas. Como o que estava previsto para esse mês. Posteriormente seria interessante assistir ao DVD que contaria a saga da volta do ídolo e mostraria os melhores momentos de seus shows. Então ele morreria tranqüilo e nós sentiríamos a presença de alguém tão especial com mais ênfase, pois ele estaria ainda mais vivo artisticamente falando.

Sobre choro, lembro muito bem que, até hoje, chorei por apenas uma pessoa distante… Ayrton Senna. Foi realmente triste aquele episódio. A morte de MJ me comoveu, mas não tão profundamente como a de Ayrton. Mesmo constatando que Jacko me influenciou muito mais que Senna, pois sempre gostei de música e os sons que eu pude ouvir de seus trabalhos sempre foram algo à frente de tudo que eu tinha disponível para consulta e para a composição do meu direcionamento musical.

Michael deixa milhares de fãs perdidos, sem um referencial, sem um sucessor. Nem sei se existe um sucessor natural para o nível do artista. Como li há algum tempo em uma edição da revista Bravo!; Madonna pode ser a última representante dos super-astros Pop, enchendo estádios e tudo mais. No entanto, Michael, mesmo parado há muito tempo, conseguiria fazer muito mais. Mas é a vida.

Agora é aguardar para ver o que será feito do legado que Michael deixou, se será utilizado com sabedoria pelos que ficam ou se tornará em algo caça-níquel. Ontem li em uma matéria da Folha de São Paulo que MJ gravou várias músicas com Will.I.am no esquema Hip Hop, mas não quis lançar por medo de como os fãs iriam receber esses novos sons. Vamos aguardar pra ver.

Que a música de Michael se perpetue pelas próximas gerações e que a partir desse episódio novos grandes-talentos possam ser moldados para que nós não fiquemos órfãos por muito tempo de alguém e algo que mudou e moldou a vida de milhares de pessoas e com certeza irá continuará influenciando muitos novos e velhos artistas por bastante tempo.

Memorial

Sobre o Memorial realizado para Michael posso dizer apenas que foi um grande momento. É uma pena ter sido realizado somente após a sua morte, os empresários dele poderiam ter pensado em realizar algo assim há mais tempo, com a presença dele e com os amigos que ele escolhesse.

Digo isso, pois mesmo tendo esse momento sido especial acredito que houveram homenagens desnecessárias; como a presença de Mariah Carey. Acho que existem tantas pessoas que poderiam expressar a música de MJ de uma maneira mais real. Também achei o Usher um pouco forçado, mas no final ele pareceu realmente emocionado. No entanto, para endossar o que eu digo, peguem a apresentação de Stevie Wonder, simplesmente emocionante. Esse outro grande astro da música conseguiu deixar latente toda a sua admirição por aquele que se foi.

Cantou divinamente e tocou, com certeza, os corações de todos que puderam assistir esse momento. É claro que é pedir demais que todos fossem tão sinceros quanto Stevie, mas escolher Mariah talvez não tenha sido algo interessante a se fazer. Mas que assim seja.

No dia seguinte a definição das doze cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo do Brasil em 2014, um dos assuntos mais comentados nos jornais da capital catarinense foi a não seleção de Florianópolis para este momento célebre na história do esporte nacional.

Eu acredito que essa tenha sido uma das decisões mais acertadas referente a esse evento para a região sul do Brasil, as outras duas capitais da região já demonstram um poder organizacional bem maior e mais consolidado que Florianópolis. O mais engraçado, após a divulgação das selecionadas, foi ver pessoas dizendo coisas sem pensar, principalmente os ditos “jornalistas” e “formadores de opinião”, digo isso, pois no calor do dia seguinte ao anúncio assisti e ouvi um jornalista afirmar que “guardada as devidas proporções” o trânsito de Florianópolis é melhor que o de São Paulo e a cidade é mais segura que o Rio de Janeiro. Pura inflamação bairrista, que sabemos existir muito por aqui. No entanto, qualquer pessoa com um pouco de senso nota que Florianópolis não tem a menor infra-estrutura para receber um evento dessa magnitude. Pra mim a cidade não tem estrutura nem mesmo para comportar a final de um brasileirão.

O mais chato de ouvir essas afirmações esdrúxulas é ver a população caindo de gaiato, acreditando nas besteiras que foram ditas. Não é necessário muito tempo de morada na ilha para perceber a inépcia política que é praticada da mesma forma que na maioria dos estados brasileiros. As obras correm a passos largos antes das eleições, após esse período tudo fica estagnado e vai sendo realizado em doses homeopáticas, as principais obras de expansão de trafego, transporte público e saneamento – por exemplo – estão à mercê e a espera de algo que eu desconheço.

Um exemplo disso pode ser presenciado durante toda temporada de verão. Quem mora nesse imenso espaço de terra tem de passar por vários quilômetros de engarrafamento. Isso que o fluxo de turistas costuma não ser muito diferente quantitativamente de uma temporada para outra. Existe deficiência na estrutura de saneamento básico e no fornecimento de água. Não é difícil presenciar localidades da capital sem água durante algumas horas no alto verão. Quanto as filas de carro, até mesmo fora de temporada, nos principais horários do dia, temos engarrafamento, principalmente para a região sul de Florianópolis. Existem várias obras necessárias para dar uma fluidez um pouco melhor para o trânsito, algo que – pelo que ouvi falar recentemente – está na prancheta a mais de cinco anos.

É incrível que as pessoas ainda queiram comparar o tráfico daqui com o de São Paulo. A capital paulista tem, realmente, um trânsito difícil, mas as soluções são pensadas quase que diariamente. E um detalhe importante, os motoristas podem escolher vias alternativas para “driblar” as filas, por isso os carros conseguem manter um trafego considerável mesmo com veículos em todos os lugares, o tempo todo, todos os dias. Aqui existem poucas rotas para ir de um lugar a outro e essas vias congestionam-se simultaneamente. Ainda é importante colocarmos no papel que São Paulo e Rio têm infra-estrutura preparada para grandes eventos devido o acontecimento desses constantemente e os grandes eventos que ali são realizados ganham uma relevância global muito maior.  Florianópolis está somente engatinhando no quesito grandes eventos e quanto ao olhar mundial…

É claro que não posso deixar de mencionar que a realização de um acontecimento como esse em qualquer parte do Brasil irá gerar uma entrada de recursos inimaginável para simples mortais como nós. Esse capital poderá ser investido na infra-estrutura dessas cidades e também na construção de facilitadores de locomoção, maior oferta de hospedagem entre outras coisas. No entanto, quando existe a procura por locais para sediar eventos espera-se que, ao menos, o básico já esteja pronto para que o tempo seja otimizado. Isso mostra que mesmo Florianópolis sendo uma cidade de alta rotatividade turística ainda não cumpriu com seu papel de disponibilizar as condições mínimas de facilidades para turistas e moradores. Isso deixa explicita a inépcia política que não expande suas ações de maneira a abarcar as necessidades básicas da população. Então, se até hoje foi sempre a mesma lenga lenga; por que dessa vez seria diferente? Simplesmente para transformar essa ilha em vitrine turística sem ser?

Floripa tem somente praias bonitas, o que para alguns já basta. O transporte público é uma piada, já que essa é a única cidade que possui um terminal de integração desintegrado. Cada empresa é responsável por áreas de transporte especificas da cidade e dessa forma o terminal foi separado com catracas independentes para cada empresa. Assim, caso o passageiro entre no lugar errado terá que sair e pagar outra passagem para adentrar ao espaço da empresa certa. Isso é quase tão estúpido quanto colocar esteiras rolantes nas praias.

Os investimentos em trânsito que a população vê são irrisórios. Não digo que os políticos não conseguiriam consertar tudo que precisam para a Copa, em tempo recorde e afirmar que tudo isso foi possível graças aos esforços da população e aquela ladainha toda. Mas, no entanto, o fato de reformas estruturais importantes não terem sido feitas até hoje mostra a má vontade de transformar algo que naturalmente é encantador em um lugar ainda mais especial para quem mora e para quem vem visitar.

Sendo assim, olhando pelo lado bom, Florianópolis não ter sido escolhida deve, de certa forma, ser bom para acordar os políticos de seu sono restaurador e colocá-los para pensar na importância de olhar para obras que beneficiam o coletivo, pois o importante é ter uma infra-estrutura constantemente em evolução para que nos momentos certos poucos ajustes tenham que ser realizados e os investimentos possam ser feitos somente em “produtos” que agreguem mais valor e beleza a capital catarinense.

Era para ser um super show. Era… Cheguei na metade da apresentação da Cachorro Grande. A entrada estava organizada, as pessoas passavam por uma revista típica e depois adentravam com tranqüilidade ao espaço do show. A galera estava empolgada. Cantando quase todas as músicas da Cachorro. Pensei comigo:

- Essa noite promete!

A lua cheia e bela apareceu ao lado do palco. Muita gente no local, o som da banda estava bom. Beto Bruno tirou um sarro por causa do Internacional. Saiu do palco e então depois de alguns minutos surge o Oasis. Formação com um novo integrante; o baterista, Chris Sharrock, e o tecladista de apoio Jay Darlington, apresentado como Jesus Cristo, por causa de sua aparência com o homem bíblico. Enfim, quando a banda toca os primeiros acordes o som parece abafado e assim continua até o final do show. Achei isso meio estranho já que a Cachorro Grande tinha um som bem mais alto e com uma definição de agudos mais claros do que o do Oasis. Talvez tenha sido escolha do Noel Gallagher, o guitarrista, que pareceu não curtir muito as viagens pelo Brasil, mesmo demonstrado certa simpatia no palco que tinha uma iluminação bem projetada, mas normal. E eu que fui esperando telões de alta definição e coisas do gênero, como na Argentina, não vi nada.

Os Gallagher estavam soltos sobre o tablado, eram um exemplo de doçura e empolgação; do jeito deles. Os outros integrantes eram normais.

Particularmente achei meio morna a presença de palco dos caras. Após o show fui procurar algumas informações sobre esse detalhe e a maioria das pessoas que estiveram lá concordaram com essa afirmação. No entanto, disseram que é o normal dos irmãos. “Eles têm um show burocrático”, disse uma fã em um blog por aí.

O público não era muito misturado, havia muitas mulheres sozinhas, alguns Emos e uma galera entre 20 e 30 anos. Destaque para um menininho de uns 12 anos que provavelmente assistia a seu primeiro show de uma banda internacional bem do meu lado. Uma pena ele não ter começado com o pé direito. Mas acho que pela empolgação a experiência valeu a pena.

Como já virou praxe no Brasil, lá na frente estavam os abastados da área VIP. Quando a apresentação acabou até achei que houve dois shows. Um para a área mais próxima e outra para a galera do fundão. Já explico o porquê.

A galera só se empolgou no momento dos clássicos como “Champagne Supernova”, “Wonderwall”, “Morning Glory” entre outras. Essas músicas fazem parte dos três primeiros álbuns da banda, o que deu a eles tudo o que têm hoje. Pude entender então que não importa o que o Oasis faça depois desses trabalhos, eles sempre serão lembrados por esses três lampejos de criatividade Pop. Ainda afirmo mais, se eles fizessem um show no qual só tocassem músicas desses álbuns todos sairiam felizes. Eu iria a outro show da banda somente para ouvir esses clássicos novamente.

Mas como o show teve pílulas novas e coisas antigas estrategicamente misturadas em alguns momentos foi possível ver pessoas bocejando, essa é a primeira vez que presencio isso em um show de rock. Aí entra a distinção das partes que estiveram na apresentação, pois uma galera elogiou muito o concerto, havia realmente lá na frente, na área VIP, uma moçada bem empolgada. Mas à minha volta, na área comum, todos os espectadores pareciam meio dormentes. Como se nada estivesse acontecendo, quase ninguém pulava, gritava ou mesmo cantava. Somente os clássicos. Fiquei até na dúvida se essa frieza é do público, mas já estive em outro show em Curitiba e tudo parecia bem normal.

Ao final da apresentação bonita, limpa e sem erros, a banda sai para voltar após alguns minutos para o Bis. Nessa hora percebo algo estranho novamente, ninguém ficou gritando para que voltassem. Simplesmente aplaudiram e continuaram esperando que os integrantes reaparecessem. No mínimo estranho. Ao final de tudo saí do Expotrade com a sensação de que não houve nenhum show naquela noite. Queria um pouco mais e não tive, simplesmente acabou e eu fui pra casa. No entanto, mediante tamanha estranheza ainda pude fazer algumas constatações a respeito do som da banda. Mesmo sabendo que já tem um bom tempo que eles não lançam nada com uma grande relevância no mercado musical, eles têm músicas que maturam com o tempo, caso de “Lyla”, “Importance of Being Idle”, Let There Be Love três do álbum “Don´t Believe the Truth” de 2005. Isso foi perceptível graças à empolgação da galera ao meu lado. Não era muito, mas para o momento já bastou.

Pra fechar, depois do show fui procurar mais informações sobre as apresentações em solo tupiniquim e também sobre o novo álbum. Li no portal G1 que se depender do CD “Dig Out Your Soul” a década perdida do Oasis continua. Acredito que isso procede, mesmo com a boa recepção por parte dos críticos internacionais. As músicas novas eram tocadas depois de várias antigas. Em um show com 19 músicas próprias e um cover dos Beatles eles tocaram cinco novas, e essas foram as que menos empolgaram. Claro que essas músicas podem marcar em algum tempo à nossa frente, mas naquele momento não teve quase efeito nenhum sobre grande parte do público que estava presente no evento.

 Mesmo assim, depois de uma experiência quase frustrante, foi bom ouvir ao vivo as músicas que eu escutava no rádio e pensava:

- Quando poderei presenciar isso bem na minha frente.

O sentimento de revival foi bom. Sem contar que é interessante perceber que envelhecemos já que algumas das músicas tocadas fazem parte da década de noventa, mais de 15 anos atrás. O Oasis já não tem tanta importância para o cenário musical quanto tinha depois de seus discos de estreia, mas já escreveu seu nome na história da música pela pose, pelas encrencas e também pela música.

P.S. Não disse que o cara não estava curtindo. Em post agora à pouco em seu blog no Myspace Noel disse que não curtiu tocar em um estacionamento em Curita nem no lugar onde tocou em Porto Alegre.

Matéria na integra: http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1125215-7085,00.html

Abraço.

Noite, chuva e expectativas. Um show que poderia ser só mais um, mas havia a vontade de esperar mais de uma mulher que se sente “ so unsexy for someone so beautiful”, mas que se pergunta “Are you thinking of me when you fuck her?”. Bem, a fila não era tão grande quanto eu esperava – para aquela hora-, mas na verdade eu acho que cheguei um pouco antes. Era 21h, achei que a apresentação começaria entre 23h30 e meia noite. Ledo engano.

Um momento que o tom de como foi tudo

Um momento que dá o tom de como foi tudo

 

 

O lugar estava um pouco escuro, nada diferente na decoração dos ambientes, já que fiquei sabendo um pouco antes de chegar ao local, enquanto estava no ônibus, que haveria uma balada depois – ou antes – do show. A tensão era grande e a vontade de ouvir ao vivo músicas que marcaram várias passagens da minha vida também.

Foram longas horas de espera. De repente veio uma chuva fraca, isso já passava das onze da noite, nada da principal pessoa aparecer. A galera começava a se exaltar, gritar que o show só iria começar junto com a chuva, ainda mais forte. Antes fosse assim.

Nem as piores previsões poderiam ser tão otimistas. Em 20 minutos o céu desabou, choveu pra caramba, alguns documentos e dinheiro foram enrolados em uma sacolinha plástica, e a música rolando no som, enquanto aguardávamos pelo show, se repetia pela terceira vez. Até a uma da manhã choveu muito, constatei que os documentos, o celular – importante para a ocasião – e o dinheiro estavam molhados. BEM MOLHADOS. Momentos de desespero depois, o lugar guardado por algumas horas perdido, enfim começa o show. Uma da manhã, todas as pessoas que ficaram à frente do palco encharcadas. Entra a moça com seu cabelo comprido, e seu estilo claustrofóbico de “dançar” que vem desde as suas primeiras apresentações. Alanis Morissette adentra ao palco.  Com uma iluminação muito boa. Parecia um clarão da quase tempestade que caia sobre a cabeça do público.

Na verdade, nesse momento, eu não estava concentrado na apresentação ainda. Estava tentando sentir o que se passava interna e externamente, já que coisas importantes haviam molhado, mas quanto a isso eu não poderia fazer nada. A vontade de sentir o show era grande também, porém faltava-me concentração. Se não me falhe a memória ela abriu o show com uma pequena introdução e na sequencia emendou Uninvited. Interessante. A expectativa enfim alcançava o ápice, eu podia ouvi-la cantar ali, próximo a mim.

A chuva não tinha parado, mas quem ta na chuva é pra se molhar, certo? Então lá pela terceira música meu cérebro começou a sentir o que era realmente estar em um show no qual as músicas fizeram parte da minha vida. Já fui a alguns shows antes – legais eu confesso -, mas esse era especial, pois me fazia relembrar cada momento importante que tive ao lado da pessoa que amo até hoje.

Em certas músicas, como Flinch, Hand in my Pocket e Unsexy as lágrimas corriam pelo meu rosto de tal forma que eu não sabia se ainda continuava a chover. Dessa vez eu entendi por que as pessoas choram em shows. Solucei de tanta emoção ao identificar aqueles acordes e as notas vocálicas que ainda têm tanta expressão em minha vida. Se não estivesse chovendo, com certeza, mais pessoas iriam perceber a minha emoção frente a frente com um pedaço da minha história.

O som era limpo, cristalino; quase perfeito. Os músicos sabiam o que faziam no palco. Em certos momentos Alanis se sacudia incessantemente por cada espaço cênico, enquanto seus roadies secavam o piso. Em outros, ela dançava com as mãos ou tentava tocar uma guitarra ou violão. Era um momento único que mesmo com todas as distrações se tornou impermeável ali na minha frente. Além de tudo isso, ainda marcou sete anos que conheço alguém especial, que com certeza é o maior motivo das marcações que a música de Morissette tem em minha vida.

Nós estávamos juntos nesse momento único qual o som trouxe de volta as imagens da minha vida. O choro e o fim da chuva com o fim do show. Três ou quatro músicas tocadas em versão acústica. Um bis de mais três ou quatro músicas. Na verdade eu queria que as duas horas de show durassem por mais tempo. Still time. Mas isso ainda não é possível. Ao final da apresentação a emoção transbordava em minhas veias, um te amo enquanto a música que ela mais gosta tocava, para marcar a noite. Depois de tudo isso, ainda fui pegar uma balada – que aconteceu depois – completamente encharcado enquanto esperava o ônibus que me levaria de volta para casa. Estava de volta ao mundo real, mas com um pedaço a mais de mágica em minha vida. A minha história passou em frente ao meu rosto e eu estava lá pra ver.

Enfim, percebi que envelheci, mas estou aproveitando as experiências que ganho com as oportunidades que me são dadas todos os dias.

 A música que mais me emociona Flinch.  Só um pouquinho do que rolou no show com a galera cantando junto. Enjoy.

 

Foto de Vicentte de QuadrosA divulgação foi precária, grande parte das pessoas presentes ficaram sabendo do show um ou dois dias antes da apresentação.  Houveram vários problemas até que o local onde seria o show fosse decidido para que, somente, após isso o local onde poderiam ser comprado os ingressos fosse divulgado para o grande público.

O ambiente foi dividido em três setores. No primeiro setor havia alguns super fãs, os ricos que nem sabiam o porquê de estar ali e alguns outros blasés. Parecia aquele esquema de estar em um lugar só para aparecer, mas o Cacau não estava lá. Piada só para os moradores de Floripa.

Faltando 55 minutos para o início do show o ambiente montado para a apresentação não estava cheio. Existiam mais pessoas no setor A e quase ninguém no B e mais uma galera no C. Importante destacar que os ingressos não estavam tão caros, pelo quilate de quem iria se apresentar – mínimo de trinta reais para estudante e máximo de R$140 inteira.

A galera próxima e eu comentávamos sobre o não comparecimento do público local, o que no final do show, surpreendentemente, me fez morder a língua. Já que o auditório ficou quase lotado.

O show começou com meia hora de atraso, mas nada demais. O som estava ótimo e mesmo com uma iluminação simples o ambiente lembrava aqueles lugares perfeitos para pocket shows. Fiquei empolgado em perceber como coisas simples podem ficar tão boas.

Damien é um cara muito interessante. Acredito que muita gente devia imaginá-lo como uma pessoa triste, de repente autodestrutivo. Mas não, surpreendentemente é alguém alegre com muitas boas histórias para narrar, sem contar que em certos momentos do show parecíamos que estávamos em uma apresentação de stand up comedy. Tudo transcorreu perfeitamente, Rice tocou alguns clássicos, algumas músicas que eu ainda não conhecia e conversou com a galera como se estivesse em algum pequeno bar na Irlanda, sua terra natal. O som era perfeito lembrava muito o que ouvimos em seus CD´s.  A falta da voz feminina de sua companheira quase não foi notada, por mim. O show foi ótimo. Seu Jorge entrou para dar o ar da graça, com certeza, muita graça. Seu Jorge adentrou ao palco conversou com a galera e tocou alguns sons conhecidos. Quando Damien voltou cada um tocou a sua “versão” de Blower´s Daughter. Enquanto um tocava o outro acompanhava atentamente. Foi um momento hipnótico.

A participação do público foi algo marcante já que em certo momento ele convidou quem gostava de cantar para que o acompanhasse no palco na interpretação de Volcano. Foi mágico ele tentando reger o coro de vozes no palco e também na platéia. Ele soube usar seu carisma para que todos aproveitassem o momento que ele concedeu para os mortais de participar de algo especial para cada um que ali estava presente.

Uma pena foi a não realização do meu devaneio de que antes do fim do show todos os setores iriam se misturar e cantar alguma música juntos em frente ao palco. Isso não aconteceu, mas quem sabe na próxima. Um detalhe importante, é que mesmo Florianópolis não sendo uma capital com tradição de grandes eventos artísticos houve um comparecimento massivo do público. Com certeza, motivo de orgulho para todos ou ainda poderia ser que o apelo da presença de Seu Jorge pode ter funcionado.

Damien estava muito solto, parecia muito feliz em se apresentar na cidade e shows assim são sempre muito bons. Em certa parte da apresentação Rice explicou o que o trouxe ao Brasil; um convite de Seu Jorge que ficou soando em sua cabeça por um bom tempo. Ele ainda cantou Canon Ball sem amplificação, foi excepcional ouvir a voz da galera junto com a de Damien.

Ao final da apresentação Rice convidou uma amiga para o palco mais o seu Jorge, colocou ali uma mesa duas garrafas de vinho e três taças. Contou uma história e encenou Cheer´s Darling. Pra mim uma surpresa muito bem arranjada. O show foi cheio de momentos agradáveis e memoráveis.

Antes de chegar ao evento eu me cerquei de expectativas, mas quando eu soube que iria assisti-lo sozinho sem uma banda acompanhando poderia ser um pouco chato, mas ele conseguiu manter a peteca no ar e encantou a todos que ali estavam para vê-lo. Seu Jorge com certeza foi algo a mais na apresentação, sua presença deu um brilho ainda maior ao evento. Mas, no entanto eu acreditei que poderia ser apenas uma estratégia de marketing para chamar mais pessoas, de repente até pode ter sido, mas o público parecia muito interessado em sentir a música dos dois.

Com certeza valeu a pena cada minuto. Ao final de tudo, para os sortudos que puderam esperar, Damien e Seu Jorge apareceram no estacionamento e conversaram com os fãs e Rice tocou ainda mais um som para matar a vontade que nunca passa de ouvir música boa ao vivo. Experiência de show pequeno em cidade grande, mais uma surpresa que Florianópolis resguardou para essa temporada.

O meu Big Brother

janeiro 31, 2009

Vivendo com pessoas do trabalho e aprendendo que as diferenças nem sempre devem ser respeitadas

 

O big brother começou faz pouco tempo na TV, acho que três semanas, no entanto pra mim tem mais tempo, já que tirando as férias de alguns dias de janeiro com os meus pais, estou “confinado” com colegas de trabalho desde do início de dezembro.

É engraçado perceber quando se passa muito tempo junto com as mesmas pessoas o desgaste das relações interpessoais, as respostas ásperas e a falta de interesse em entender as diferenças de cada um. Mas, no entanto, uma coisa que sempre é dita no Big Brother da TV, as máscaras caem rapidinho, ainda mais quando se trata de trabalho. Pessoas que pareciam extremamente inteligentes têm uma vida pessoal totalmente insana, comportamentos infantis e reações surpreendentemente fora da realidade a qual foi inserido. Alguns tentam se auto afirmar por meio de coisas que não são suas e assim por diante.

Vou explicar pra vocês como funciona o dia-a-dia da casa:

A equipe, formada por oito pessoas, trabalha em um shopping de Balneário Camboriú em dois turnos; manhã e tarde divididos em quatro. Nada anormal até aí. Às vezes podemos sair à noite para baladear, conhecer alguns lugares diferentes, ir à praia.  Mas o “X” do desgaste não mora aí, ele está na convivência diária e ininterrupta – casa e trabalho – com pessoas que se comportam de maneiras distintas e, na maioria das vezes, não toleram o comportamento diferente dos outros. Ou pode ser que não procuram se adaptar ao novo segmento de vida conjunta, já que existem coisas que você pode deixar de fazer para não incomodar uma grande parcela das pessoas que moram com você.

Realmente passar muito tempo com as mesmas pessoas tentando dividir comida, gasolina, gostos e gastos é algo complicado. Sem contar que existe a necessidade de lidar com egos do “melhor motorista” que tenta provar que não o “de menor” como conhecido no escritório sendo o chofer da galera; dirigindo mesmo quando existem outros dois motoristas para revezar na casa. Existem ainda as crianças que brincam de trabalhar e namorar, que provam por “A+B” que casais não podem trabalhar juntos (mesmo tendo um raríssimo exemplo de que essa fórmula pode dar certo na porta da frente), ainda mais em casos como esse de “confinamento”, pois os problemas das discussões infantis em casa são levados para o trabalho e vice-versa. Tem também o folgado engraçado que aproveita do seu dom de fazer os outros rirem para folgar e não fazer o mínimo das atribuições da casa como lavar a sua própria louça. Tem o que se acha a ovelha negar, pois nunca recebe nada, todos colocam a culpa nele. Mas isso é o que se ganha quando queremos procurar namoradas ao invés de trabalhar ou quando não fazemos muitas coisas como se é esperado. Temos o certinho que procura fazer tudo de acordo como as regras mandam sem nunca sair da linha. Às vezes chega a ser chato por seguir tudo de maneira tão direita. Podemos ver que a maioria dos perfis são distintos e isso, com certeza, gera discordância.

É interessante destacar que por esse ser um “habitat” tão sensível um individuo consegue colocar toda a mínima harmonia existente no sistema em xeque, quebrando uma das principais regras para manter tudo funcionando; manter o diálogo. Quando uma pessoa não procura acertar as situações que causou a si mesmo e para de conversar com alguém desse sistema frágil todo o equilíbrio vai embora e o problema não pode ser solucionado enquanto esse ser não toma a decisão de por si mesmo resolver seu desentendimento que foi realmente gerado por excesso de convivência e displicência com o que e como falou com as outras pessoas do ambiente.

Ainda existe um problema maior que é o fator organizacional. Nem falo sobre organizar cada um as suas coisas, mas a tentativa de fazer com que as pessoas não percam a paciência e partam para a agressão física devido a falta de tato que alguns têm em momentos críticos. Você não sabe se concorda com todos, se desautoriza alguns mal educados ou se deixa passar só para não gerar uma briga. Realmente não sei.

Pra quem não me conhece muito bem, eu tenho vontade de participar do BBB, já que lá existe a possibilidade de passar alguns meses de forma a aproveitar o ócio para enriquecer o intelecto e também aprender com a convivência. Estou usando esse modelo de convívio que tenho aqui para praticar atitudes, se é que isso é possível, pois no momento em que entrar para a casa valendo um milhão espero conseguir o prêmio máximo.

E mesmo depois de relatar todas essas desvantagens, tenho que confessar algo, eu continuo nesse mesmo sistema, no qual devo permanecer até março, no entanto os “participantes” vão mudando de acordo com os acontecimentos externos do nosso trabalho. Essa é a vantagem, se não aguentar você pode pedir para sair – usando o exemplo que o meu chefe deu “A pessoa pega e quebra o colarzinho como no programa ‘No Limite’”-. No entanto essa nova “temporada”esta mais tranquila. As pessoas estão conversando mais e fazendo o possível para se adaptar as manias de cada um, como a de organização, a de não gostar do cheiro de cigarro, dividir ou não a comida, acertar os valores que cada um tem que pagar para cada coisa nova que é colocada na casa. É um momento interessante de aprendizado para todos, tirando os momentos extremos que alguns relacionamentos provocam em quem não tem nada a ver com a situação.

E você, já viveu algum momento Big Brother na sua vida? O que achou? Conta aí.