No dia seguinte a definição das doze cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo do Brasil em 2014, um dos assuntos mais comentados nos jornais da capital catarinense foi a não seleção de Florianópolis para este momento célebre na história do esporte nacional.

Eu acredito que essa tenha sido uma das decisões mais acertadas referente a esse evento para a região sul do Brasil, as outras duas capitais da região já demonstram um poder organizacional bem maior e mais consolidado que Florianópolis. O mais engraçado, após a divulgação das selecionadas, foi ver pessoas dizendo coisas sem pensar, principalmente os ditos “jornalistas” e “formadores de opinião”, digo isso, pois no calor do dia seguinte ao anúncio assisti e ouvi um jornalista afirmar que “guardada as devidas proporções” o trânsito de Florianópolis é melhor que o de São Paulo e a cidade é mais segura que o Rio de Janeiro. Pura inflamação bairrista, que sabemos existir muito por aqui. No entanto, qualquer pessoa com um pouco de senso nota que Florianópolis não tem a menor infra-estrutura para receber um evento dessa magnitude. Pra mim a cidade não tem estrutura nem mesmo para comportar a final de um brasileirão.

O mais chato de ouvir essas afirmações esdrúxulas é ver a população caindo de gaiato, acreditando nas besteiras que foram ditas. Não é necessário muito tempo de morada na ilha para perceber a inépcia política que é praticada da mesma forma que na maioria dos estados brasileiros. As obras correm a passos largos antes das eleições, após esse período tudo fica estagnado e vai sendo realizado em doses homeopáticas, as principais obras de expansão de trafego, transporte público e saneamento – por exemplo – estão à mercê e a espera de algo que eu desconheço.

Um exemplo disso pode ser presenciado durante toda temporada de verão. Quem mora nesse imenso espaço de terra tem de passar por vários quilômetros de engarrafamento. Isso que o fluxo de turistas costuma não ser muito diferente quantitativamente de uma temporada para outra. Existe deficiência na estrutura de saneamento básico e no fornecimento de água. Não é difícil presenciar localidades da capital sem água durante algumas horas no alto verão. Quanto as filas de carro, até mesmo fora de temporada, nos principais horários do dia, temos engarrafamento, principalmente para a região sul de Florianópolis. Existem várias obras necessárias para dar uma fluidez um pouco melhor para o trânsito, algo que – pelo que ouvi falar recentemente – está na prancheta a mais de cinco anos.

É incrível que as pessoas ainda queiram comparar o tráfico daqui com o de São Paulo. A capital paulista tem, realmente, um trânsito difícil, mas as soluções são pensadas quase que diariamente. E um detalhe importante, os motoristas podem escolher vias alternativas para “driblar” as filas, por isso os carros conseguem manter um trafego considerável mesmo com veículos em todos os lugares, o tempo todo, todos os dias. Aqui existem poucas rotas para ir de um lugar a outro e essas vias congestionam-se simultaneamente. Ainda é importante colocarmos no papel que São Paulo e Rio têm infra-estrutura preparada para grandes eventos devido o acontecimento desses constantemente e os grandes eventos que ali são realizados ganham uma relevância global muito maior.  Florianópolis está somente engatinhando no quesito grandes eventos e quanto ao olhar mundial…

É claro que não posso deixar de mencionar que a realização de um acontecimento como esse em qualquer parte do Brasil irá gerar uma entrada de recursos inimaginável para simples mortais como nós. Esse capital poderá ser investido na infra-estrutura dessas cidades e também na construção de facilitadores de locomoção, maior oferta de hospedagem entre outras coisas. No entanto, quando existe a procura por locais para sediar eventos espera-se que, ao menos, o básico já esteja pronto para que o tempo seja otimizado. Isso mostra que mesmo Florianópolis sendo uma cidade de alta rotatividade turística ainda não cumpriu com seu papel de disponibilizar as condições mínimas de facilidades para turistas e moradores. Isso deixa explicita a inépcia política que não expande suas ações de maneira a abarcar as necessidades básicas da população. Então, se até hoje foi sempre a mesma lenga lenga; por que dessa vez seria diferente? Simplesmente para transformar essa ilha em vitrine turística sem ser?

Floripa tem somente praias bonitas, o que para alguns já basta. O transporte público é uma piada, já que essa é a única cidade que possui um terminal de integração desintegrado. Cada empresa é responsável por áreas de transporte especificas da cidade e dessa forma o terminal foi separado com catracas independentes para cada empresa. Assim, caso o passageiro entre no lugar errado terá que sair e pagar outra passagem para adentrar ao espaço da empresa certa. Isso é quase tão estúpido quanto colocar esteiras rolantes nas praias.

Os investimentos em trânsito que a população vê são irrisórios. Não digo que os políticos não conseguiriam consertar tudo que precisam para a Copa, em tempo recorde e afirmar que tudo isso foi possível graças aos esforços da população e aquela ladainha toda. Mas, no entanto, o fato de reformas estruturais importantes não terem sido feitas até hoje mostra a má vontade de transformar algo que naturalmente é encantador em um lugar ainda mais especial para quem mora e para quem vem visitar.

Sendo assim, olhando pelo lado bom, Florianópolis não ter sido escolhida deve, de certa forma, ser bom para acordar os políticos de seu sono restaurador e colocá-los para pensar na importância de olhar para obras que beneficiam o coletivo, pois o importante é ter uma infra-estrutura constantemente em evolução para que nos momentos certos poucos ajustes tenham que ser realizados e os investimentos possam ser feitos somente em “produtos” que agreguem mais valor e beleza a capital catarinense.

Era para ser um super show. Era… Cheguei na metade da apresentação da Cachorro Grande. A entrada estava organizada, as pessoas passavam por uma revista típica e depois adentravam com tranqüilidade ao espaço do show. A galera estava empolgada. Cantando quase todas as músicas da Cachorro. Pensei comigo:

- Essa noite promete!

A lua cheia e bela apareceu ao lado do palco. Muita gente no local, o som da banda estava bom. Beto Bruno tirou um sarro por causa do Internacional. Saiu do palco e então depois de alguns minutos surge o Oasis. Formação com um novo integrante; o baterista, Chris Sharrock, e o tecladista de apoio Jay Darlington, apresentado como Jesus Cristo, por causa de sua aparência com o homem bíblico. Enfim, quando a banda toca os primeiros acordes o som parece abafado e assim continua até o final do show. Achei isso meio estranho já que a Cachorro Grande tinha um som bem mais alto e com uma definição de agudos mais claros do que o do Oasis. Talvez tenha sido escolha do Noel Gallagher, o guitarrista, que pareceu não curtir muito as viagens pelo Brasil, mesmo demonstrado certa simpatia no palco que tinha uma iluminação bem projetada, mas normal. E eu que fui esperando telões de alta definição e coisas do gênero, como na Argentina, não vi nada.

Os Gallagher estavam soltos sobre o tablado, eram um exemplo de doçura e empolgação; do jeito deles. Os outros integrantes eram normais.

Particularmente achei meio morna a presença de palco dos caras. Após o show fui procurar algumas informações sobre esse detalhe e a maioria das pessoas que estiveram lá concordaram com essa afirmação. No entanto, disseram que é o normal dos irmãos. “Eles têm um show burocrático”, disse uma fã em um blog por aí.

O público não era muito misturado, havia muitas mulheres sozinhas, alguns Emos e uma galera entre 20 e 30 anos. Destaque para um menininho de uns 12 anos que provavelmente assistia a seu primeiro show de uma banda internacional bem do meu lado. Uma pena ele não ter começado com o pé direito. Mas acho que pela empolgação a experiência valeu a pena.

Como já virou praxe no Brasil, lá na frente estavam os abastados da área VIP. Quando a apresentação acabou até achei que houve dois shows. Um para a área mais próxima e outra para a galera do fundão. Já explico o porquê.

A galera só se empolgou no momento dos clássicos como “Champagne Supernova”, “Wonderwall”, “Morning Glory” entre outras. Essas músicas fazem parte dos três primeiros álbuns da banda, o que deu a eles tudo o que têm hoje. Pude entender então que não importa o que o Oasis faça depois desses trabalhos, eles sempre serão lembrados por esses três lampejos de criatividade Pop. Ainda afirmo mais, se eles fizessem um show no qual só tocassem músicas desses álbuns todos sairiam felizes. Eu iria a outro show da banda somente para ouvir esses clássicos novamente.

Mas como o show teve pílulas novas e coisas antigas estrategicamente misturadas em alguns momentos foi possível ver pessoas bocejando, essa é a primeira vez que presencio isso em um show de rock. Aí entra a distinção das partes que estiveram na apresentação, pois uma galera elogiou muito o concerto, havia realmente lá na frente, na área VIP, uma moçada bem empolgada. Mas à minha volta, na área comum, todos os espectadores pareciam meio dormentes. Como se nada estivesse acontecendo, quase ninguém pulava, gritava ou mesmo cantava. Somente os clássicos. Fiquei até na dúvida se essa frieza é do público, mas já estive em outro show em Curitiba e tudo parecia bem normal.

Ao final da apresentação bonita, limpa e sem erros, a banda sai para voltar após alguns minutos para o Bis. Nessa hora percebo algo estranho novamente, ninguém ficou gritando para que voltassem. Simplesmente aplaudiram e continuaram esperando que os integrantes reaparecessem. No mínimo estranho. Ao final de tudo saí do Expotrade com a sensação de que não houve nenhum show naquela noite. Queria um pouco mais e não tive, simplesmente acabou e eu fui pra casa. No entanto, mediante tamanha estranheza ainda pude fazer algumas constatações a respeito do som da banda. Mesmo sabendo que já tem um bom tempo que eles não lançam nada com uma grande relevância no mercado musical, eles têm músicas que maturam com o tempo, caso de “Lyla”, “Importance of Being Idle”, Let There Be Love três do álbum “Don´t Believe the Truth” de 2005. Isso foi perceptível graças à empolgação da galera ao meu lado. Não era muito, mas para o momento já bastou.

Pra fechar, depois do show fui procurar mais informações sobre as apresentações em solo tupiniquim e também sobre o novo álbum. Li no portal G1 que se depender do CD “Dig Out Your Soul” a década perdida do Oasis continua. Acredito que isso procede, mesmo com a boa recepção por parte dos críticos internacionais. As músicas novas eram tocadas depois de várias antigas. Em um show com 19 músicas próprias e um cover dos Beatles eles tocaram cinco novas, e essas foram as que menos empolgaram. Claro que essas músicas podem marcar em algum tempo à nossa frente, mas naquele momento não teve quase efeito nenhum sobre grande parte do público que estava presente no evento.

 Mesmo assim, depois de uma experiência quase frustrante, foi bom ouvir ao vivo as músicas que eu escutava no rádio e pensava:

- Quando poderei presenciar isso bem na minha frente.

O sentimento de revival foi bom. Sem contar que é interessante perceber que envelhecemos já que algumas das músicas tocadas fazem parte da década de noventa, mais de 15 anos atrás. O Oasis já não tem tanta importância para o cenário musical quanto tinha depois de seus discos de estreia, mas já escreveu seu nome na história da música pela pose, pelas encrencas e também pela música.

P.S. Não disse que o cara não estava curtindo. Em post agora à pouco em seu blog no Myspace Noel disse que não curtiu tocar em um estacionamento em Curita nem no lugar onde tocou em Porto Alegre.

Matéria na integra: http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1125215-7085,00.html

Abraço.

Noite, chuva e expectativas. Um show que poderia ser só mais um, mas havia a vontade de esperar mais de uma mulher que se sente “ so unsexy for someone so beautiful”, mas que se pergunta “Are you thinking of me when you fuck her?”. Bem, a fila não era tão grande quanto eu esperava – para aquela hora-, mas na verdade eu acho que cheguei um pouco antes. Era 21h, achei que a apresentação começaria entre 23h30 e meia noite. Ledo engano.

Um momento que o tom de como foi tudo

Um momento que dá o tom de como foi tudo

 

 

O lugar estava um pouco escuro, nada diferente na decoração dos ambientes, já que fiquei sabendo um pouco antes de chegar ao local, enquanto estava no ônibus, que haveria uma balada depois – ou antes – do show. A tensão era grande e a vontade de ouvir ao vivo músicas que marcaram várias passagens da minha vida também.

Foram longas horas de espera. De repente veio uma chuva fraca, isso já passava das onze da noite, nada da principal pessoa aparecer. A galera começava a se exaltar, gritar que o show só iria começar junto com a chuva, ainda mais forte. Antes fosse assim.

Nem as piores previsões poderiam ser tão otimistas. Em 20 minutos o céu desabou, choveu pra caramba, alguns documentos e dinheiro foram enrolados em uma sacolinha plástica, e a música rolando no som, enquanto aguardávamos pelo show, se repetia pela terceira vez. Até a uma da manhã choveu muito, constatei que os documentos, o celular – importante para a ocasião – e o dinheiro estavam molhados. BEM MOLHADOS. Momentos de desespero depois, o lugar guardado por algumas horas perdido, enfim começa o show. Uma da manhã, todas as pessoas que ficaram à frente do palco encharcadas. Entra a moça com seu cabelo comprido, e seu estilo claustrofóbico de “dançar” que vem desde as suas primeiras apresentações. Alanis Morissette adentra ao palco.  Com uma iluminação muito boa. Parecia um clarão da quase tempestade que caia sobre a cabeça do público.

Na verdade, nesse momento, eu não estava concentrado na apresentação ainda. Estava tentando sentir o que se passava interna e externamente, já que coisas importantes haviam molhado, mas quanto a isso eu não poderia fazer nada. A vontade de sentir o show era grande também, porém faltava-me concentração. Se não me falhe a memória ela abriu o show com uma pequena introdução e na sequencia emendou Uninvited. Interessante. A expectativa enfim alcançava o ápice, eu podia ouvi-la cantar ali, próximo a mim.

A chuva não tinha parado, mas quem ta na chuva é pra se molhar, certo? Então lá pela terceira música meu cérebro começou a sentir o que era realmente estar em um show no qual as músicas fizeram parte da minha vida. Já fui a alguns shows antes – legais eu confesso -, mas esse era especial, pois me fazia relembrar cada momento importante que tive ao lado da pessoa que amo até hoje.

Em certas músicas, como Flinch, Hand in my Pocket e Unsexy as lágrimas corriam pelo meu rosto de tal forma que eu não sabia se ainda continuava a chover. Dessa vez eu entendi por que as pessoas choram em shows. Solucei de tanta emoção ao identificar aqueles acordes e as notas vocálicas que ainda têm tanta expressão em minha vida. Se não estivesse chovendo, com certeza, mais pessoas iriam perceber a minha emoção frente a frente com um pedaço da minha história.

O som era limpo, cristalino; quase perfeito. Os músicos sabiam o que faziam no palco. Em certos momentos Alanis se sacudia incessantemente por cada espaço cênico, enquanto seus roadies secavam o piso. Em outros, ela dançava com as mãos ou tentava tocar uma guitarra ou violão. Era um momento único que mesmo com todas as distrações se tornou impermeável ali na minha frente. Além de tudo isso, ainda marcou sete anos que conheço alguém especial, que com certeza é o maior motivo das marcações que a música de Morissette tem em minha vida.

Nós estávamos juntos nesse momento único qual o som trouxe de volta as imagens da minha vida. O choro e o fim da chuva com o fim do show. Três ou quatro músicas tocadas em versão acústica. Um bis de mais três ou quatro músicas. Na verdade eu queria que as duas horas de show durassem por mais tempo. Still time. Mas isso ainda não é possível. Ao final da apresentação a emoção transbordava em minhas veias, um te amo enquanto a música que ela mais gosta tocava, para marcar a noite. Depois de tudo isso, ainda fui pegar uma balada – que aconteceu depois – completamente encharcado enquanto esperava o ônibus que me levaria de volta para casa. Estava de volta ao mundo real, mas com um pedaço a mais de mágica em minha vida. A minha história passou em frente ao meu rosto e eu estava lá pra ver.

Enfim, percebi que envelheci, mas estou aproveitando as experiências que ganho com as oportunidades que me são dadas todos os dias.

 A música que mais me emociona Flinch.  Só um pouquinho do que rolou no show com a galera cantando junto. Enjoy.

 

Foto de Vicentte de QuadrosA divulgação foi precária, grande parte das pessoas presentes ficaram sabendo do show um ou dois dias antes da apresentação.  Houveram vários problemas até que o local onde seria o show fosse decidido para que, somente, após isso o local onde poderiam ser comprado os ingressos fosse divulgado para o grande público.

O ambiente foi dividido em três setores. No primeiro setor havia alguns super fãs, os ricos que nem sabiam o porquê de estar ali e alguns outros blasés. Parecia aquele esquema de estar em um lugar só para aparecer, mas o Cacau não estava lá. Piada só para os moradores de Floripa.

Faltando 55 minutos para o início do show o ambiente montado para a apresentação não estava cheio. Existiam mais pessoas no setor A e quase ninguém no B e mais uma galera no C. Importante destacar que os ingressos não estavam tão caros, pelo quilate de quem iria se apresentar – mínimo de trinta reais para estudante e máximo de R$140 inteira.

A galera próxima e eu comentávamos sobre o não comparecimento do público local, o que no final do show, surpreendentemente, me fez morder a língua. Já que o auditório ficou quase lotado.

O show começou com meia hora de atraso, mas nada demais. O som estava ótimo e mesmo com uma iluminação simples o ambiente lembrava aqueles lugares perfeitos para pocket shows. Fiquei empolgado em perceber como coisas simples podem ficar tão boas.

Damien é um cara muito interessante. Acredito que muita gente devia imaginá-lo como uma pessoa triste, de repente autodestrutivo. Mas não, surpreendentemente é alguém alegre com muitas boas histórias para narrar, sem contar que em certos momentos do show parecíamos que estávamos em uma apresentação de stand up comedy. Tudo transcorreu perfeitamente, Rice tocou alguns clássicos, algumas músicas que eu ainda não conhecia e conversou com a galera como se estivesse em algum pequeno bar na Irlanda, sua terra natal. O som era perfeito lembrava muito o que ouvimos em seus CD´s.  A falta da voz feminina de sua companheira quase não foi notada, por mim. O show foi ótimo. Seu Jorge entrou para dar o ar da graça, com certeza, muita graça. Seu Jorge adentrou ao palco conversou com a galera e tocou alguns sons conhecidos. Quando Damien voltou cada um tocou a sua “versão” de Blower´s Daughter. Enquanto um tocava o outro acompanhava atentamente. Foi um momento hipnótico.

A participação do público foi algo marcante já que em certo momento ele convidou quem gostava de cantar para que o acompanhasse no palco na interpretação de Volcano. Foi mágico ele tentando reger o coro de vozes no palco e também na platéia. Ele soube usar seu carisma para que todos aproveitassem o momento que ele concedeu para os mortais de participar de algo especial para cada um que ali estava presente.

Uma pena foi a não realização do meu devaneio de que antes do fim do show todos os setores iriam se misturar e cantar alguma música juntos em frente ao palco. Isso não aconteceu, mas quem sabe na próxima. Um detalhe importante, é que mesmo Florianópolis não sendo uma capital com tradição de grandes eventos artísticos houve um comparecimento massivo do público. Com certeza, motivo de orgulho para todos ou ainda poderia ser que o apelo da presença de Seu Jorge pode ter funcionado.

Damien estava muito solto, parecia muito feliz em se apresentar na cidade e shows assim são sempre muito bons. Em certa parte da apresentação Rice explicou o que o trouxe ao Brasil; um convite de Seu Jorge que ficou soando em sua cabeça por um bom tempo. Ele ainda cantou Canon Ball sem amplificação, foi excepcional ouvir a voz da galera junto com a de Damien.

Ao final da apresentação Rice convidou uma amiga para o palco mais o seu Jorge, colocou ali uma mesa duas garrafas de vinho e três taças. Contou uma história e encenou Cheer´s Darling. Pra mim uma surpresa muito bem arranjada. O show foi cheio de momentos agradáveis e memoráveis.

Antes de chegar ao evento eu me cerquei de expectativas, mas quando eu soube que iria assisti-lo sozinho sem uma banda acompanhando poderia ser um pouco chato, mas ele conseguiu manter a peteca no ar e encantou a todos que ali estavam para vê-lo. Seu Jorge com certeza foi algo a mais na apresentação, sua presença deu um brilho ainda maior ao evento. Mas, no entanto eu acreditei que poderia ser apenas uma estratégia de marketing para chamar mais pessoas, de repente até pode ter sido, mas o público parecia muito interessado em sentir a música dos dois.

Com certeza valeu a pena cada minuto. Ao final de tudo, para os sortudos que puderam esperar, Damien e Seu Jorge apareceram no estacionamento e conversaram com os fãs e Rice tocou ainda mais um som para matar a vontade que nunca passa de ouvir música boa ao vivo. Experiência de show pequeno em cidade grande, mais uma surpresa que Florianópolis resguardou para essa temporada.

O meu Big Brother

Janeiro 31, 2009

Vivendo com pessoas do trabalho e aprendendo que as diferenças nem sempre devem ser respeitadas

 

O big brother começou faz pouco tempo na TV, acho que três semanas, no entanto pra mim tem mais tempo, já que tirando as férias de alguns dias de janeiro com os meus pais, estou “confinado” com colegas de trabalho desde do início de dezembro.

É engraçado perceber quando se passa muito tempo junto com as mesmas pessoas o desgaste das relações interpessoais, as respostas ásperas e a falta de interesse em entender as diferenças de cada um. Mas, no entanto, uma coisa que sempre é dita no Big Brother da TV, as máscaras caem rapidinho, ainda mais quando se trata de trabalho. Pessoas que pareciam extremamente inteligentes têm uma vida pessoal totalmente insana, comportamentos infantis e reações surpreendentemente fora da realidade a qual foi inserido. Alguns tentam se auto afirmar por meio de coisas que não são suas e assim por diante.

Vou explicar pra vocês como funciona o dia-a-dia da casa:

A equipe, formada por oito pessoas, trabalha em um shopping de Balneário Camboriú em dois turnos; manhã e tarde divididos em quatro. Nada anormal até aí. Às vezes podemos sair à noite para baladear, conhecer alguns lugares diferentes, ir à praia.  Mas o “X” do desgaste não mora aí, ele está na convivência diária e ininterrupta – casa e trabalho – com pessoas que se comportam de maneiras distintas e, na maioria das vezes, não toleram o comportamento diferente dos outros. Ou pode ser que não procuram se adaptar ao novo segmento de vida conjunta, já que existem coisas que você pode deixar de fazer para não incomodar uma grande parcela das pessoas que moram com você.

Realmente passar muito tempo com as mesmas pessoas tentando dividir comida, gasolina, gostos e gastos é algo complicado. Sem contar que existe a necessidade de lidar com egos do “melhor motorista” que tenta provar que não o “de menor” como conhecido no escritório sendo o chofer da galera; dirigindo mesmo quando existem outros dois motoristas para revezar na casa. Existem ainda as crianças que brincam de trabalhar e namorar, que provam por “A+B” que casais não podem trabalhar juntos (mesmo tendo um raríssimo exemplo de que essa fórmula pode dar certo na porta da frente), ainda mais em casos como esse de “confinamento”, pois os problemas das discussões infantis em casa são levados para o trabalho e vice-versa. Tem também o folgado engraçado que aproveita do seu dom de fazer os outros rirem para folgar e não fazer o mínimo das atribuições da casa como lavar a sua própria louça. Tem o que se acha a ovelha negar, pois nunca recebe nada, todos colocam a culpa nele. Mas isso é o que se ganha quando queremos procurar namoradas ao invés de trabalhar ou quando não fazemos muitas coisas como se é esperado. Temos o certinho que procura fazer tudo de acordo como as regras mandam sem nunca sair da linha. Às vezes chega a ser chato por seguir tudo de maneira tão direita. Podemos ver que a maioria dos perfis são distintos e isso, com certeza, gera discordância.

É interessante destacar que por esse ser um “habitat” tão sensível um individuo consegue colocar toda a mínima harmonia existente no sistema em xeque, quebrando uma das principais regras para manter tudo funcionando; manter o diálogo. Quando uma pessoa não procura acertar as situações que causou a si mesmo e para de conversar com alguém desse sistema frágil todo o equilíbrio vai embora e o problema não pode ser solucionado enquanto esse ser não toma a decisão de por si mesmo resolver seu desentendimento que foi realmente gerado por excesso de convivência e displicência com o que e como falou com as outras pessoas do ambiente.

Ainda existe um problema maior que é o fator organizacional. Nem falo sobre organizar cada um as suas coisas, mas a tentativa de fazer com que as pessoas não percam a paciência e partam para a agressão física devido a falta de tato que alguns têm em momentos críticos. Você não sabe se concorda com todos, se desautoriza alguns mal educados ou se deixa passar só para não gerar uma briga. Realmente não sei.

Pra quem não me conhece muito bem, eu tenho vontade de participar do BBB, já que lá existe a possibilidade de passar alguns meses de forma a aproveitar o ócio para enriquecer o intelecto e também aprender com a convivência. Estou usando esse modelo de convívio que tenho aqui para praticar atitudes, se é que isso é possível, pois no momento em que entrar para a casa valendo um milhão espero conseguir o prêmio máximo.

E mesmo depois de relatar todas essas desvantagens, tenho que confessar algo, eu continuo nesse mesmo sistema, no qual devo permanecer até março, no entanto os “participantes” vão mudando de acordo com os acontecimentos externos do nosso trabalho. Essa é a vantagem, se não aguentar você pode pedir para sair – usando o exemplo que o meu chefe deu “A pessoa pega e quebra o colarzinho como no programa ‘No Limite’”-. No entanto essa nova “temporada”esta mais tranquila. As pessoas estão conversando mais e fazendo o possível para se adaptar as manias de cada um, como a de organização, a de não gostar do cheiro de cigarro, dividir ou não a comida, acertar os valores que cada um tem que pagar para cada coisa nova que é colocada na casa. É um momento interessante de aprendizado para todos, tirando os momentos extremos que alguns relacionamentos provocam em quem não tem nada a ver com a situação.

E você, já viveu algum momento Big Brother na sua vida? O que achou? Conta aí.

Aniversário de novo

Janeiro 10, 2009

 

Mais uma vez meu aniversário, como eu tento fazer todos os anos, estou escrevendo um texto para marcar essa data tão “bacana” – heheheh- que é quando completamos um ciclo à mais de vida. Estava pensando sobre o que escrever em um momento tão interessante, pra mim, quanto esse e então resolvi fazer um resumo de como as coisas caminharam nesse último ano.

Muitas coisas que eu não esperava aconteceram, a maioria boas. Terminei a faculdade e embarquei em uma viagem que me deu muito conhecimento, acredito que, me fez amadurecer, percebi que meus sonhos são mais possíveis do que eu jamais imaginei e que para que eles aconteçam o importante é ter coragem e apoio das pessoas que você mais gosta, no meu caso, minha família, minha namorada e meus amigos. Tive algumas revelações que demoraram para aparecer na minha vida pregressa que é não confiar em todo mundo. E vou dizer a vocês levem essa premissa a sério principalmente com dinheiro. Nunca me estressei tanto com essa porcaria, mas é a vida.

Estou aprendendo a conviver com pessoas diferentes do que eu sempre convivi. Antes eu tinha por todos os lados pessoas que me estimulavam a pensar e a mostrar o meu melhor. Agora eu tenho alguns que são assim, mas a maioria é enrolão, preguiçoso e ainda quer tirar vantagem de tudo e de todos. Dá uma desanimada quando você constata que as coisas são assim. Mas temos que colocar na nossa cabeça que o que realmente importa somos nós e assim vai continuar.

Hoje refletindo sobre tudo que aconteceu nesses quase doze meses de viagem eu fiquei maravilhado em me surpreender com tantas novidades que pude vivenciar em tão pouco tempo, nunca imaginei que tantas coisas poderiam acontecer em apenas doze meses e agora me sinto preparado para dar o meu próximo passo em direção a algo ainda maior. Espero chegar lá o quanto antes e para isso vou lutar. Sei que esse texto não tem muito a ver com o que escrevo sempre. Mas hoje pode, hauahu. Já que nesse espaço já publiquei de tudo, hoje ele irá servir para eu marcar minhas mudanças.

Mais uma vez tenho que agradecer a todos que sempre estão comigo, dando força e me alimentando de bons pensamentos:

MãePai – Daniel, meu brother, – Lu, minha namorada e amiga, e meus amigos especiais que estão sempre comigo em pensamento Julliane, Anderson, Tigo, Rony, Bruna, Jeff, Andréia, Vânia, Anita… Os amigos das antigas. Pessoas maravilhosas que me fazem pensar na bondade e na inteligência – cada um a sua maneira – das pessoas. E ainda me fazem perceber que não importa o quão longe eu vá, com quem eu tenha que falar, os malandros e crianças que eu tenha que conviver; eles sempre estarão lá para me dar uma palavra de força. Acredito que as pessoas já perceberam que eu me expresso melhor quando escrevo, mas tentem me imaginar dizendo isso para vocês.

Amo todos vocês e vocês são e serão o presente dos meus aniversários. Saudades de todos que não estão próximos agora e feliz por passar esse momento especial com quem pode estar aqui comigo. Abraço a todos e no ano que vem, com certeza – se Deus quiser – eu irei escrever palavras ainda mais felizes que essas. Cansado, preparando meu próximo passo e com 24 anos -  que esse seja o momento tão esperado – .

Porno Tecno Conto

Janeiro 3, 2009

Então, eu não gosto muito de começar os meus textos conversando, mas hoje é necessário. Enfim, rompi a barreira dos dez mil page views e nesse momento tenho mais de 260 comentários nesse endereço que tanto gosto. Não é muito, mas é um marco pra mim que nesses dois anos aqui no wordpress e mais um ano anterior no UOL tentei manter a minha regularidade na escrita.

Tive um número excelente de acessos nesse fim de ano e tenho que agradecer a todos que sempre leem – lembrem-se a nova regra gramatiacal já está valendo - o que eu escrevo. Abraço a todos e espero que continuem lendo o que eu escrevo nesse espaço. Sobre o texto abaixo, foi algo experiemtal que eu escrevi com palavras que surgiram em minha cabeça. Espero que gostem e comentem. Fui.

 

 

O tesão toma conta, seus olhos pequenos de prazer

Lembram uma oriental em um momento de desenho animado ocidental.

Meus dedos tocam – na com a intensidade de uma pétala de rosa sob o espinho.

Tudo parece tão familiar.

Os gemidos, o franzir da testa, a sua pele sensivelmente arrepiada…

 

Tudo lembra a vontade que passa diuturnamente pela minha cabeça,

Beijar- te até que minha boca diga não. Até que a minha vontade desapareça.

Sinto que me apropriei de algo diferente, nem tão meu, nem tão seu.

Mas mesmo assim, nosso.

 

Os corações parecem compassados no mesmo ritmo.

Os corpos desobedecem a física, obcecados pelo prazer desse exercício.

As mãos se entrelaçam, o que era intimo se torna exposto.

O rosto e suas expressões perdem a importância por um instante.

 

Nessa hora o que vale é o contorno do seu corpo.

A luz e a sombra que mostram a perfeição da obra que tenho junto a mim.

As possibilidades infinitas de te fazer feliz por um minuto.

E me realizar por toda a vida.

 

Somos só corpos buscando o resgate do desejo,

Pelo suor e pelo beijo, que nos deixam hipnotizados com a possibilidade de gozar a noite toda

Sem pensar se é certo ou errado

Solteiros ou casados

Somente nos entregamos a vontade da carne

Que há tanto comanda todos os desejos íntimos da humanidade

Mas é banida das nossas vidas

Devido ao puritanismo barato de nossos dedos unidos como um chalé ao fim do dia

 

Seu corpo e o meu, formam uma obra prima

De amor, ardor, esplendor

Seu beijo me excita como a vitória

Seu cheiro me lembra a glória

Dos pensamentos que eu tive

Das experiências que me deram medo e ficaram sub-níveladas em minha mente

Para que posteriormente fossem transformadas em um desejo

Que será catalisado em forma de segredo

Para todos aqueles que deixam de fazer o que querem, quando querem

 

Às vezes penso que satisfazer meus desejos pode ser algo proibido

Mas quem pode me proibir de fazer algo senão eu mesmo?

A vontade de conhecer o desconhecido é algo que molda o meu ser

Que mostra os caminhos os quais eu não devo seguir,

Já que os que devo, estão sempre abertos

 

Não tenho medo de nada, mas também não conheço tudo

Quero sempre mais da vida e das vontades

Afinal, o que nos move mais do que a nossa vontade?

A relação amorosa entre um casal dificilmente é 100% tranqüila, percebemos isso nas poucas olhadelas que damos diariamente nos rostos dos casais apaixonados que discutem enquanto passeiam pelo shopping realizando suas compras de aniversário de namoro.

A fidelidade sempre é um tema polêmico de ser abordado devido a sua complexidade de relacionamento para relacionamento. Mas é sempre possível criar um parâmetro ao menos para aferir a realidade do que acontece na cabeça da maioria quando essa atitude, um tanto conturbada, é tomada por uma das partes. Esse tema é tão complexo que poderia ser até tese de pós-graduação. Mas vamos ao assunto que realmente interessa.

Um relacionamento para existir, necessita de confiança e baseado nessa confiança os casais tomam suas decisões em relação a que rumo irá tomar. Dessa forma – eu acredito – que a confiança é o principal fator que mantém um casal unido depois do amor, claro. No entanto existe uma grande parcela de pessoas que após conquistar essa confiança quebra um caminho tranqüilo com uma atitude muitas vezes impensada e relativista. Quando digo “relativista” eu me refiro a algo que serve para a pessoa em seu momento presente. Uma atitude que tomada pela outra parte – no caso seu parceiro – seria inadmissível. É importante frisar que as pessoas sempre tomam atitudes relativistas para se beneficiar. Até agora eu vi esse termo empregado com mais freqüência no quesito ético. E então resolvi utilizá-lo no relacionamento para deixar a minha idéia mais explicita.

No caso da traição o relativismo parte da pessoa que realizou a ação, tentando se convencer de que não existe mau nenhum em fazer isso uma ou duas vezes, desde que o outro não descubra. Que a pessoa que apareceu é alguém único e especial. Que não poderia perder esse momento e que essa atitude não irá alterar em nada seu relacionamento oficial. O termo ainda pode ser empregado pelos amigos, para ajudá-lo a lidar com a atitude tomada sob, sua única e exclusiva responsabilidade, dizendo também que a pessoa é alguém especial, impar que o autor da ação não faz isso com todo mundo, não é promiscuo e assim por diante.

Vejam só que um único agente é responsável pela ação, mas ele precisa do suporte das pessoas mais próximas para que pense que não fez nada errado. Simples. Após todas essas desculpas, vamos avaliar o comportamento da maioria das pessoas que costumam desrespeitar um dos principais pilares de um relacionamento.

Na maioria das vezes esses costumam ser dominadores, demonstram um ciúme quase que inacreditável e comentam como “gostam” da pessoa que estão no momento, com todos que conhecem. Não importa se é do circulo intimo ou se acabou de conhecer esse novo ator em sua vida. Tudo isso mostra a preocupação que um personagem tem de que seu parceiro faça o que ele vislumbra fazer. No entanto, é claro que esses comportamentos já são conhecidos de grande parte das pessoas que se relacionam. Às vezes pode não ser em seu relacionamento, mas no do amigo ao lado.

Então, dessa forma, a partir do momento em que uma das partes toma a decisão de trair, toda a confiança que existe, acredita-se, mutuamente desaparece como um castelo de cartas construído ao ar livre em dia de tempestade. É importante levarmos em conta que esse “castelo” é construído a cada dia, fortalecido com cada atitude responsável que tomamos, mas pode cair a qualquer momento caso uma das partes não esteja preparada para proteger tudo que já foi feito no decorrer do relacionamento.

Uma certa vez, um amigo comentou que ficou com uma menina que namorava a mais de dois anos. Ele dizia sempre que, quando a pessoa trai, não importa se é a primeira ou a décima quinta vez, ela destrói todo o relacionamento que criou. E esse argumento ele utilizava para desaprovar o namoro. Muito interessante eu achava esse comentário, sempre.

Mas pelo que podemos analisar atualmente, muitas pessoas não respeitam o sentimento do seu parceiro, já que uma saída fora de sua realidade diária traz a possibilidade de um desvio de conduta relativizada pelo seu consciente como algo único. Eu acredito que uma das coisas que leva uma pessoa a não trair é a preocupação que isso irá trazer para seu companheiro, o qual julga-se amar, uma vez após essa pessoa descobrir o que aconteceu.

Para saber como a outra pessoa iria se sentir, imagine-se sendo traído e então saberá a resposta.

Analisando outro comportamento das pessoas que traem posso afirmar que estas demonstram a necessidade que têm de encontrar outro alguém para aquele momento. É perceptível as brechas que cada um dá para a pessoa “desejada”, já que só o fator de você não demonstrar interesse em algo mais, faz com que pessoas com intenções de ir além de uma conversa percam as esperanças muito rápido. No entanto, quando o autor da traição toma um posicionamento neutro, não se defende dos sinais enviados pela outra parte, instiga esse outro personagem a continuar tentando. E todos nós sabemos que a carne é fraca e a cabeça da maioria é mais fraca que a carne. Por isso quem traí sabe que a possibilidade está a sua frente já que deixa sinais do que pretende para quem o interessa.

Então, após essa escolha de momento, um relacionamento hermeticamente construído na confiança desaba, e essa confiança, da forma que era antes, mesmo que a parte receptora da ação diga que perdoou, jamais será a mesma. A possibilidade da vingança se torna muito real e o cérebro passa a relativizar, praticamente todas as ações que essa pessoa poderá tomar depois do “perdão”.

São situações realmente intrincadas que escancaram a fragilidade do ser humano mediante a novas pessoas, novas situações e novos ambientes. Além disso, mostra a necessidade real de saber o que realmente se quer do relacionamento no qual está inserido para realizar a escolha certa. O mais engraçado de toda essa situação é a necessidade de exaltar o parceiro que sofreu a ação anterior e posteriormente a realização da traição. As pessoas usam de um cinismo explicito, ou de uma pseudo-inocência, e deslavado para esconder a real vontade implícita na pele, a de experimentar. Mas se esquecem de que outra pessoa irá sofrer com um relacionamento cercado de mentiras e também após descobrir o que aconteceu; com a perda da confiança em quem gosta.

O diagnóstico para esses indivíduos que se sentem propensos a trair é mais simples do que podemos imaginar. Viva solto, assim você não terá do que se arrepender no dia seguinte. Já que a pior coisa que o autor da ação terá que lidar será a sua consciência que irá cobrá-lo sempre que houver oportunidade. Porém atualmente a consciência das pessoas anda tão rareada que nem mesmo a dor de perder alguém, que esteve por perto tanto tempo, pode fazê-los cair.

É tudo tão de silicone e fora do esquadro, as pessoas sorrindo como se tivessem ganho um prêmio da loteria. É possível diferenciar quem tem mais dinheiro e quem tem menos, isso dói às vezes, pois estar em um lugar onde o propósito é comprar proporciona momentos de desilusão em pessoas que possuem uma vida significativamente na medida. Claro que sempre queremos mais, mas enquanto procuramos chegar ao ponto do “mais” é importante estarmos em paz com nós mesmos para conseguirmos alcançar esses objetivos.

Em shoppings movimentadissímos fica fácil perceber como as pessoas são ocas e desleixadas com suas vidas.  Uma luz de vitrine leva embora todo o brilho da alma e deixa à vista somente o reflexo dos “pisca-pisca maravilhosos e encantadores” que convidam a gastar sem pensar no amanhã. Se as pessoas usassem essa vontade de não pensar no amanhã para outras coisas, com certeza teríamos uma realidade menos limitada. Não gosto de falar sobre as pessoas que realizam as suas vidas comprando coisas, pois isso já foi explorado em demasia. Mas sim, sobre o cinismo intrínseco que elas desenvolvem ao comprar produtos cada vez mais caros e sair do shopping xingando o flanelinha.

É tudo tão sórdido e superficial, até as pessoas mais esclarecidas são contaminadas por esse momento tão indisciplinador que é comprar. Tudo soa como os sinos de uma catedral, mas que invés do dízimo convida o ser humano a comprar cada vez mais do que pode. Deixando suas vontades principais morrerem de inanição à medida que se distrai com coisas mais supérfluas que a roupa vermelha que cobre o corpo do senhor de barba – falsa ou não – em diversos centros de venda mundo afora.

As relações desfeitas pelos presentes não dados, os abraços perdidos pelos desencontros do mundo das compras, as pessoas alienadas acreditando em tudo que vêem e lêem nos outdoors pelas ruas das cidades. Tudo indicando o que e como a sociedade moderna interage. Falsamente colocada em um ponto de estandarte para dizer posteriormente o que poderia acontecer com as nossas vidas perdidas no pacífico local das pessoas sem coração, domadas pelas possibilidades infinitas do meu cartão de crédito preto. Afinal, somos medidos pela cor do nosso cartão, se é ou não internacional. Tudo pode acontecer com quem tem muito para gastar. Mas quem não tem, luta para alcançar esse patamar e enfim se declarar feliz com o que tem; ou não?

E assim, depois de perder a conexão com seus desejos mais profundos e se vestir para a festa, mesmo quando vai ao shopping, tudo estimula a perda do que nós dizemos ser o cerne da vivencia humana. A perda da liberdade, da amabilidade tudo em nome de uma coisa só – a comprabilidade.

Não importa se essa palavra ainda não existe, mas ela já rege todo o subconsciente da maior parte da população mundial. Se é comprável é bom. Se não é, iremos descobrir qual o seu preço e anunciar na internet, assim mais pessoas poderão verificar a queda de algo que se julgava incorruptível.

Amanhã, se as pessoas não lembrarem de seus próprios rostos, parabéns! É porque elas compraram um novo na promoção ali do lado.

Ser a impressão do que se pede é sempre mais do que a violência das nossas vidas mimeografadas de maneira mais moderna, todos procuram por algo a vida toda. Talvez encontrem, talvez não. Tudo depende da real intenção das suas idéias, a vontade de mostrar o que realmente é cada coisa em nossas vidas. Ter medo do que pode acontecer é um fator humano ponderante.
Já nos dissemos tudo, você me conhece melhor do que eu mesmo, tudo foi expressado de maneira superlativa. Nós; se tornou algo único. Como o horário daquela sua série predileta que reprisa duas vezes por dia na TV aberta.
Perdidos e encontrados, os seus pensamentos me remetem aos tempos quais eu não conhecia o amor, eu apenas fingia saber. Não sabia o que sentir quando estava perto de alguém que me inspirava, que derrubava as minhas defesas e me mostrava o espelho da alma por meio do seu riso… suas ações. Eu quero estar mais próximo de você, mas as circunstâncias não permitem. O medo do que já aconteceu domina os meus mais bem guardados pensamentos.
O temor de amar é algo que movimenta o âmago das pessoas, os sonhos e os desejos. Talvez por amarmos demais ou por não termos quem amar, nos tornamos cínicos cíclicos , por não encontrarmos nada que nos sustente à medida que corremos atrás de algo, de alguém, de alguma coisa. Isso não aparece nem se materializa. Queremos uma história para nos propiciar felicidade, tranqüilidade, uma personalidade qualquer que nos dê estabilidade.
Mas quando não encontramos nada, voltamos ao ponto de partida que muitas vezes pode não ser o melhor, mas foi tudo que conseguimos nesse espaço de tempo entre o desespero e a reconciliação. Qualquer problema pode ser solucionado, desde que o nosso orgulho seja engolido pouco a pouco. Que a necessidade de alguém, seja quem for, seja percebida em nossas noites frias e tristes as quais passamos acordados com o nosso mau humor, desespero e acompanhados pela solidão mórbida de alguém que sabemos desejar, mas não sabemos como falar, já que isso – nota-se – é recíproco.
Nesses momentos do que adianta várias pessoas, de plástico, ao redor que analisam a sua vida superficialmente como a sacola da nova loja de grife da cidade, quando você está procurando se reconciliar com as suas idéias? O batom já não é mais o mesmo, a pele pede por um cobertor – mesmo nos dias mais quentes -, as nossas histórias já não são mais completas, dependemos de substancias que nos deixam mais ativos – quando estamos felizes -, que nos deixam mais calmos – quando queremos descansar – , que nos mostram outros mundos – para fugirmos da realidade medíocre que nós mesmos criamos -, que nos derrubam para a vida quando estamos tristes.
Precisamos de lugares que sugam toda a nossa juventude, todo o nosso bem estar, toda a nossa decência. A vontade de aprender some em meio às sombras das propostas indecentes de pessoas perdidas em meio à variedade de sensações passageiras que despistam tudo de bom que possuímos dentro de nossos corpos e mentes.
A vontade de conhecer coisas e sensações novas nos transforma em escravos das histórias que não vivemos, dos lugares que não conhecemos. Obcecados pelo amor perfeito que pode estar próximo, mas vivido por outra pessoa. As sensações são descartáveis, pois podemos comprá-las na esquina seja branca/pó, verde/folha, rosa/comprimido ou ar/buzina. Tudo só depende de onde você vai, com quem e quantos anos você tem.
O amor se torna algo volátil, depende do que podemos desejar no momento. As pessoas dizem se entregar, amar e desejar pra sempre – uma vez por semana – sempre para alguém diferente. Tudo isso como se os sentimentos fossem passageiros de um vagão pequeno, sem peso, sem direção, sem noção. Sendo levados pelas histórias inventadas pelo maquinista.
Essa nova ordem juvenil parece procurar morrer para ser feliz, sem destruir o aproveitamento da vida, pois, afinal de contas, ainda somos jovens e temos que aproveitá-la bem. Mesmo que para isso tenhamos que destruir a vida das pessoas que mais zelam pela nossa existência, em nome da nossa rebeldia fajuta, da nossa sexualidade não assumida ou dos nossos atos insanos em busca da aceitação de uma molecada cada dia com menos discernimento que avalia sem nitidez alguma as conseqüências do que fazem.
Mas se somos livres, seremos nós livres para morrer a hora que quisermos, pois no fim da história; a maior descoberta dessa nova geração foi como morrer mais rápido com a “saúde perfeita” e deixar filhos com a mesma idade dos pais para os avós “retrógrados” criarem. Salve a consciência juvenil dos nossos atos impensados para destruir as nossas causas tão nobres quanto o cocô de um cachorro sem dono vagando por uma estrada rural da Guiana Francesa.